08 abril 2006

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Languidez

Tardes da minha terra, doce encanto,
tardes de uma pureza de açucenas,
tardes de sonho, as tardes de novenas,
tardes de Portugal, as tardes de Anto,

como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!
Horas benditas, leves como penas,
horas de fumo e cinza, horas serenas,
minhas horas de dor em que sou santo!

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
que poisam sobre duas violetas,
asas leves cansadas de voar…

E a minha boca tem uns beijos mudos…
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
traçam gestos de sonho no ar…

(Florbela Espanca)

Escola em vias de extinção

Sou absolutamente a favor da reorganização das escolas, serviços administrativos, serviços de saúde, judiciais e outros, de forma a combater os desperdícios, concentrar vontades e readaptá-los à realidade, tão diferente da de há 30 ou 50 anos.

No entanto, e porque essa reorganização implica mudanças que nem sempre são positivas para a totalidade dos cidadãos, há que escolher com precisão e rigor, fundamentar opções e partilhá-las com as populações.

Isto é particularmente necessário em matérias sensíveis como a saúde e a educação.

A propósito do anunciado fecho da Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico D João de Castro e da sua fusão com a Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico Fonseca Benevides, dos quais tive conhecimento através de uma companheira de lutas antigas, também na área da educação, fiz várias pesquisas na net.

Na mesma zona, junto a Alcântara, há estas duas escolas e a ainda a Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico Rainha D Amélia (que já se fundiu com a Ferreira Borges), ao todo três escolas de ensino público, exactamente do mesmo tipo. Parece fazer sentido pensar que não são necessárias essas três escolas. Talvez duas, ou mesmo só uma.

O que convinha explicar bem é quais sãos os critérios que levam à cessação de actividades de uma em detrimento das outras. É pior em espaço e infra estruturas, tem menos alunos, tem um corpo docente mais instável, tem piores resultados nos exames?

Quais as vantagens das outras?

Não tenho razões para desconfiar da bondade da decisão ministerial. Em princípio é-me indiferente quais as escolas que fecham e quais as que se mantém, se estiverem asseguradas as melhores instalações, as melhores acessibilidades, os melhores professores, os melhores projectos educativos, as melhores hipóteses de interacção com as comunidades, etc.

Mas para isso é preciso haver razões técnicas muito bem explicadas. Porque senão é apenas uma questão de fé na Sra. Ministra e no seu Secretário de Estado.

Angola


Angola surge, mais uma vez, como a terra prometida.

Não serão exploradores a explorar explorados mas cidadãos de um estado a trabalharem para outro estado. Resolvem-se, pelo menos, dois problemas: reduzem-se os desempregados em Portugal, aumentam-se os empregos em Angola. Pelo menos, assim se espera.

Mas não deixa de ser curioso que assuntos como liberdade de expressão do pensamento, censura, presos políticos, eleições livres, corrupção e outras palavras e conceitos, tenham sido varridos para debaixo de todas as mesas, calando as consciências democráticas do nosso governo e dos nossos empresários que, subitamente, descobriram em José Eduardo dos Santos um parceiro estratégico para a economia portuguesa.

As voltas que a História dá.

Saúde a martelo

Correia de Campos não podia ter-se lembrado de um tema mais fracturante que a luta anti tabaco para fazer esquecer outros problemas, menos glamorosos, saudáveis e de tipo milénio XXI, mas talvez mais prementes, tais como a receita médica por denominação comum internacional, a liberalização do negócio das farmácias, a falta de médicos, o caos dos cuidados primários de saúde, etc.

Claro que se não deixarmos as pessoas fumarem, beberem álcool, comerem doces, usarem o carro, não caírem e não … (há sempre o perigo da SIDA e/ou do HPV), elas não adoecerão. O dinheiro que se pouparia, meu Deus!

Deve ser essa a ideia.

06 abril 2006

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Segredo

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
tem lá dentro um passarinho
novo.

Mas escusam de me atentar:
nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
e guardar
este segredo comigo.
E depois ter um amigo
que faça o pino
a voar…

(poema de Miguel Torga; pintura de Hachivi Edgar)

Credibilidade

A credibilidade de um governo joga-se, por vezes, em pequenos apontamentos tristes e delirantes.

1. A redução da taxa de alcoolemia é um deles.

Das duas uma: ou beber álcool, independentemente da quantidade ou da qualidade, altera as capacidades de concentração e de resposta ao estímulo, e deve ser proibida a ingestão a quem conduz, ou há um valor acima do qual isso acontece, e deve ser esse o valor fixado como máximo. Em qualquer das situações, se não houver fiscalização e punição a quem não cumpre, podem aprovar-se as leis mais maravilhosas que não têm efeito.

Então para quê esta polémica iniciada pelo Sr. Secretário de Estado Ascenso Simões, inclusivamente ameaçando as associações de produtores de vinho? E os condutores, não devem ser responsabilizados? E pelos vistos até parece que em 2003 e 2004, o número de condutores aos quais foram feitos testes de alcoolemia foi de 57102 e 53822, respectivamente. Destes 95,44% e 95,91% (respectivamente) tinham taxas inferiores ou iguais a 0,5g/l.

Tanta demagogia e tanta tontice!

2. As férias judiciais são outro.

O Sr. Ministro Alberto Costa ventilou aos quatro ventos que a redução das férias judiciais para um mês, aumentaria a produtividade dos tribunais em cerca de 10%. Também afirmou que se baseava num estudo já efectuado antes da posse deste governo.

Parece que o juiz Paulo Jorge Ramos de Faria decidiu queixar-se pelo facto desse estudo nunca ter sido mostrado. A Comissão de Acesso Aos Documentos Administrativos decidiu que esse documento deve ser divulgado e estar acessível a quem o quiser consultar.

Aguardemos que a determinação seja cumprida. Ou será que era tudo uma inverdade?

05 abril 2006

Foi ele!!


Foi ele o culpado.

Do défice, do atraso, da seca, da chuva, da falta dos subsídios, da negatividade a matemática, de Espanha, da alcoolemia, de sermos tristes e deprimidos, da preguiça, do desemprego, da vitória do Cavaco!

Foi ele!!!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...