05 setembro 2006

Ética

O Atestado Médico é um documento oficial, que compromete a honra de quem o passa justificando as faltas ao trabalho ou declarando as condições de saúde de uma determinada pessoa.

O facto de se solicitar aos médicos (peritos em avaliar o estado de saúde ou de doença) a avaliação da capacidade ou incapacidade para se prestar um determinado serviço, ou a justificação para faltar ao trabalho por um determinado período de tempo, reconhece implicitamente a relação de confiança da comunidade, ou do estado, com esses profissionais.

Se o médico tem obrigações para os doentes, decorrentes da sua perícia, da sua actividade profissional e da sua ética de conduta, não tem menos obrigações perante a sua comunidade, precisamente pelos mesmos motivos: perícia, actividade profissional e ética de conduta.

A proliferação de solicitações à apresentação dos referidos atestados é enorme e disparatada, facilitadora de uma atitude menos rigorosa (dos doentes e dos médicos). Esta atitude menos exigente mina a relação médico doente, pois o respeito por determinados valores é universal, mesmo que não observados.

Compete a todos os profissionais zelar pela ética na sua profissão, preservando os valores e as atitudes que a dignificam e que são a base da confiança que merecem. Por isso e para isso há que cumprir sempre, penalizando os prevaricadores.

  • CÓDIGO DEONTOLÓGICO
  • Título II - O Médico ao Serviço do Doente
  • Artigo 75.º (Proibição de atestado de complacência)
  • É considerada falta deontológica o facto de o Médico emitir atestados de complacência ou relatórios tendenciosos sobre o estudo de saúde de qualquer pessoa.

04 setembro 2006

Al Cabo

Al cabo

Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdade nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son poquísimas las cosas
que de verdad importan en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos.

(Amalia Bautista)

Mateus - o caso

Este é o caso que vai fazer história, talvez por isto Sócrates caia em desgraça, ou então continua em graça, porque tem muito mais graça o CASO MATEUS. Por pouco engraçado que seja.

Com graça e muito mais, o post de A. Teixeira sobre casos tão desgraçados como este.

03 setembro 2006

Pa(c)tos em marcha


Não há memória de rentrée política sem sugestões de pactos de regime, ou acordos entre governo e oposição. Desde a justiça, à economia, saúde e educação, já se propuseram acordos e pactos alargadíssimos e importantíssimos, sem os quais nenhuma reforma será possível!

Outro must são as marchas, corridas, maratonas, passeios e caminhadas em prol de qualquer grande e generosa ideia: o Bloco de Esquerda, que parece já ter perdido a capacidade de encantar os media, está a marchar pelo emprego! Talvez melhore as perspectivas de trabalho temporário dos massagistas e praticantes de podologia...

A falta de imaginação e de ideias a sério é confrangedora.

No entretanto, o PS prepara-se para desertificar tudo o que está à volta de Sócrates, reforçando o poder unipessoal e moldando o partido à sua imagem e semelhança, com os costumeiros yes-men, como Vitalino Canas, Pedro Silva Pereira e a inevitável inteligência parda de António Vitorino.

Luar


Em noites de solidão e cio
desenho ombros
húmidos de suor e estio,
com seda e escombros
derretemos lua e vazio.

(Pintura de Bernard Hoyes: moonlight spiritual)

02 setembro 2006

Irrelevâncias

Sempre me intrigaram os critérios editoriais dos jornais, muito pelo que escolhem ser notícia, mas também pela unanimidade e homogeneidade dessas escolhas.

Habitualmente no Diário de Notícias e no Público as notícias de capa são as mesmas, os desenvolvimentos semelhantes, enfim, a globalização até já globalizou as cabeças dos jornalistas. Hoje, para meu espanto, nos dois jornais, exactamente com a mesma fotografia, ocupando uma página inteira, um artigo sobre a demanda, pelos incontáveis herdeiros, da herança milionária de um comerciante de nome Manuel Vicente D'Anunciação, que morreu em 1899!!!

É de inquestionável importância a existência, ou não, da fortuna, dos herdeiros, verdadeiros ou falsos, da batalha judicial entre portugueses, brasileiros e ingleses, justificando-se plenamente o espaço e a relevância que dois matutinos de grande tiragem, com fama de seriedade, lhe dedicam.

Muitíssimo menos importante é o facto, noticiado há dois dias e nunca mais mencionado (dada a frivolidade e superficialidade do mesmo, quase a roçar o brejeiro ou mesmo o pornográfico, justificando plenamente a ausência de interesse jornalístico) de a REFER ter anunciado a intenção de rescindir o contrato com a Teixeira Duarte, na sequência do pedido, pela mesma, de prorrogação do prazo de finalização da reabilitação do túnel do Rossio para… 2011!!!

É claro que é uma infeliz coincidência ser a mesma Teixeira Duarte a fazer as obras do metro do Terreiro do Paço!

É claro que são de uma clareza virginal os critérios editoriais que resultam no esquecimento deste assunto irrelevante, nos media e também na blogosfera (com honrosas excepções).

O silêncio é de ouro!

Em que ficamos?


O governo socialista de Sócrates usa a comunicação social como caixa de ressonância distorcida dos seus objectivos políticos. Não está em causa se os fins são ou não meritórios. O que questiono são os meios.

Ao contrário da transparência que se exige numa democracia, com ou sem maioria absoluta, este governo ensaia as intenções reformistas deixando escapar para os jornais reflexões ingénuas, absurdas ou populistas, para assustar as corporações e conquistar a restante população.

Declaro desde já que sou militantemente a favor de reformas, que esperançosamente aguardo alterações de fundo em vários sectores profissionais, que os serviços públicos são para servir todos os cidadãos e não para resolver problemas de emprego aos seus funcionários. A saúde, a educação e a justiça são exemplos de sectores em que a necessidade de romper com o imobilismo, de alterar atitudes e rever os objectivos é urgentíssima. São também sectores em que se espera grande oposição corporativa, muitas vezes desleal e estapafúrdia.

Em maior ou menor grau, a sociedade anseia por alterações no seu modo de vida, às vezes pelo pior motivo, que é o desalento. Por outro lado o governo tem uma maioria absoluta parlamentar e uma oposição totalmente frívola, bacoca e agónica.

Por tudo isto parece-me totalmente desnecessário e de muito mau agoiro o jeito boateiro do governo, praticado por todos os ministros. Em relação às propostas de alteração da remuneração dos médicos hospitalares, às quais já me referi, e andando calmamente pela blogosfera, li um artigo de Correia de Campos, num site do Ministério da Saúde, em que não fala de perda da exclusividade (regime laboral que obriga a trabalhar apenas para uma entidade empregadora, neste caso o Ministério da Saúde) mas em que afirma ter enviado as referidas propostas aos sindicatos. Li notícias na imprensa e em blogues dando já como certa a alteração do regime de exclusividade e o início da negociação com os sindicatos. Mas o Sindicato Independente dos Médicos (Jornal virtual - Negociações ou Alzheimer? - de 25/08) assegura que não foi convocado nem recebeu nenhuma proposta para negociar.

Em que ficamos? Não havia necessidade…


(pintura de Johanna Leipold: Pinocchio)

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...