13 julho 2008

Ondas


(pintura de Kelsey Bates: up the mast)


 


Dos dias que hão-de vir

lisos suaves meridionais

seremos moradores

das ondas

incondicionais

apreciadores

do prazer.

12 julho 2008

Wonderful Tonight


(Eric Clapton: wonderful tonight


 


It's late in the evening; she's wondering what clothes to wear.

She puts on her make-up and brushes her long blonde hair.

And then she asks me, "Do I look all right?"

And I say, "Yes, you look wonderful tonight."


 


We go to a party and everyone turns to see

This beautiful lady that's walking around with me.

And then she asks me, "Do you feel all right?"

And I say, "Yes, I feel wonderful tonight."


 


I feel wonderful because I see

The love light in your eyes.

And the wonder of it all

Is that you just don't realize how much I love you.


 


It's time to go home now and I've got an aching head,

So I give her the car keys and she helps me to bed.

And then I tell her, as I turn out the light,

I say, "My darling, you were wonderful tonight.

Oh my darling, you were wonderful tonight."

09 julho 2008

Acuarela


(poema de Amalia Bautista; Roto Madrid)


 


Me asomo a la ventana en la noche sin ti

y enfrente de mis ojos está el mar,

aunque yo no lo vea.

El mar que hace unas horas era verde esmeralda,

y azul cobalto, y gris como la plata,

y hasta violeta era.

Y ya no está porque yo no lo veo.

Ya no es más que una inmensa mancha negra

enfrente de mis ojos

en la noche sin ti.

07 julho 2008

Público - o pasquim*

*Pasquim - do It. Pasquino - sátira afixada em lugar público ou posta em circulação clandestinamente; jornal ou folheto que difama (Priberam – dicionário online)


 



 


 


É difícil ser-se mais sectário, mentiroso e manipulador do que o Público. O rigor e a seriedade são só para exigir ao governo e aos ministros.


 


Na sua cruzada contra a Ministra da Educação, o Público pubicou, no sábado, na primeira página, os resultados dos exames nacionais do 12º ano de Matemática A, com os valores comparativos entre os anos de 2004 e 2008, realçando a enorme subida das médias, acabando com uns retumbantes 140 pontos, ou 14 valores, contrastando com os piores resultados deste ano da disciplina de Português A, que teve uma média de 97 pontos (9,7 valores), enquanto tinha havido uma média de 108 pontos (10,8 valores) em 2007.


 


Para quem se dá ao trabalho de ir ver as tabelas publicadas no site do ministério depara-se com o seguinte:



  1. Os valores usados pelo Público quando se refere a Matemática A, são os valores atingidos pelos alunos internos, enquanto que os valores que o mesmo jornal usa na mesma notícia a propósito da disciplina de Português A já são os correspondntes à média do total dos alunos, internos e externos.

  2. Se usarmos os valores de médias da totalidade dos alunos que foram a exame, descobrimos que: (...) Apesar do decréscimo na média da Matemática Aplicada às Ciências Sociais (passa de 11,3 valores para 9,6 valores), regista-se uma melhoria global de resultados, em particular na Matemática A (cuja média passa de 9,4 valores para 12,5 valores) e na Matemática B (cuja média passa de 7,5 valores para 11,4 valores), tendo diminuído a percentagem de reprovações. (...)

  3. E descobrimos ainda que, em relação especificamente ao Português: (...) Regista-se um decréscimo nos resultados do exame de Português (cuja média passa de 10,8 para 9,7), aumentando ligeiramente o número de reprovações na disciplina, que passa de 5 por cento para 8 por cento, não obstante o acréscimo de tempo para a realização da prova. (...)

  4. Por outro lado, nada é dito nem analisado sobre a eventual relação entre um mais elevado número de alunos que vai a exame e um menor valor médio alcançado. Se houver menos alunos a serem admitidos, porque entretanto foram retidos, os resultados tendem a ser melhores, ou não?


Vale a pena ver as tabelas e os resultados e analisarmos tudo pela nossa cabeça. Isto não é jornalismo, é manipulação política descarada e desavergonhada.

06 julho 2008

Manobras oposicionistas

À falta de uma estratégia política que se perceba ganhadora, sem opções claras nem alternativas, com a percepção dos vários intérpretes de Manuela Ferreira Leite de que a mensagem de credibilidade está em perigo, pela falta evidente de outra coisa que não a ideia-ordem do país não ter dinheiro para nada e que é preciso acabar com as obras públicas, os opositores de direita ao governo, leia-se o Público e o PSD, estão a delinear outra manobra.


