30 julho 2008

Ler (2)

Mia Couto é um manipulador da palavra e da língua, que usa e reinventa à medida da sua enorme sensibilidade. Desde os nomes próprios das personagens às situações que vão fluindo, reais ou sonhadas, numa simbologia de afectos e poções, bruxarias e silogismos, burilando um conto dos que ouvimos lido à lareira, ou sussurrado junto à praia.


 


Não sei se é veneno de Deus ou remédio do Diabo, mas não conseguimos parar de o beber e ele entranha-se na pele.


 



(Mia Couto - 2008)

Ler (1)

Miguel Sousa Tavares escreve bem e Rio das Flores é um bom livro. Está bem escrito, lê-se de uma assentada, tem romance, história, aventura, guerra, liberdade e ditadura, espanholas, touradas, caça, discussões, Brasil e terra, a omnipresente terra, todos os condimentos para prender o leitor e contar uma história bem contada.


 


No entanto há alguns senãos neste livro: as personagens femininas estão pouco aprofundadas, particularmente a mãe de Diogo Ribera Flores (Maria da Glória), que parece ter sido esquecida e relembrada aos saltos, em excertos por vezes demasiado longos mas desgarrados do todo. Há um arrastar no desenvolvimento da história do amor de Diogo pelo Brasil, mas a decisão deste aí ficar, a compra da Fazenda e a seu enamoramento por Benedita é tirado a ferros, parecendo querer apressar o fim do livro.


 


Não sei avaliar as precisões históricas mas para quem é leigo tudo faz sentido e a narrativa de vários episódios da época são excelentes, talvez melhores que o enredo romanesco. De qualquer forma, é um bom livro para devorar em férias.


 



 (Miguel Sousa Tavares - 2007)

29 julho 2008

Aplauso

Tenho que aplaudir de pé a decisão do Ministério da Saúde impor a exclusividade aos médicos do SNS. Sempre pensei que a separação entre público e privado era essencial para melhorar a produtividade do sector público e rentabilizar as instalações e os meios técnicos.


 


Quanto ao papão da fuga de médicos do público para o privado, dos melhores como disse Carlos Santos, do SIM, pelo facto de se praticarem melhores salários no sector privado, gostaria que fossem esclarecidos alguns pontos:



  1. Qual a diferença entre a remuneração média praticada no sector público e no sector privado, para uma mesma categoria e um mesmo horário de trabalho, considerando o regime de trabalho com e sem exclusividade.

  2. Qual a forma de contratação de profissionais de saúde para o sector privado, de forma a assegurar que são os melhores a irem para o sector privado.

  3. Qual a informação de que os sindicatos dispõem sobre a opinião que os seus associados têm sobre exclusividade.


É importantíssimo que se faça uma remodelação das carreiras médicas, se bem que me parece que o sector privado não deve ficar de fora, à partida, das formações pré e pós graduadas. Penso que isso deve depender das condições que têm nos diversos serviços e na garantia de qualidade e de cumprimento dos programas aprovados pela OM.

27 julho 2008

Intermitências (2)

Afinal o bar não é de irlandeses mas sim de ingleses (perto de Cambridge). É claro que se impunha mudar para gin tónico.


 


A água está gelada, o sol queima e a areia teima em pegar-se ao corpo besuntado de protector solar, factor 50+, por causa da pele de lula e das alergias. Enfim, o santo sacrifício da praia.


 


Hoje estou numa esplanada de um hotel na qual tenho acesso livre à internet. A acompanhar um cantor com uma parafernália de sons e batuques, perigosamente parecido com o Tony Silva. Há pares que dançam.


 


Extraordinárias são as coisas idiotas que se inventam para gastar estupidamente dinheiro, como uma espécie de triciclos automáticos, onde se colocam as crianças, artilhadas com capacetes, cotoveleiras e joelheiras, ou uma espécie de veículo movido a 4 pedais, para pedalarem os papás com as criancinhas refasteladas à frente e atrás.


 


Penso que o sol amolece o cérebro.


 


A todos os que têm comentado agradeço e peço desculpa por não ter respondido. Espero ansiosamente pelo "apita o comboio".


 


Boas férias e bom trabalho.


 



(pintura de Harold Greenhill: Summer holiday 1950)

24 julho 2008

Intermitências (1)

Por estes dias estou pouco contactável, nas profundezas do mar e da areia sem rede disponível, tendo que beber vários vodkas laranja no bar dos irlandeses, para conseguir ver mails e blogues.


 


Uma boa cura de tecnologia. Pelo menos tenho lido que me farto.


 


Vou passando, sempre que puder.

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...