20 novembro 2006

"Half the perfect world"


Madeleine Peyroux é muito melhor ao vivo que no cd. De uma simplicidade assombrosa, ela canta como se estivesse a conversar, a sussurrar, a rir, mas discretamente. Com uma variação de tons invejável, atira a voz, quase negligente, em notas arrastadas, ao jeito de Billie Holiday, menos sofrida. Do folk, aos blues, ao soft jazz, interpretações de canções eternas, com cheiro a tabaco e pó de estrada, com sabor a bebidas fortes de fim de noite.

Os músicos que a acompanham, cúmplices e solidários, mas relevantes só por si, formam um ambiente quase mágico, ajudado pelas luzes envolventes.

Grande espectáculo.

18 novembro 2006

Ciência pós prandial

A oradora debitava moléculas, factores de transcrição, agentes desmetiladores, genes supressores e fenómenos epigenéticos, numa sala penumbrenta, em que se ouvia a chuva persistente e miúda, acinzentando o céu e enublando o dia.

Mesmo em frente da esforçada cientista, numa fila de cadeiras vazias, um professor já entradote, rubicundo e ofegante, adormecia compulsivamente a cada resultado cruzado e medido, a cada estudo randomizado.

O interesse daquela comunicação transformou-se rapidamente num estudo observacional do grau de equilíbrio do dito professor, do momento em que ele iniciaria o ressonar ou, em alternativa, do momento em que a inclinação semelhante à da torre de Piza se transformaria em queda aparatosa e embaraçante.

Após vários estremeções e recaídas na mesma atitude acabou, para bem da oradora, do professor e da restante audiência, a sábia oração de sapiência.

Algo de novo na frente sindical

De vez em quando uma boa notícia, para variar. Esperemos que continue a imperar o bom senso!

Arredondar

Vi um pouco do "Expresso da Meia Noite", na SIC.

O vice-presidente do "Millenium BCP" quer convencer quem, de que os clientes sequer sabiam da existência de arredondamentos, quanto mais de arredondamentos do tipo que todos os bancos praticam??

Entrevistas

A entrevista de Cavaco Silva não agradou a ninguém: ao PS não agradou porque Cavaco Silva fez passar a mensagem de que estaria envolvido na governação. À oposição de direita não agradou porque arrasou as posições de Marques Mendes no combate ao governo e retirou a outros sectores a esperança de comandar a oposição.

Ainda não percebi qual foi o objectivo da entrevista. Terá sido um presente envenenado a Sócrates?

17 novembro 2006

Ruído de fundo

Não percebo muito bem qual o interesse da entrevista de Cavaco Silva a Maria João Avillez. Ainda por cima com a entrevista de Santana Lopes a Judite de Sousa praticamente ao mesmo tempo.

Não entendo a oportunidade, o tom, o tema. Porquê este apoio ao governo, neste momento? Será que se quer criar a confusão entre a vontade presidencial e a vontade governamental? Qual o objectivo de Cavaco Silva? A população está serena, o congresso o PS não aqueceu ânimos.

Que se passou de importante, ou que efeméride se está a comemorar, para que apareça o Presidente a dizer coisas já ditas e reditas? Foi para ouvir reacções ao livro de Santana Lopes?

Acho estranho e esdrúxulo este súbito protagonismo do Presidente.

16 novembro 2006

Congresso

Horas, cadeiras, velocidades, comunicações, diapositivos, penumbra, bocejos, dúvidas, rebolar na cadeira delicadamente, palmas desinteressadas, esforço, ciência a peso, servida com biscoitos e café. Cansaço.

(Pintura de Abel Manta: Viseu)

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...