09 maio 2007

E agora, Lisboa!

Helena Roseta desistiu do PS. É natural, muitos de nós estamos a desistir do PS, mesmo os que não são militantes.

Tudo o que se tem passado na Câmara de Lisboa é uma vergonha para todos os partidos. Não se pode conceber que o calculismo político, os arranjinhos, as cobardias e o aparelhismo tolham desta forma a governação da capital do país.

É bom e meritório que ainda existam pessoas que estejam dispostas a lutar pelas suas ideias, que tenham ambição de participar porque acreditam nelas e nas suas propostas, à margem do emperramento partidário.

Seria muitíssimo bom que se gerassem grupos de cidadãos que se mobilizassem e apoiassem essas pessoas. A tal sociedade civil de que tanto se fala e que tão pouco se vê.

António Barreto, no seu último e excelente programa da série Portugal, Um Retrato Social, falou da administração pública, da falta de produtividade de toda a administração pública, da corrupção, do poder autárquico, dos interesses que se movem e se entrecruzam, dos que se sentem donos nos vários sectores da administração, da promoção do partidarismo e da falta de importância do mérito e da competência.

Mas não é obrigatório, não é preciso que assim seja. Há que perceber e que intuir que a administração pública é para servir o público, que os serviços existem para servir a população e não as classes profissionais que integram os vários sectores, que é possível fazer mais e melhor.

Os nossos governantes deveriam ser os primeiros a pensar no bem comum.

O PS e, especificamente, José Sócrates, têm uma enorme responsabilidade nesta trapalhada.
Quem é a figura que se prestará a concorrer como cabeça de lista? António José Seguro, João Soares, Manuel Maria Carrilho, Ana Gomes, Sérgio Sousa Pinto, António Vitorino (o eterno), Edite Estrela, Vitalino Canas, Maria de Belém? Quem será a misteriosa arma secreta?

E porque não Helena Roseta, enquanto ainda era militante do PS? Porque não tem currículo, peso político, porque é uma não alinhada?

Espero que haja outras pessoas a avançarem como independentes para as eleições intercalares em Lisboa, pessoas com vontade de trabalhar, que discutam as várias opções, as ideias que cada uma tem para a cidade, por exemplo Maria José Nogueira Pinto.

É tempo de abanar o status quo. E além disso, era muito mais interessante!

08 maio 2007

Em França

As eleições francesas foram uma demonstração de participação cívica e de vivência democrática, com 16,23% de abstenção. Houve uma campanha viva, digladiaram-se argumentos e ideias de esquerda e de direita. Foi uma campanha ideológica.

Os franceses decidiram votar em Sarkozy; ele ganhou as eleições, Ségolene perdeu-as. Os apoiantes de Ségolene deverão aceitar os resultados naturalmente, como esperariam que os apoiantes de Sarkozy os aceitassem, caso se tivesse passado o contrário.

Nada justifica as manifestações violentas, o terrorismo urbano, a delinquência mascarada de actividade política. Isto não é luta política.

Gostaria de ver e ouvir a esquerda condenar vivamente o recrudescimento da violência, após as eleições, gostaria que a esquerda se demarcasse totalmente destes atentados à segurança das populações, à própria essência do ideal democrático.

07 maio 2007

Volver

Yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos van
marcando mi retorno
son las mismas que alumbraron
con sus palidos reflejos
hondas horas de dolor
y aunque no quize el regreso
siempre se vuelve a su primer amor
la quieta calle, donde el eco dijo
tuya es mi vida, tuyo es mi querer
bajo el burlon, mirar de las estrellas
que con indiferencia, hoy me ven volver

Volver con la frente marchita
las nieves del tiempo, platearon mi sien
sentir que es un soplo la vida,
que 20 años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombras te busca y te nombra
Vivir con el alma aferrada a un dulce recuerdo
que no ha de volver.

Tengo miedo el encuentro con el pasado
que vuelve a enfrentarse con mi vida
tengo miedo de las noches que pobladas
de recuerdos encadenan mi sufrir
pero el viajero que huye,
tarde o temprano detiene su andar
mas el olvido que todo destruye
haya matado mi vieja ilusion
Cual escondida la esperanza humilde
es toda la fortuna de mi corazon.

Volver con la frente marchita
las nieves del tiempo, platearon mi sien
sentir que es un soplo la vida,
que 20 años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombras te busca y te nombra
Vivir con el alma aferrada a un dulce recuerdo
que no ha de volver.

(Estrella Morente)

Lisboa a votos?


Finalmente?
Será que é verdade?
E de todos os órgãos camarários?
Ou são só intenções?

Diversão

As eleições na Madeira foram apenas uma manobra de diversão manipulada por Alberto João Jardim, no mais puro exercício de populismo, queixando-se do governo, de Sócrates, de Cavaco Silva, numa tentativa de justificar a falta de alinhamento da Região Autónoma com os esforços de contenção do resto do território.

