07 maio 2007

POR VEZES CHEGA UM RUMOR

(…)
Muito mar, pouca viagem...viajemos com estas naus.
O perigo do mar é que nos engole, nos afunda na escuridão inconsciente, nos dissolve dissolvendo toda a luz da Razão ou da Inspiração que nos podia orientar.
A redenção, pois de redenção se trata, colectiva, social, e pessoal, individual - reside na viagem.
No gosto e na convicção de que é o caminhar que fará o caminho, é a palavra esquecida e de novo recuperada que nos permitirá dizer com Manuel Alegre:

Sou o que busca a palavra onde se esconde
uma pergunta sem resposta. Sou esse navegar.
Sou o que procura mesmo se ninguém responde
e sou o que pergunta pelo mar
(in MAR ABSOLUTO, Set.2002-Maio 2005)
(…)

Yvette Centeno, apresentação do livro “Doze Naus”, 02/05/2007


Manuel Alegre exaltou a minha sofreguidão de melodia, o meu desejo de lonjura e de melancolia, o meu amor pelas palavras, a indizível sensação de se querer participar, partilhar, de ser livre, da luta para consegui-lo.

Os poemas vivem na voz e na alma de quem os lê, de quem se apodera deles como da luz do sol ou do vento que nos interroga.

“Doze Naus” é um livro que rompe e embala, provoca marés vivas e calmarias, navega pelo tempo, pela esperança, pela renovação e pela contemplação do inexorável.

Mais uma vez, agora com a calma amorosa de quem sabe o que é indispensável, lerei os seus poemas, até que eles se me avolumem na voz.


POR VEZES CHEGA UM RUMOR

Por vezes chega um rumor
um surdo rumor do tempo.
As pontes se desmoronam
as pétalas as palavras
de repente sem sentido
as árvores onde o vento
deixava um frio assobio.
Por vezes chega um cinzento
um surdo absurdo vazio.

(poema de Manuel Alegre; pintura de Alberto Cutileiro: armada de Vasco da Gama)

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