26 setembro 2008

Fromage blanc


 


Os franceses comem e bebem horrores, mas nem por isso há muita gente gorda. Segredos misteriosos que bem podiam passar às pobres criaturas que não podem comer, sob pena de rebolarem em vez de andarem.


 


Além de comerem e beberem muito e de cozinharem bem, têm uma verdadeira arte em descrever os pratos, de forma a deixar o comensal com as papilas a saltarem de antecipação. Até são capazes de vender uma sobremesa sublime, un fromage blanc, que não é mais que um iogurte natural, sem açúcar, natural branco e cremoso.


 


Por outro lado não perdem nunca a oportunidade de falar sobre comida e ingredientes. Hoje ouvi uma palestra sobre trufas, vários tipos e cores, raridades e forma de venda, cozeduras, preços e redução de peso (da trufa), porcos e cães de caça para desenterrar a trufa e javalis selvagens que comem a dita, enquanto comprávamos óleo de noz (pelos vistos excelente para as saladas e para a saúde, segundo Monsieur Teyssier, dono da charcutaria), paté de canard truffé e uma conserva de pêra em aguardente (de pêra).


 


A gruta de Lascaux

A gruta de Lascaux (Lascaux II), ao pé de Montignac onde, aliás, se compram os bilhetes, é absolutamente extraordinária. E uma réplica da original, aberta ao público em 1983, 20 anos após o fecho da verdadeira gruta, pela degradação acelerada das pinturas rupestres, encontradas por 1 cão e 4 rapazes , à boa maneira de uma aventura de Enid Blyton.


 


Temos direito a guia, em Inglês ou Francês. Mas como as visitas fecham à hora de almoço (tal como a pequena loja-museu que fica junto à entrada), das 12 às 14 horas, podemos sempre escolher a língua que melhor nos conforta o estômago.


 


É impressionante perceber que há cerca de 17.000 anos tenha havido membros da espécie homo sapiens sapiens capazes de pintar na pedra com aquele detalhe, aquele sentido das proporções, aquele conhecimento de cores e técnicas de pintura, de fabricação de andaimes para chegar ao tecto e à parte superior da gruta, de iluminação para poderem espantar a escuridão.


 


Apenas animais e uma única tentativa de pintura humana.


 


Deslumbrante.


 



(Gruta de Lascaux - unicórnio)

25 setembro 2008

Périgueux

No restaurante Hercule Poireau, com uma entrada de oefs cocottes, que se transformou numa sopa de creme com ovo e presunto, acompanhada de um vinho tinto muito bom, depois de uma noite com ameaças de pedreiras renais a rolarem pelas encostas ureterais, foi uma entrada de estadão nas microférias, para curar de uma sobredosagem de novas classificações e descobertas electrizantes e estratosfércas no domínio dos linfomas, da citogenétca, dos doubles hits, do CISH, enfim, de gente iluminada que se farta de trabalhar para melhorar a saúde do comum dos mortais.


 


Périgueux é uma vila medieval lindíssima. Amanhã espera-nos mais canard, magret, foi gras, paté  e confit de canard, múltiplas variedades da charcuterie périgourdine, ou deveria mesmo dizer perigordina.


 


Sim porque ontem o jantar foi magret acompanhado de jazz, num restaurante que se chama... Canard-Jazz.


 



(pintura de Liza Hirst: Pérgueux)

20 setembro 2008

Nos próximos dias...


 


Estarei por aqui, sorvendo ciência, muita, muita ciência, mas atenderei a várias áreas, como esta


 



 


esta


 



 


e esta


 





 


entre outras.

O Estado como tal

Tal como hoje reconhecemos todos, alguns a contragosto, o fracasso do sistema comunista, deveremos reconhecer com a mesma honestidade o fracasso do capitalismo puro e duro, das leis de mercado sem controlo e da lei do lucro pelo lucro.


 


As sociedades precisam de um cimento para que sobrevivam como sociedades e esse cimento é o contributo que todos se obrigam a dar, num esforço comum para que haja coesão e solidariedade sociais.


 


A falência deste modelo está à vista com as intervenções que a administração americana estão a empreender, salvando da falência seguradoras privadas, cujos lucros fabulosos e distribuição de dividendos pelos profetas do mercado não evitaram o colapso e a ameaça de desemprego para milhões de pessoas.


 


O estado tem o dever de intervir para evitar uma enorme desgraça, assim como tem o direito de intervir para impedir as enormes assimetrias, a especulação e a mitologia do poder do dinheiro pelo dinheiro.

Flores novas

Trarei flores novas por entre os dentes, aos pés dos leitos por onde já passei. Lençóis de dor e fé, de início ou de fim, a mesma carne com ou sem estremecimentos.


 


Tantos olhos que por mim viajam, procurando respostas e esperança. A todos fujo, mesmo sorrindo e apertando mãos, mesmo que gele as certezas, que se me escapem as pedras inevitáveis.


 


Trarei flores tenras por entre os dedos, que enterrarei na terra que me não espera. Assim vou guardando o meu lugar, junto daqueles que já não estão.


 



(pintura de Jana Bouc: cemetery day)

Colheitas


[pintura de Janet Aly: Al Mumit (Bringer of Death)]


 


E nunca mais finda este Verão

de Outonos velhos

de invernosas colheitas de almas.


 


Atrás de mim caminham fantasmas

vão-se cortando as veias

da minha infância.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...