17 junho 2007

Vagueando

Vagueio pela casa de sons de fundo, sem perceber muito bem porque não me fixo, não me sento, não leio, não durmo. Fujo mentalmente dos próximos dias, assumindo que hão-de aparecer, mas não já, não agora, não amanhã, pois ainda não aceitei que viessem.

Vagueio mentalmente em círculos contínuos, em pensamentos viciados e desajustados. Não há descanso para estas pernas moleculares, para a electricidade celular, para as constantes trocas iónicas. As células vivem e respiram, intoxicam-se e morrem quando eu peço apenas a suspensão de tudo.


(pintura de Anne Karin Glass: wondering)

5 comentários:

  1. Bernardo Moura22:33

    Excelente!
    Adorei!
    Bj

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  2. impaciente22:56

    Vale a pena vaguear assim!

    Pode (e deve!) continuar.
    A vaguear e, muito melhor, a divagar...

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  3. São23:47

    Nem a minha proverbial preguiça em escrever nos “blogs” resistiu! Gosto muito, muito!

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  4. Sofia Loureiro dos Santos19:55

    Obrigada ao Bernardo Moura, ao Impaciente (que é sempre paciente comigo!) e à São. Os vossos comentários são sempre muito apreciados.

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  5. Mar Arável23:16

    Tambem já me aconteceu.Admito ter a vantagem dos serra da estrela - e a possibilidade de vaguear com eles - mais o de barro - o mais respeitado por todos.Grite

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