04 agosto 2006

Reparação pública


É horrível não se suspeitar ou não se reconhecerem os sinais e sintomas de uma criança maltratada. Quando tal acontece devem pedir-se e assumir-se responsabilidades a quem maltrata e a quem não diagnosticou (médicos, enfermeiros, assistentes sociais, comissões de acompanhamento, tribunais, advogados, juízes…).

Mas não é menos horrível que se diagnostiquem ofensas corporais a uma criança, acusando a mãe, o pai, a avó ou outros acompanhantes e familiares, levando mesmo as comissões de acompanhamento a decidirem pelo afastamento da família, sendo tudo, afinal, um erro de diagnóstico.

O que está em causa não é o profissionalismo dos médicos nem das comissões referidas, que estavam alerta e fizeram o que deveria ser feito. Mas a verdade é que se enganaram. Houve um erro de diagnóstico, com consequências que não imagino para a família e para a própria criança.

Neste caso também se devem pedir e assumir responsabilidades. O mínimo que a administração do hospital de Guimarães, como responsável por todos quantos trabalham lá, pode fazer é pedir publicamente desculpas, porque a punição social que esta mãe já sofreu também foi pública e notória.

Também Nobre Guedes processa o estado por quebra de segredo de justiça, o que levou a uma tentativa de julgamento de carácter na praça pública. Fez muito bem. A corrupção deve ser investigada sem tréguas e punida exemplarmente. Mas o bom nome, a honra e a dignidade de todos os cidadãos mercem ser respeitados.

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