06 agosto 2006

Notícias (1)

Excelente notícia! Não há nada como cada escola, por si, investir em si própria, na comunidade educativa, implementando métodos de controlo de qualidade, EXTERNOS, o primeiro passo para perceber o que está bem e melhorar, e o que está mal para mudar.

05 agosto 2006

Blasfémia


O direito à blasfémia devia ser inscrito nas constituições, e a vontade de blasfemar um feito de engenharia genética, curando a personalidade subserviente dos humanos.

Se existisse, Deus deveria bocejar perante esta humanidade cuidadosa e humilde, que insidiosamente cresce em torno dos infinitamente crentes, dos bem-comportados, dos iniciados na fé.

De certeza que gostaria de ser desafiado a espantar-se ou a comover-se com os insultos e as questões dos rebeldes e dos impuros, para que exercitasse essa omnipresente omnisciência, para uma omnipotente gargalhada ou um omnipotente rugido de ira, que levantasse a terra e a fizesse tremer, num gozo inenarrável de infinita tolerância.


(pintura de Tom Block: God enjoys itself)

Até quando?


Qualquer amante da liberdade deplora a ditadura, a gerontocracia e a perpetuação monárquica de um poder autoritário e corrupto, como o que vigora em Cuba desde a suposta revolução cubana.

Qualquer amante da democracia deseja que os cubanos consigam aproveitar a oportunidade vislumbrada pela previsível morte de Fidel Castro, no sentido de forçarem uma transição de regime, o mais pacífica possível, para uma democracia representativa, com a ajuda das opiniões públicas dos países democráticos e com os esforços diplomáticos de instituições da União Europeia, dos Estados Unidos e outras.

O que qualquer amante da democracia e da liberdade já não compreende nem aceita é a arrogância de um país como os Estados Unidos, que se julga mandatado por um poder divino e discricionário, ao exortar do alto da sua pseudo moralidade democrática, todo o povo cubano "a trabalhar no seu país por uma mudança positiva", assumindo-se como o paladino dos pobres povos oprimidos, desde que a democracia que se implante com a sua desinteressada ajuda seja aprovada por ele próprio.

Não se percebe se a administração americana cria anticorpos em todo o mundo com um objectivo determinado, embora não se descortine qual, ou se é apenas por incompetência pura e simples.

Infelizmente, penso que a administração Bush se sente o instrumento de um poder divino, o que a transforma num caso de esquizofrenia política altamente perigoso para a civilização ocidental.

Até quando?

04 agosto 2006

No café


No café com chávena e pires
os olhos pregados ao jornal
um pingo castanho alastra e mancha
as páginas em aguarela cinzenta.

Apressadamente limpo e apago
definitivamente já não há notícia
só um brinco num fragmento de orelha
e o traço de um dente meio sorrindo.

No café com chávena e torrada
lambo as pontas dos dedos
e aplicadamente volto as páginas
respiro folhas e tinta
o cheiro das novidades e das manhãs
de sábado
da liberdade.


(pintura de Desmond O’Hagan: coffee house)

O desenhador compulsivo


Fui ver a exposição de desenhos de Abel Salazar, no CCB.

Para um artista como Abel Salazar, com extensa obra plástica entre desenhos, gravuras, aguarelas, pintura a óleo, esculturas (até murais), que ele expôs em vida, não entendo muito bem qual a relevância desta exposição.

Dispostos por várias salas encontram-se desenhos que Abel Salazar fazia, penso que de uma forma quase inconsciente, enquanto via ao microscópio, enquanto passeava, enquanto estava no café. Desenhos para entreter a mão e a mente, para concentrar ou distrair, não assinados, em todo o tipo de papéis, nas costas de provas tipográficas, de postais, de cartas, de folhas de hotel.

O título da exposição está feliz. Parecia haver uma compulsão para desenhar, e para desenhar mulheres. É, aliás, quase o único tema dos desenhos. Há ainda 3 (ou 4) quadros a óleo, lindíssimos, por sinal.

Numa área contígua pode assistir-se a um documentário, razoavelmente interessante sobre a vida e obra de Abel Salazar, em que aprendemos como se faz gravura e como se pinta a aguarela e a óleo.

Gostaria mais de ter visto uma exposição da obra de Abel Salazar que incluísse alguns dos desenhos dele.

Gostei, mas soube-me a pouco.

(caricatura de Abel Salazar por Luís de Pina, 1925)

Reparação pública


É horrível não se suspeitar ou não se reconhecerem os sinais e sintomas de uma criança maltratada. Quando tal acontece devem pedir-se e assumir-se responsabilidades a quem maltrata e a quem não diagnosticou (médicos, enfermeiros, assistentes sociais, comissões de acompanhamento, tribunais, advogados, juízes…).

Mas não é menos horrível que se diagnostiquem ofensas corporais a uma criança, acusando a mãe, o pai, a avó ou outros acompanhantes e familiares, levando mesmo as comissões de acompanhamento a decidirem pelo afastamento da família, sendo tudo, afinal, um erro de diagnóstico.

O que está em causa não é o profissionalismo dos médicos nem das comissões referidas, que estavam alerta e fizeram o que deveria ser feito. Mas a verdade é que se enganaram. Houve um erro de diagnóstico, com consequências que não imagino para a família e para a própria criança.

Neste caso também se devem pedir e assumir responsabilidades. O mínimo que a administração do hospital de Guimarães, como responsável por todos quantos trabalham lá, pode fazer é pedir publicamente desculpas, porque a punição social que esta mãe já sofreu também foi pública e notória.

Também Nobre Guedes processa o estado por quebra de segredo de justiça, o que levou a uma tentativa de julgamento de carácter na praça pública. Fez muito bem. A corrupção deve ser investigada sem tréguas e punida exemplarmente. Mas o bom nome, a honra e a dignidade de todos os cidadãos mercem ser respeitados.

Poupança (2)

Uma das maiores fatias da despesa do Serviço Nacional de Saúde é a dos medicamentos. Como também já disse anteriormente, é péssimo medicar demais, mas é igualmente mau medicar de menos, ou medicar apenas com o critério do mais barato.

É imprescindível que rapidamente se estabeleçam protocolos de terapêutica medicamentosa por entidade (doença), feita com base em critérios científicos, para que haja efectivamente uma redução da despesa mas, mais importante que isso, para que os doentes sejam mais bem tratados.

A adopção de novas terapêuticas e a introdução de novos medicamentos deve ser sujeita a parecer das comissões que existem para esse efeito. Por vezes medicamentos mais caros podem melhorar acentuadamente a qualidade de vida dos doentes, reduzir a probabilidade de recaídas, recidivas, infecções e, por isso, reduzir despesas a médio e longo prazo. No entanto, as indicações terapêuticas devem ser rigorosas, bem definidas e bem seguidas por todos.

Qualquer profissional de saúde está obrigado a prestar ao seu doente o que de melhor e mais indicado existe no seu caso, tendo em conta os conhecimentos científicos mais avançados, signifiquem eles mais ou menos despesa.

A maior poupança é evitar a doença e proporcionar a todos os cidadãos as melhores condições de saúde. Se não estiver doente, qualquer pessoa produz mais, melhor e é mais feliz.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...