08 abril 2006

Untitled


Languidez

Tardes da minha terra, doce encanto,
tardes de uma pureza de açucenas,
tardes de sonho, as tardes de novenas,
tardes de Portugal, as tardes de Anto,

como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!
Horas benditas, leves como penas,
horas de fumo e cinza, horas serenas,
minhas horas de dor em que sou santo!

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
que poisam sobre duas violetas,
asas leves cansadas de voar…

E a minha boca tem uns beijos mudos…
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
traçam gestos de sonho no ar…

(Florbela Espanca)

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