
No café com chávena e pires
os olhos pregados ao jornal
um pingo castanho alastra e mancha
as páginas em aguarela cinzenta.
Apressadamente limpo e apago
definitivamente já não há notícia
só um brinco num fragmento de orelha
e o traço de um dente meio sorrindo.
No café com chávena e torrada
lambo as pontas dos dedos
e aplicadamente volto as páginas
respiro folhas e tinta
o cheiro das novidades e das manhãs
de sábado
da liberdade.
(pintura de Desmond O’Hagan: coffee house)



