19 junho 2007

Humanizar é preciso

Ao telefonar para um serviço de internamento de um hospital, para me informar do estado de saúde de um vizinho muito querido recentemente operado, após, na véspera, me ter assegurado do horário de atendimento telefónico, recebo uma resposta agastada de um enfermeiro, muito aborrecido por haver tantas pessoas a telefonarem para se inteirarem do estado do velhote, sendo necessário repetir muitas vezes que ele estava bem, pedindo com uma voz insistente que fizesse circular a informação.

Expliquei-lhe que o senhor tinha poucos familiares, que era meu vizinho e que não sabia por quem circular a dita informação. Mas o Sr. Enfermeiro retorquiu com voz de evidência escandalizada que até do Centro de Dia tinham telefonado.

Talvez este Sr. Enfermeiro, se algum dia estiver doente, estabeleça uma rede de referenciação para a informação sobre o seu estado de saúde. Assim não incomodará quem tiver que repetir várias vezes está tudo a correr bem.

É a humanização do atendimento hospitalar.


(pintura de Ralph Sirianni: nightmare)

Cumprir a lei

Meses depois da vitória da despenalização da IVG num referendo, depois de ter sido aprovada uma lei na Assembleia da República e desta ser regulamentada, segundo o DN há apenas 35% dos hospitais que estarão minimamente preparados para cumprir a lei.

Todas as razões são invocadas para este inaceitável incumprimento da lei, desde a rapidez da regulamentação até ao direito da objecção de consciência dos médicos.

Os médicos têm direito a ser objectores de consciência mas os serviços do SNS têm obrigação de se organizar e de contratar médicos e enfermeiros que assegurem a existência de condições para se praticar a IVG, em condições de igualdade de acesso a essa prática, como a outros cuidados médicos, de toda a população, dentro dos limites impostos pela lei.

Espero que os responsáveis pelos serviços, pelos hospitais, pelas ARS e pelo ministério se preocupem e façam o que têm a fazer.

17 junho 2007

Televisão independente

O Presidente da República, como qualquer cidadão, tem todo o direito de reclamar quando pensa que o serviço público de televisão não foi cumprido. Não para orientar, impor ou reajustar a programação, não para interferir nos contornos e decisões editoriais, arriscando a independência desse órgão de informação, relativamente ao poder político, mas apenas para demonstrar, como qualquer cidadão, repito, o seu presidencial desagrado.

Como qualquer de nós (mais uma vez) o Presidente não entende os critérios a que obedece o tão famoso cumprimento do serviço público. De facto, interromper a transmissão de uma cerimónia oficial ocupando o tempo com longos minutos de publicidade, não se entende, assim como não se percebe em que medida uma tarde de domingo a observar a maior concentração de grávidas (já agora gostaria de ver o Presidente reclamar por mais esta faceta idiota da programação da RTP).

Mas mais idiota ainda é o facto de, em resposta à carta indignada (mas não intrometida) da presidência, os competentes responsáveis pela independência da RTP terem decidido pedir desculpa e redimirem-se, repetindo os fragmentos em falta (assim foi noticiado, eu não assisti), obscurecidos pelos blocos publicitários.

A única explicação que encontro é que a RTP quis ridicularizar a indignação do Presidente.

Acabou cobrindo-se de ridículo.

Vagueando

Vagueio pela casa de sons de fundo, sem perceber muito bem porque não me fixo, não me sento, não leio, não durmo. Fujo mentalmente dos próximos dias, assumindo que hão-de aparecer, mas não já, não agora, não amanhã, pois ainda não aceitei que viessem.

Vagueio mentalmente em círculos contínuos, em pensamentos viciados e desajustados. Não há descanso para estas pernas moleculares, para a electricidade celular, para as constantes trocas iónicas. As células vivem e respiram, intoxicam-se e morrem quando eu peço apenas a suspensão de tudo.


(pintura de Anne Karin Glass: wondering)

16 junho 2007

Velha Infância


(Tribalistas)


 


Você é assim

Um sonho pra mim

E quando eu não te vejo



Eu penso em você

Desde o amanhecer

Até quando eu me deito



Eu gosto de você

E gosto de ficar com você

Meu riso é tão feliz contigo

O meu melhor amigo é o meu amor



E a gente canta

E a gente dança

E a gente não se cansa



De ser criança

Da gente brincar

Da nossa velha infância



Seus olhos meu clarão

Me guiam dentro da escuridão

Seus pés me abrem o caminho

Eu sigo e nunca me sinto só



Você é assim

Um sonho pra mim

Quero te encher de beijos



Eu penso em você

Desde o amanhecer

Até quando eu me deito



Eu gosto de você

E gosto de ficar com você

Meu riso é tão feliz contigo

O meu melhor amigo é o meu amor



E a gente canta

E a gente dança

E a gente não se cansa



De ser criança

Da gente brincar

Da nossa velha infância.

PT comunicações, bom dia...

Não tarda muito a PT oferece-me roupa, electrodomésticos ou livros a metro para telefonar! Primeiro telefono o que quiser a troco de uma pequena mensalidade e oferecem-se um telefone. Agora já nem essa mensalidade pago!

Huumm…

Tempos de suspeição

Algo se passa neste país, um adensamento da atmosfera, um acinzentamento dos dias, um capacete de dúvidas e inquietações.

Tudo me espanta e tudo questiono.

O governo começou sob o signo da autoridade, que lhe vinha da maioria absoluta. Muito bem, assim se impunham as necessidades do momento. Sabia o que queria e para onde ia.

O problema é que nós não sabemos e desconfio que ele também já não sabe. Ou, o que é ainda mais assustador, nunca soube.

Entretemo-nos a intrigar, a delatar, a desmentir, a insinuar. Notícias contraditórias aparecem em alturas precisas – quem tem razão?

Não faço ideia se Fernando Charrua merecia ou não um processo. Não sei se é competente ou não, se insultou quem, como ou porquê. Mas depois da entrevista que a directora da DREN deu ao DN fiquei absolutamente embasbacada pelos inacreditáveis meios e métodos de que se serviu a referida directora para ter conhecimento dos alegados insultos. E o que mais me impressionou foi o facto de a directora estar a falar a sério, pois este tipo de pessoas dá-se sempre muita importância.

Também não percebo nada do que se passou com a APM. Pois se eles faziam parte de um programa de actuação ministerial, como parceiros, não me parece normal fazer-se um comunicado a dizer o contrário do que o ministério diz. Se estavam tão em desacordo, primeiro demitiam-se e depois faziam o comunicado. Não se pode estar dentro e fora ao mesmo tempo. Mas a verdade é que a falta de respeito e consideração pelo parceiro APM foi mais que muita, pois haveria métodos menos radicais e melífluos de resolver o problema, evitando despedir a associação com um telefonema.

Então e o aeroporto? Afinal a Ota não era inevitável, o melhor do pior, etc? Então jamé na margem sul? Seis meses para quê? Para se empatar até tudo se esquecer? Ou a CIP e o Presidente falaram mais alto? E quem encomendou o estudo, foi Francisco Van Zeller ou a CIP? Quem pagou? Porquê só agora? E o ministro fica?

E o que vai acontecer depois do Tribunal Constitucional ter considerado inconstitucional (ao fim de um ano!) a repetição de exames de Física só para alguns alunos?

Então e os SAPs fecham e reabrem consoante fala o ministério ou os tribunais?

Mas o mais preocupante de tudo é a sensação de que existe uma escassíssima quantidade de pessoas que discutem tudo isto, totalmente desligada de uma enorme quantidade de pessoas que continua, impassível, triste e resignada, o seu dia a dia.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...