20 julho 2006

"Algoritmo Portalegre"


Eis um bom argumento para um filme da moda: números e relações cabalísticas, códigos políticos encriptados, tudo misturado com organizações mais ou menos extremistas, que gostam de passar uma imagem de purismo quase religioso, em que o grande sacerdote dá pelo nome de Francisco Louça.

Mas o mais divertido é o investigador contratado ser Ruben de Carvalho, o velho e irredutível detective, ex-polícia, que ainda acredita nas virtudes da máquina de escrever e, à noite, fuma cigarros de fumo negro com o chapéu enterrado na cabeça.

Crónica brilhante.

19 julho 2006

Alerta!


Já não se aguentam mais os alertas vermelhos e amarelos (nunca há alertas verdes! Também se fossem verdes não eram alertas…) às ondas de calor, às ondas de frio, às verdadeiras ondas, às tempestades, aos vendavais, às cheias, aos incêndios, aos raios ultravioletas, aos pólenes, à desidratação, à congestão, à água do mar, à água do rio, à velocidade, ao álcool, ao tabaco, ao pé de atleta, ao melanoma, à sífilis, à obesidade, à anorexia, ao sentir-se-bem-consigo-próprio, ao tenho-que-gostar-de-mim-em-primeiro-lugar-senão-não-posso-gostar-dos-outros, à SIDA, ao RESPIRAR!!!!!!!!

Deixem-nos viver em paz!

Carolices

Causa-me grande espanto a polémica à volta das férias judiciais.

Em primeiro lugar estranho o próprio conceito de férias em determinados serviços públicos. As pessoas adoecem todos os dias assim como há assaltos, homicídios, cheques "carecas" e burlas todos os dias, porque nem as doenças nem os malfeitores fazem férias.

Assim, existem determinados serviços que não devem fechar para férias. É claro que quem presta esses serviços deve ter férias. Só que o próprio serviço não pode ser afectado. Portanto não percebo porque é que os juízes, magistrados, etc, não podem marcar férias, como o comum dos mortais, ao longo do ano, e de acordo com o interesse do próprio serviço.

Porque o direito a fazer 22 dias seguidos de férias não se pode sobrepor ao dever que os funcionários têm de assegurar a manutenção em funções de um determinado serviço. Por isso é que os mapas de férias dos funcionários são primeiro combinados entre eles e posteriormente têm que ser aprovados pelas chefias.

Quanto à carolice dos magistrados, ela é igual à carolice de todos os profissionais que gostam de trabalhar bem e que têm gosto na sua profissão. Mas se não podemos esperar isso dos magistrados, esperemos, pelo menos, que cumpram as funções pelas quais são pagos. E essas são, tal como em todas as profissões, trabalhar o melhor que sabem e podem, em todas as circunstâncias.

É isso que os Srs. Magistrados exigem das equipas de saúde que, durante as suas (dos Magistrados) férias, estão nos hospitais para os atenderem, ou às suas famílias, com profissionalismo, boa vontade e, quem sabe, até carolice

Café e jornal


A vida durante as férias é um acontecimento inesperado, porque as ruas, as casa, as lojas, as passadeiras, os condutores, os fumos, o calor e as sombras, se vêem do lado de fora do carro.

As lojas que abrem, a fruta a ser disposta de uma forma atraente, os apressados para o café matinal.

Eu posso saborear o jornal do dia, vagarosamente, olhar para o relógio e ver tanta tempo pela frente, ainda por preencher.


(pintura de Anthony Ulinski: cereal bowl and newspaper)

Teatros

Sinto-me um bocado desconfortável quando, mais ou menos inflamada, me insurjo contra acontecimentos ou declarações que são camuflagens dissimuladas para objectivos opacos.

Quando falo de Israel, Líbano, Palestina, das guerras e das encenações em que todos colaboram, dos actores principais aos directores artísticos e às produções, sinto-me uma tola espectadora, que está ainda à espera de Godot.

18 julho 2006

Adão e Eva


Deitados lado a lado
no ar amarfanhado do quarto,
silenciosamente abandonados,
paralelos na doçura
das roupas despidas.

Sem adornos nem palavras
nesta grandeza única
do acto de nos vestirmos
um do outro.



(Pintura de Christina Saj: Adam and Eve)

À espera


Continuamos todos à espera de um esclarecimento por parte da Sra. Ministra da Educação, sobre as razões da repetição das provas de exame a Química e a Física.

Entretanto afiam-se as facas há muito desembainhadas e aperta-se o cerco: providências cautelares (as sempre eternas) contra o Ministério da Educação, abaixo-assinados de milhares de professores, manifestações e protestos das Associações de Pais, e o que mais se verá!

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...