O Presidente da República, como qualquer cidadão, tem todo o direito de reclamar quando pensa que o serviço público de televisão não foi cumprido. Não para orientar, impor ou reajustar a programação, não para interferir nos contornos e decisões editoriais, arriscando a independência desse órgão de informação, relativamente ao poder político, mas apenas para demonstrar, como qualquer cidadão, repito, o seu presidencial desagrado.Como qualquer de nós (mais uma vez) o Presidente não entende os critérios a que obedece o tão famoso cumprimento do serviço público. De facto, interromper a transmissão de uma cerimónia oficial ocupando o tempo com longos minutos de publicidade, não se entende, assim como não se percebe em que medida uma tarde de domingo a observar a maior concentração de grávidas (já agora gostaria de ver o Presidente reclamar por mais esta faceta idiota da programação da RTP).
Mas mais idiota ainda é o facto de, em resposta à carta indignada (mas não intrometida) da presidência, os competentes responsáveis pela independência da RTP terem decidido pedir desculpa e redimirem-se, repetindo os fragmentos em falta (assim foi noticiado, eu não assisti), obscurecidos pelos blocos publicitários.
A única explicação que encontro é que a RTP quis ridicularizar a indignação do Presidente.
Acabou cobrindo-se de ridículo.
Seja em relação a quem quer que seja - na verdade - o ar que se respira - é irrespirável
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