22 maio 2007

Investir em ti - lado A


(…)
4.
Amanhã, se me voltares a tocar quando estivermos no elevador, vou pegar a tua mão e conduzi-la pelo meu corpo. Vou perder o medo: e investir em ti.
(…)

(Paulo Kellerman: Os mundos separados que partilhamos)

Proibir

É natural, nós gostamos muito das proibições, principalmente porque temos um especial gosto em não as cumprir.

Zelosos

Lá que temos candidatos, lá isso temos. E mandatários, muitos mandatários. Pelos vistos estão na moda os mandatários financeiros, Helena Roseta também já tem um.

Agitam-se os partidos, os aparelhos e os outros, muito bem vistos quando são independentes por um determinado partido, muito mal vistos quando são independentes, ponto.

Tudo se agita, tentando arranjar notícias, agora à volta da eventual candidatura de Carmona Rodrigues.

Sócrates vai aumentando a altura da sua torre de marfim, armando os guardas, que serão todos iguais a Pedro Silva Pereira, com excelentíssimos, digníssimos e zelosos servidores, que patrulham os campos em volta punindo qualquer esgar, anedota ou assobio que possa ameaçar o respeito com que se deve tratar o chefe.

No fundo, é destes zelosos servidores que é feita a história, porque eles almofadam e condenam os que se pensam protagonistas. E é nos protagonistas que o povo se vinga dos pequenos algozes que castigam os bobos do reino.

Mudanças

Depois da bonança, vem a tempestade.

Há alturas em que tudo acontece em turbilhão, as janelas abrem-se com estrondo e o pó é varrido por ventos e assobios. E nós levados como folhas bailarinas, sem querer ou destino, enrodilhados na voragem dos acontecimentos.

Assim estou eu.


(pintura de Bill Dixon: changes)

18 maio 2007

Passear


Desde a senhora gordíssima que conduzia o táxi que me trouxe do aeroporto ao hotel, passando pela empregada do café junto ao convento, onde me inclino perante os cientistas e a ciência, as pessoas com quem me cruzo na rua e a quem pergunto direcções e opiniões, até ao generoso empregado do restaurante que, desta vez, me recomendou uma especialidade da casa e da região, trazendo-me, inchado e orgulhoso, metade de um frango panado mal frito, sem qualquer acompanhamento, só encontrei uma senhora antipática, magra, tipo espinafre, azeda que nem vinagre, repetindo exactamente as mesmas palavras incompreensíveis depois de eu lhe ter dito, o mais delicadamente possível, que não falava a sua língua. Parecia um computador com voz grasnante.

Ainda por cima eu estava totalmente descomposta, cheia de sacos, o casaco pendurado na pasta pesadíssima (com papéis, resumos de comunicações e mapas), totalmente alagada depois de duas horas a pé, à torreira do sol.

Sim: ontem chovia e hoje, na televisão do quarto, consegui descortinar que estavam nove graus (às 8:00h). Portanto, apesar de transpirar por todos os poros devido à temperatura climatizada, armei-me de casaco, chapéu e guarda-chuva dentro da pasta, para além de um lenço à volta do pescoço. Depois do pequeno-almoço, e perante um céu imaculadamente azul, decidi que era melhor desistir do peso do guarda-chuva e do lenço do pescoço.

É claro que a meio do caminho (meia hora até ao dito convento) já eu resmungava pelo casaco, pela carteira, pela pasta, enfim, pelo calor que já estava àquela hora da manhã.

No convento estava uma temperatura agradável e, apesar das cadeiras desconfortáveis (deve ser para os ouvintes não adormecerem) e do esforço para entender o inglês dos palestrantes, foi uma manhã e uma tarde interessantes e proveitosas.

No fim do programa cumprido, cheia de novidades e projectos futuros, decidi conhecer mais um pouco da cidade andando pelas ruas, hoje bastante animadas (ontem era feriado), entrando nas lojas, olhando, ouvindo, cheirando as flores nas ruas. Perdi-me por diversas vezes o que só aumentou a canseira e o calor com que me arrastava. Mas valeu a pena. É uma cidade muito simpática. Fico com vontade de voltar.

17 maio 2007

Candidatar vs. Mandatar

Há algumas coisas que ferem o equilíbrio, seja ele de que tipo for.

Falo do facto de Fernando Negrão, candidato à Câmara de Lisboa pelo PSD, ter como mandatária (nunca percebi para que servem os mandatários)
Manuela Ferreira Leite!

Não seria melhor e mais lógico ser Manuela Ferreira Leite a candidatar-se em vez de mandatar a campanha do cordeiro sacrificial? Claro que Manuela Ferreira Leite (ou Paula Teixeira da Cruz) não devem achar graça a este tipo de sacrifícios, mas mesmo assim…

Os partidos estavam em verdadeira agonia para encontrar candidatos, mas já os encontraram, com excepção do CDS/PP. Paulo Portas (que tem estado a ser levado ao colo pela comunicação social pois não há jornal ou televisão que não perca tempo a mostrar as suas opiniões sobre tudo e sobre nada, relevantes ou irrelevantes, dando-lhe oportunidade para treinar a voz, o sorriso, o brilho dental e as frases bombásticas) ainda não conseguiu tirar da cartola um candidato, da enorme quantidade que espera, ansiosa, o chamamento do chefe.

Ele não, claro (cruz credo), porque ir a votos pode voltar a ser um fiasco, e isso Portas deixa para os seus fiéis servos...

Adenda: José Miguel Júdice a mandatar António Costa?? De facto, não devo mesmo perceber para que servem os mandatários.

Intervalo

Gosto das bicicletas, dos cafés com mesas redondas e toalhas de tecido, dos jornais esticados por pauzinhos de madeira à disposição de quem os quer ler, do pequeno tabuleiro com o café, o açúcar, o leite e o copo de água, da tranquilidade, dos eléctricos.

Mas não é fácil quando se desconhece a língua nativa. Os panfletos que me deram na recepção do hotel, sem sequer os pedir, estão em alemão, tal como os mapas e as ementas.

Hoje, depois de grandes esforços de parte a parte (de mim e do empregado), em que dei a entender com o meu inglês macarrónico que queria qualquer coisa leve, por exemplo vegetais (estava a pensar em sopa de legumes, salada, guisado), ele presenteou-me com um prato de beringelas panadas, acompanhada de um molho com maionese e pickles. Não estava mau, mas depreendi que o inglês dele era tão macarrónico como o meu.

Tem chovido, mas nem isso impede as caminhadas pela margem do rio, para desenjoar de palestras ditas num inglês inclassificável (igual ao meu!), sobre milhares de coisas tecnológicas e de ficção científica que, felizmente, já estão ao alcance da maioria dos nossos países europeus. Tem havido um desenvolvimento exponencial na ciência e nem sempre conseguimos aplicá-la às nossas necessidades. Se calhar alguma não tem aplicabilidade (ainda…).

Também gosto daquelas carteiras enormes e cheias de moedas que os empregados dos cafés e restaurantes transportam à cintura. São desmedidas!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...