07 julho 2008

Público - o pasquim*

*Pasquim - do It. Pasquino - sátira afixada em lugar público ou posta em circulação clandestinamente; jornal ou folheto que difama (Priberam – dicionário online)


 



 


 


É difícil ser-se mais sectário, mentiroso e manipulador do que o Público. O rigor e a seriedade são só para exigir ao governo e aos ministros.


 


Na sua cruzada contra a Ministra da Educação, o Público pubicou, no sábado, na primeira página, os resultados dos exames nacionais do 12º ano de Matemática A, com os valores comparativos entre os anos de 2004 e 2008, realçando a enorme subida das médias, acabando com uns retumbantes 140 pontos, ou 14 valores, contrastando com os piores resultados deste ano da disciplina de Português A, que teve uma média de 97 pontos (9,7 valores), enquanto tinha havido uma média de 108 pontos (10,8 valores) em 2007.


 


Para quem se dá ao trabalho de ir ver as tabelas publicadas no site do ministério depara-se com o seguinte:



  1. Os valores usados pelo Público quando se refere a Matemática A, são os valores atingidos pelos alunos internos, enquanto que os valores que o mesmo jornal usa na mesma notícia a propósito da disciplina de Português A já são os correspondntes à média do total dos alunos, internos e externos.

  2. Se usarmos os valores de médias da totalidade dos alunos que foram a exame, descobrimos que: (...) Apesar do decréscimo na média da Matemática Aplicada às Ciências Sociais (passa de 11,3 valores para 9,6 valores), regista-se uma melhoria global de resultados, em particular na Matemática A (cuja média passa de 9,4 valores para 12,5 valores) e na Matemática B (cuja média passa de 7,5 valores para 11,4 valores), tendo diminuído a percentagem de reprovações. (...)

  3. E descobrimos ainda que, em relação especificamente ao Português: (...) Regista-se um decréscimo nos resultados do exame de Português (cuja média passa de 10,8 para 9,7), aumentando ligeiramente o número de reprovações na disciplina, que passa de 5 por cento para 8 por cento, não obstante o acréscimo de tempo para a realização da prova. (...)

  4. Por outro lado, nada é dito nem analisado sobre a eventual relação entre um mais elevado número de alunos que vai a exame e um menor valor médio alcançado. Se houver menos alunos a serem admitidos, porque entretanto foram retidos, os resultados tendem a ser melhores, ou não?


Vale a pena ver as tabelas e os resultados e analisarmos tudo pela nossa cabeça. Isto não é jornalismo, é manipulação política descarada e desavergonhada.

7 comentários:


  1. Com o devido respeito pela diferença

    recordo que já disse o mesmo do Diário de Notícias

    há um tempo.

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    1. O que só abona a favor da imaparcialidade...

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  2. donagata23:48

    Embora a Matemática seja, por definição uma ciência exacta, é também uma ciência, embora não tão exacta, a capacidade de manipular os números de forma a encaixarem naquilo que pretendo que seja e não naquilo que realmente é. E, infelizmente, essa habilidade é transversal a toda a imprensa, a todos os políticos... Enfim, a todos. Ainda o melhor é isso que fazes: procurar os dados e analisá-los pelas próprias cabecinhas.

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  3. Anónimo11:28

    Foi tema de conversa ontem ao jantar, Sofia, e parecia-me tão improvável que perguntei à minha irmã "espera lá, interno e externo quer dizer a mesma coisa que na nossa altura?".

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  4. Muito bem escrito.Estou farto d ereferir este seu post em dezenas d esites por essa esfera fora.
    Sempre, claro, com o devido link ou refº. Excelente. Obrigado pela clareza
    MFerrer

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  5. A todos os comentadores agradeço. Não é só o Público que não tem rigor informativo. mas o Público tem em particular manipulado politicamente as notícias contra o governo, de uma forma absolutamente despudorada.

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