(pintura de Richard Diebenkorn: ocean park nº 128)
Mar de muros
adentro
mar seguro
sedento
mar abrupto
do centro
de nós.
Mar sem tempo
sem nexo
para nós.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
(pintura de Richard Diebenkorn: ocean park nº 128)
Mar de muros
adentro
mar seguro
sedento
mar abrupto
do centro
de nós.
Mar sem tempo
sem nexo
para nós.
(pintura de Richard Sperry: fog and light)
Lá fora esperam-me chuvas
restos de cinza requentada
mesmo assim anseio pelo respirar
da névoa.
Desenho nos vidros estradas desiguais
soma de gestos por tecer
mesmo assim insisto em ver
para lá da névoa.
Empresto ao corpo súbita leveza
ensaios de ave cega
mesmo assim acredito na beleza.
Somos névoa.
Não me tem apetecido participar nesta voracidade alarmista dos combustíveis, dos bens alimentares, das desigualdades, da pobreza, da catástrofe que aí vem, dos avisos do pai Soares, da rebeldia do pai Alegre, de tanta retórica e de tanto falatório manipulado e manipulador, mas sobretudo inútil e trivial.
Todas estas realidades que existem, infelizmente, desde há anos e anos, com governos de direita e de esquerda, estão repentinamente na boca de todos os candidatos, de todos os governantes, mas principalmente dos ex-governantes, que no entretanto conviveram pacificamente com este fenómeno, abanando a cabeça com seriedade e muita preocupação.
Vamo-nos embrulhando com as quezílias requentadas do PSD, com os comentários delirantes dos comentadores, com as promessas tonitruantes do nosso Primeiro.
O que vale é que ainda vai havendo arroz, mesmo com o preço a subir, para regressar ao preço a que já esteve, há anos, embora ninguém aparentemente se espante com a carestia dos cereais nessa época. E de vez em quando umas investida da ASAE, para que o nosso defensor mor Paulo Portas clame por justiça aos produtos artesanais, nossos, só nossos e nunca melhores do que sem regras. Esses é que são os genuínos, os que ele consome, obviamente.
Adenda: vale a pena ler o post de Fernanda Câncio: pobre portugal.
Passamos pelas pessoas ao de leve quase sempre sem reparar que também por nós passam, que também a nós nos tocam. E quando a vida nos agita percebemos o relevo da tinta com que nos marcamos, com que reconhecemos quem nos marca. Surpreendidos, intimidados, não sabemos muito bem porque estranhos motivos há alguém que nos transforma, só por existir, mesmo que não repare que existimos.
E subitamente sentimo-nos tão perto, mesmo estando longe, mesmo que nem sequer saibamos a distância que nos separa. E inevitavelmente sentimo-nos presentes, mesmo na ausência do que não entendemos.
(Christine Harfleet - escultura de vidro: no killing fileds)
É verdade que ainda não li o texto do acordo ortográfico, que me tem faltado tempo, mas sobretudo paciência para ouvir os debates e para ler os artigos sobre o acordo ortográfico.
É ainda verdade que não sou versada em temas tão importantes como a defesa da língua portuguesa, a expansão da língua portuguesa, a pureza da língua portuguesa.
Apenas tenho a noção de que a língua portuguesa é a mesma e é diferente consoante os países em que é falada, com as entoações, os maneirismos, os vocábulos locais e regionais, os vocábulos resultantes da mistura e da combinação das línguas nativas com a portuguesa.
E acho que uma das suas riquezas é precisamente essa variedade. E por isso continuo sem perceber qual a razão e qual a necessidade do dito acordo ortográfico.
As línguas vão-se modificando à medida que vão sendo assimiladas e que vão assimilando outras influências, naturalmente. Não são precisos acordos nem decretos-lei para o assegurar.
A proliferação dos privados na saúde apenas aumentam a liberdade de escolha para quem a pode pagar. Ao deixar de ser universal o SNS retira-se para os mínimos, deixando ao Estado o papel de caridoso protector dos pobres, a quem basta pouco e a quem pouco tem para oferecer.
A história recente demonstrou sem margem para dúvida que os privados são muito mais eficientes do que o Estado a gerir recursos nas mais diversas áreas de actividade, incluindo a Saúde. - (editorial do DN de hoje).
Não sei onde está a demonstração desta eficiência. Nem sei onde está a demonstração do contrário. O que sei é que sistemas de saúde predominantemente privados, tal como o que existe nos EU, não servem as populações, tais como os cheques ensino não melhoram as oportunidades de quem tem menos poder económico, apenas perpetuam as hierarquias sociais, pois uns têm capacidade para chegar aonde outros não podem.
A concorrência com o sector privado é benéfica desde que não se entenda que o Estado é o estado dos pobres. Para quem está sempre a dizer que não há diferenças entre esquerda e direita, aí estão as opiniões de Ferreira Leite e de Passos Coelho sobre o SNS para as perceber.
Se há coisas que me enervam até a um limite que estou sempre a ultrapassar, é a incapacidade de compreender algumas coisas que não funcionam, embora pareça estar tudo impecavelmente bem.
Neste grupo estão omnipresentes os falhanços com configurações de correios electrónicos, routers, enfim, tudo o que diz respeito a computadores e internet, de que não percebo nada mas irritam-me, mas tanto, tanto…
Erwin de Vris Aguardo. A música varre o tempo amena a brisa que consola. Aguardo a voz de quem se esconde a terra aprisionada ...