11 setembro 2006

September 9, 2001


Heaven Help Us All

Heaven help the child who never had a home,
Heaven help the girl who walks the street alone
Heaven help the roses if the bombs begin to fall,
Heaven help us all.

Heaven help the black man if he struggles one more day,
Heaven help the white man if he turns his back away,
Heaven help the man who kicks the man who has to crawl,
Heaven help us all.

Heaven help us all, heaven help us all, help us all.
Heaven help us, Lord, hear our call when we call
Oh, yeah!

Heaven help the boy who won't reach twenty-one,
Heaven help the man who gave that boy a gun.
Heaven help the people with their backs against the wall,
Lord, Heaven help us all.

Heaven help us all, heaven help us all, heaven help us all, help us all.
Heaven help us, Lord, hear our call when we call.

Now I lay me down before I go to sleep.
In a troubled world, I pray the Lord to keep, keep hatred from the mighty,
and the mighty from the small,
Heaven help us all.
Oh, oh, oh, yeah!
Heaven help us all.


William Galison: (…) “Stevie Wonder and Joan Baez covered this amazing song in the early 70’s and made a deep impression on my mind. The song asks for compassion for both the victim and the victimizers, from Heaven at least, if not from us. The lyrics are timeless, but I was inspired to write one additional verse after 9/11.” – William Galison & Madeleine Peyroux - Got you in my mind (2003/2004)

onze de Setembro de dois mil e um


Data


Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça



(poema de Sophia de Mello Breyner Andresen)

10 setembro 2006

Sándor Márai


“A herança de Eszter” é uma história contada na primeira pessoa, cuja acção decorre em dois planos temporais: o primeiro num dia, o segundo em 20 anos.

Com uma rara elegância de linguagem, mas de uma arguta e melancólica realidade, a narradora discorre sobre os seus pensamentos, que dissecam as fibras sentimentais do desencontro que foi a sua vida, toda ela na esperança de que um dia se realize no entendimento daquele que lhe suspendeu a existência.

É um livro agridoce, muito bem escrito, de uma aparente simplicidade, em que se espelha o intrincado mundo de amores e ódios, coragem e abnegação, mentiras e desespero, que nos deixa presos às páginas e ao mesmo tempo numa leve e funda tristeza.

“As velas ardem até ao fim” tem uma estrutura narrativa semelhante, com poucos diálogos, em que parece estarmos inseridos na cabeça do narrador e, ao transformarmo-nos nele, sentimos e vivemos os seus percursos, lembramos e somos lúcidos depois de uma longa e intemporal auto análise, de examinarmos e reexaminarmos todos os cambiantes do que foi marcante, mesmo que, na altura, não o tenhamos sentido como tal.

Autor húngaro, que se opôs ao nazismo e ao comunismo, deambulou pela Europa e acabou por se fixar nos Estados Unidos, suicidou-se com 89 anos, só e esquecido. Que eu saiba, em português, só estão traduzidos estes dois livros. É pena. Gostaria que houvesse mais.


(Estátua de Sándor Márai em Košice, Slovakia)

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O novo filme de Pedro Almodóvar é, como todos os anteriores, excessivo. Excessivo nas cores, excessivo nas formas, excessivo nas vozes, excessivo nos corpos, excessivo nos planos, excessivo na opulência.

É uma história de mulheres em que mais uma vez se demonstra que há uma sociedade à superfície e que, na profundidade, existe uma realidade com regras femininas, ditadas pelas mulheres mães e pelas mulheres filhas que depois são mães, em que os homens são catalizadores das acções, a causa e a consequência do universo feminino e da forma como ele governa o mundo. Porque a vida é feita de regras que não são impostas, apenas existem. As almas deambulam pela terra à procura da paz eterna, os sentidos são o motor dos destinos traçados, em ciclos contínuos e quase sempre repetitivos.

Mais uma vez somos testemunhas de acontecimentos extremos, contados com as câmaras a amplificarem as palavras, os risos, as lágrimas, os cabelos, as mamas, os rabos, os sapatos, as bocas, as rugas, as pinturas a escorrer pelas caras, os pimentos, o tomate, o sangue, as batas e os lenços e as meias até aos joelhos, o vento, as portadas de madeira, os corpos gordos, velhos, suburbanos, doentes, sem pudor, com a naturalidade e a cumplicidade de quem sabe que a ficção não é mais que uma imagem desbotada da vida.

Não foi o filme de que mais gostei. Mas gostei bastante.

09 setembro 2006

Pacto na Justiça


Não concordo com pactos de regime, acordos alargados ou negociações secretas. Quando voto escolho uma determinada força política que propõe um determinado conjunto de políticas, que eu gostaria de ver implementadas.

E o que foi que esteve mais em negociação? Outros pactos? O nome do Procurador Geral da República?

Que pactos se vão seguir? O da segurança social?

Foram o PS e o Eng. Sócrates mandatados com maioria absoluta para fazer um bloco central?

A quem pedirei contas nas próximas eleições? A José Sócrates (sim, porque o PS não foi tido nem achado), a Marques Mendes ou a Cavaco Silva?

Agendas desconhecidas?


Antes de mais afirmo desde já o meu total repúdio a todas, mesmo a todas, organizações terroristas, independentemente da cor política, do país a que pertençam ou da fé que processem. Afirmo ainda a minha total solidariedade para com Ingrid Betancourt e outros sequestrados como ela, e o desejo de que termine o pesadelo das vítimas e das famílias.

Por todas as estas razões não posso perceber o facto de representantes de uma organização terrorista serem convidados por um partido que se diz democrático, a fazer propaganda das suas acções terroristas num país como o nosso, e acho patéticas e inaceitáveis as justificações do PCP.

Há, no entanto, alguns factos que me deixam algo perplexa:

  • Ingrid Betancourt foi sequestrada pelas FARC a 23 de Fevereiro de 2002;
  • Em Junho de 2002 a União Europeia põe as FARC na lista das organizações que considera terroristas (é óbvio que as FARC são terroristas independentemente da data a partir da qual assim as classifica a União Europeia);
  • Todos os anos a Festa do Avante recebe representações do Partido Comunista Colombiano (2002, 2003, 2004, 2005) e, também, da revista Resistência (pelo menos em 2004) que faz propaganda das FARC.

Parece-me deveras extraordinário que só este ano se tenha descoberto a ligação e apologia que o PCP faz às FARC!

Bem sei que mais vale tarde que nunca, mas não deixa de ser intrigante…

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...