16 junho 2007

Tempos de suspeição

Algo se passa neste país, um adensamento da atmosfera, um acinzentamento dos dias, um capacete de dúvidas e inquietações.

Tudo me espanta e tudo questiono.

O governo começou sob o signo da autoridade, que lhe vinha da maioria absoluta. Muito bem, assim se impunham as necessidades do momento. Sabia o que queria e para onde ia.

O problema é que nós não sabemos e desconfio que ele também já não sabe. Ou, o que é ainda mais assustador, nunca soube.

Entretemo-nos a intrigar, a delatar, a desmentir, a insinuar. Notícias contraditórias aparecem em alturas precisas – quem tem razão?

Não faço ideia se Fernando Charrua merecia ou não um processo. Não sei se é competente ou não, se insultou quem, como ou porquê. Mas depois da entrevista que a directora da DREN deu ao DN fiquei absolutamente embasbacada pelos inacreditáveis meios e métodos de que se serviu a referida directora para ter conhecimento dos alegados insultos. E o que mais me impressionou foi o facto de a directora estar a falar a sério, pois este tipo de pessoas dá-se sempre muita importância.

Também não percebo nada do que se passou com a APM. Pois se eles faziam parte de um programa de actuação ministerial, como parceiros, não me parece normal fazer-se um comunicado a dizer o contrário do que o ministério diz. Se estavam tão em desacordo, primeiro demitiam-se e depois faziam o comunicado. Não se pode estar dentro e fora ao mesmo tempo. Mas a verdade é que a falta de respeito e consideração pelo parceiro APM foi mais que muita, pois haveria métodos menos radicais e melífluos de resolver o problema, evitando despedir a associação com um telefonema.

Então e o aeroporto? Afinal a Ota não era inevitável, o melhor do pior, etc? Então jamé na margem sul? Seis meses para quê? Para se empatar até tudo se esquecer? Ou a CIP e o Presidente falaram mais alto? E quem encomendou o estudo, foi Francisco Van Zeller ou a CIP? Quem pagou? Porquê só agora? E o ministro fica?

E o que vai acontecer depois do Tribunal Constitucional ter considerado inconstitucional (ao fim de um ano!) a repetição de exames de Física só para alguns alunos?

Então e os SAPs fecham e reabrem consoante fala o ministério ou os tribunais?

Mas o mais preocupante de tudo é a sensação de que existe uma escassíssima quantidade de pessoas que discutem tudo isto, totalmente desligada de uma enorme quantidade de pessoas que continua, impassível, triste e resignada, o seu dia a dia.

1 comentário:

  1. lino23:32

    Eu também não sei quem tem razão. Não votei na maioria (nunca votei na maioria), mas votei para a Assembleia da República e quem tem mais votos forma governo. Nunca fui chamado a votar para os Tribunais, seja o Constitucional, sejam os Administrativos, sejam os Comuns. Se Cavaco fosse governo já tinha dito há muito "deixem-nos governar". Com não é, vai assistindo com boca de bolo rei ao boicote que os tribunais fazem ao governo.

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