Por isso não é sério fazer um paralelo com a situação no continente, nem querer tirar conclusões nacionais dos resultados do plebiscito madeirense. Mais uma vez, Marques Mendes deu uma triste imagem do líder da oposição.

Infelizmente o governo anda de vento em popa sem qualquer oposição credível, sem qualquer alternativa ideológica ou prática. Assistimos a previsões pouco animadoras quanto ao cumprimento da meta de 2008 para a regularização do défice, assistimos à falta de discussão e de definição da sustentabilidade do SNS, assistimos à precariedade do emprego e à falta de alternativas para os jovens desempregados.

Mas a oposição está velha, à esquerda e à direita, os sindicatos estão obsoletos, a tão falada sociedade civil está marasmática. Não se discutem os verdadeiros problemas do país ou da Europa. Perdem-se minutos infindáveis a falar de casos tristes e mediáticos, que provavelmente seriam mais bem sucedidos se em prudente investigação silenciosa, ao contrário da feira internacional em volta do eventual rapto de Madeleine. Nesses casos sim, todos temos opinião sobre tudo, nomeadamente sobre a hipotética negligência dos pais, a falta de eficiência das polícias, a falta de segurança dos apartamentos.

Deveríamos transformar o país numa gigantesca agência de detectives, ou num mercado privilegiado de treinadores de futebol. Para isso somos argutos e estamos atentos!

POR VEZES CHEGA UM RUMOR

(…)
Muito mar, pouca viagem...viajemos com estas naus.
O perigo do mar é que nos engole, nos afunda na escuridão inconsciente, nos dissolve dissolvendo toda a luz da Razão ou da Inspiração que nos podia orientar.
A redenção, pois de redenção se trata, colectiva, social, e pessoal, individual - reside na viagem.
No gosto e na convicção de que é o caminhar que fará o caminho, é a palavra esquecida e de novo recuperada que nos permitirá dizer com Manuel Alegre:

Sou o que busca a palavra onde se esconde
uma pergunta sem resposta. Sou esse navegar.
Sou o que procura mesmo se ninguém responde
e sou o que pergunta pelo mar
(in MAR ABSOLUTO, Set.2002-Maio 2005)
(…)

Yvette Centeno, apresentação do livro “Doze Naus”, 02/05/2007


Manuel Alegre exaltou a minha sofreguidão de melodia, o meu desejo de lonjura e de melancolia, o meu amor pelas palavras, a indizível sensação de se querer participar, partilhar, de ser livre, da luta para consegui-lo.

Os poemas vivem na voz e na alma de quem os lê, de quem se apodera deles como da luz do sol ou do vento que nos interroga.

“Doze Naus” é um livro que rompe e embala, provoca marés vivas e calmarias, navega pelo tempo, pela esperança, pela renovação e pela contemplação do inexorável.

Mais uma vez, agora com a calma amorosa de quem sabe o que é indispensável, lerei os seus poemas, até que eles se me avolumem na voz.


POR VEZES CHEGA UM RUMOR

Por vezes chega um rumor
um surdo rumor do tempo.
As pontes se desmoronam
as pétalas as palavras
de repente sem sentido
as árvores onde o vento
deixava um frio assobio.
Por vezes chega um cinzento
um surdo absurdo vazio.

(poema de Manuel Alegre; pintura de Alberto Cutileiro: armada de Vasco da Gama)

A ignorância é muito atrevida

Hoje já ouvi várias vezes, na rádio, um anúncio da Avis em que se compara a equação E=mc² com um disparate qualquer ao cubo (elevado à potência de 3).

Tudo bem com a imaginação, mesmo que seja pouca, mas depois confundir-se o cubo com o triplo é que brada aos céus pela ignorância! Bem sei que uma manobra publicitária não pretende ser didáctica, mas ser objectivamente ignorante, induzindo o vasto auditório em erro, é tristíssimo e inaceitável.

Pois não sei se, por acaso, algum dos criativos do anúncio alguma vez lerá este post, mas aqui está uma explicação sobre a diferença entre o dobro, o triplo e o elevar a uma determinada potência:
  • dois ao quadrado (2²) significa 2x2, ou seja 4, assim como 3² significa 3x3=9 e 4² é o mesmo que 4x4=16
  • da mesma forma dois ao cubo (2³) significa 2x2x2=8, 3³ significa 3x3x3=27
  • o que é totalmente diferente de o dobro de dois (2x2), que é o mesmo que 2+2=4, assim como o triplo de três (3x3) é o mesmo que 3+3+3=9, ou o quádruplo de dois (4x2) que significa 2+2+2+2=8
  • portanto o triplo não é igual ao cubo, ou seja NxA=A+A+A+…+A (N vezes), mas Nª=NxNxNx…xN (a vezes)!!!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...