23 março 2008

Primeira vez


 


Para ouvir bem alto, um verdadeiro fado, cantado a sério, por uma voz nova e fantástica, à luz das velas, a fumar um cigarro (ou não, para quem desistiu de fumar) e a beber uma ginginha .


 


Primeiro foi um sorriso
Depois, quase sem aviso,
É que o beijo aconteceu
Nesse infinito segundo
Fora de mim e do mundo
Minha voz emudeceu!



Ficaram gestos suspensos
E os desejos, imensos,
Como poemas calados,
Teceram a melodia
Enquanto a Lua vestia
Nossos corpos desnudados.



Duas estrelas no meu peito
No teu, meu anjo perfeito,
A voz do búzio escondido
Os lençóis, ondas de mar
Onde fomos naufragar
Como dois barcos perdidos!


 
Os lençóis, ondas de mar
Onde fomos naufragar
Todos os nossos sentidos!


 


(Mário Raínho /Frederico de Brito; canta Ana Moura)

Chama


 


A ponta do poema
como um barco
rasga ventos e mares
solta o tempo
instala o momento
da chegada
a um porto a um deus
a uma chama.


 


(aguarela de Gertrud Wachter : flames and winds )

Juntos


 


Iremos descalços pelo rio
pisando devagar as pedras lisas
com passos que ecoam pelo mapa
dos sinais que queremos alcançar.

Iremos sem barcos navegar
pelo sumo pelo gosto pela mão
e juntos meu amor descobriremos
o muito que nos falta procurar.


 


(pintura de Otto Dix: lovers on a grave)

Passagens


 


Mesmo para quem não é crente há algo de misteriosamente belo nesta época. Para todos uma libertação qualquer.


 


Celebramos o recomeço, tudo ressuscita, principalmente se deixarmos que nos invada a esperança.


 


(pintura de  Jim Leach : early spring )

22 março 2008

That ole devil called love


 


Its that ole devil called love game
Gets behind me and keeps giving me that shock again
Put a ring in my eyes
Tears in my dreams
And rocks in my heart

Its that sly ole-sun-of-a-gun again
He keeps telling me that Im the lucky one again
But I still have that ring
Still have those tears
And those rocks in my heart

Suppose I didnt stay and ran away
Wouldnt play
That devil-what a potion he would brew
Hed follow me around
Build me up, tear me down
Till Id be so bewildered
I wouldnt know what to do

Might as well give up the fight again
I know darn well hell convince me
That hes right again
When he sings that siren song
I just gotta tag along
With that ole devil called love

Hed follow around
Build me up, tear me down
Till Id be so bewildered
I wouldnt know what to do


(autores: Allan Roberts  e Doris Fisher; canta  Billie Holiday)

21 março 2008

O poema


 


O poema vai e vem. E se demora


não quer dizer que seja demorado


mas que tem como tudo a sua hora


e como tudo é sempre inesperado.


 


Por muito que se espere não se espera.


Por mais que se construa é acaso e sorte.


Às vezes quando vem já foi ou era.


Porque assim é a vida. E assim a morte.


 


Por isso mesmo quando distraído


ninguém como o poeta é tão atento.


Ele sabe que de súbito há um sentido.


Vem como o vento. E passa como o vento.


 


(poema de Manuel Alegre - Doze Naus)

20 março 2008

Obtusidades

Ao contrário do que Pacheco Pereira afirmou na Quadratura do Círculo, houve manipulação da informação no prelúdio da invasão do Iraque. Scott Ritter e Hans Blix - ambos chefes dos inspectores nomeados pela ONU para a pesquisa de armas de destruição maciça no Iraque, não estavam certos da sua existência.


 


Em Portugal poucos foram os que, na altura, se ergueram contra a guerra. Mário Soares e Freitas do Amaral foram dos únicos que sempre a condenaram.


 


Mas depois de 5 anos continuar a dizer -se que havia razões para a invasão e que não havia provas objectivas da existência de mentiras da parte da administração Bush, parece-me obtusidade a mais.


 


Adenda: Hans Blix neste artigo diz tudo infinitamente melhor do que eu (tirado daqui).

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...