 


É assim que hoje o Público arranca com a notícia do azedume entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro motivado, vejam bem, pelo facto de Cavaco Silva estar contra as obras faraónicas prometidas pelo governo. Há inúmeras interpretações sobre frases ditas pelo Presidente, recados dados a Sócrates ao longo da semana, quanto ao endividamento público e à falta de apresentação dos custos das tais obras.


 


Acredito cada vez menos no que dizem os jornais, muito menos no Público. Mas se isto é verdade é uma triste notícia para todos: para Cavaco Silva pela intolerável ingerência na acção governativa e pela sombra protectora a Manuela Ferreira Leite, para o governo que vai ter o maior partido da oposição liderado por Belém, para Manuela Ferreira Leite porque nunca mais ninguém a olhará como uma líder política autónoma, dependendo das asas presidenciais.


 


Entretanto, não sei porquê, Marcelo Rebelo de Sousa insiste na ideia do Bloco Central.


 


Alguém pediu coerência no PSD?

Revoltante


 


O fascínio que me causam as pessoas que são capazes de lutar e de arriscar tudo por uma causa, por aquilo em que acreditam, sem olhar ao sacrifício que se impõem e sem olhar ao sacrifício que, indirectamente, impõem aos que as amam, é enorme.


 


Ingrid Betancourt é uma dessas pessoas. Assisti emocionada à alegria da sua libertação, à sua chegada, às suas lágrimas, às suas manifestações de ternura para com todos, aos abraços e beijos, à sua total entrega à renovação da liberdade.


 


Não faço ideia daquilo por que terá passado, a falta de condições higiénicas e de salubridade mínimas, de sono descansado, de medicamentos, de intimidade, de privacidade, de comida e, sobretudo e acima de tudo, de liberdade, de toque humano, da mãe, dos filhos, do marido, dos companheiros, a constante luta pela sobrevivência, as depressões, os guardas, os companheiros de infortúnio em quem se terá apoiado.


 


Apenas posso imaginar os insectos, as pedras, o sol abrasador, o frio da noite, a humidade, a porcaria, os cheiros, o corpo que tropeça, as correntes, as algemas e as cordas, os risos, os olhares que a viam despida, doente, incoerente, necessitada, desesperada, a rezar, a gritar ou a chorar. Provavelmente a realidade ultrapassou, em muito, a minha ficção.


 


Ela e todos os que antes, ao mesmo tempo e depois dela, na Colômbia ou noutro lugar qualquer, são vítimas de ladrões, terroristas, traficantes de droga, ou de armas, ou de mulheres, ou de crianças, ou seja lá do que for, sob capas de movimentos políticos defendendo direitos humanos e democracias, que usam e submetem populações a regimes de terror e intimidação para colaborarem, apresentando-se como seus libertadores.


 


É inaceitável que o facto de Álvaro Uribe ter ligações ao narcotráfico e dirigir um regime pouco recomendável sirva como justificação à existência e à actuação das FARC. As posições conhecidas e as explicações do PCP como partido político e de alguns comentadores, em defesa implícita ou explícita das FARC, que até se espantam por Ingrid Betancourt não estar a morrer, são incompreensíveis e demonstram uma cegueira e um preconceito que os isola cada vez mais do mundo real.


 


A ligação entre as FARC, o narcotráfico e políticos como Hugo Chavez, provada por descobertas feitas aquando da apreensão de um computador de um dos líderes das FARC, não os comove. No entanto, as teorias da conspiração à volta da operação que libertou Ingrid Betancourt e outros reféns pululam.


 


Se foram israelitas, americanos, colombianos ou franceses, se subornaram combatentes revolucionários ou se infiltraram a organização, o que interessa é que o fizeram sem disparar uma única bala. Ou de que é que desconfiam? Que Ingrid Betancourt e os seus companheiros estiveram em cativeiro a representar uma farsa, para darem trunfos a Álvaro Uribe?


 


Qual a credibilidade do PCP, neste momento, em que enche a boca com a defesa das conquistas de Abril e das classes trabalhadoras? Qual o crime de Ingrid Betancourt e dos seus companheiros de sequestro?


 


É revoltante.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...