05 agosto 2006

Blasfémia


O direito à blasfémia devia ser inscrito nas constituições, e a vontade de blasfemar um feito de engenharia genética, curando a personalidade subserviente dos humanos.

Se existisse, Deus deveria bocejar perante esta humanidade cuidadosa e humilde, que insidiosamente cresce em torno dos infinitamente crentes, dos bem-comportados, dos iniciados na fé.

De certeza que gostaria de ser desafiado a espantar-se ou a comover-se com os insultos e as questões dos rebeldes e dos impuros, para que exercitasse essa omnipresente omnisciência, para uma omnipotente gargalhada ou um omnipotente rugido de ira, que levantasse a terra e a fizesse tremer, num gozo inenarrável de infinita tolerância.


(pintura de Tom Block: God enjoys itself)

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