Compreende-se. Joe Berardo é muito mais cultural, muito mais museológico, muito mais mediático. Miguel Torga era um parolo, tinha sotaque, não tinha jeito para a socialização.
É claro que, estando à mão para discursos patrióticos dos nossos socialistas reciclados, era muito enternecedor, no tempo em que a palavra povo, os gestos do povo, a cultura do povo, o saber do povo era importante, ou pelo menos era importante dizer povo, muitas vezes, com a voz directa e embargada dos ecos montanhosos.
Nestes tempos de contemporaneidade, caviar, casaco solto e camisa preta, cabeças escanhoadas e perfume de dinheiro, notas esvoaçantes, contratos chorudos, ambições televisivas de etéreos poderes, a cultura é o Joe Berardo.
É claro que, estando à mão para discursos patrióticos dos nossos socialistas reciclados, era muito enternecedor, no tempo em que a palavra povo, os gestos do povo, a cultura do povo, o saber do povo era importante, ou pelo menos era importante dizer povo, muitas vezes, com a voz directa e embargada dos ecos montanhosos.
Nestes tempos de contemporaneidade, caviar, casaco solto e camisa preta, cabeças escanhoadas e perfume de dinheiro, notas esvoaçantes, contratos chorudos, ambições televisivas de etéreos poderes, a cultura é o Joe Berardo.



