28 janeiro 2006

Sábado


A pouco e pouco, sem o atropelo dos sonhos, vai apercebendo-se dos contornos ao seu lado, da quentura dos cobertores, da macieza do corpo dele. Nem se mexe. A manhã espreita pelas persianas. Acende o rádio e goza a preguiça, misturada com os sons da falta de notícias do fim-de-semana.

É sábado!

(pintura de Raquel Martins)

27 janeiro 2006

Flamenco

Música e dança originárias de Andaluzia, mistura das culturas árabe, cigana, indiana, judaica e outras, é rude e melancólica, cheia de sensualidade, drama e cor.

Vale a pena ver o Ballet Nacional de España (Director artístico José António) o espectáculo no Centro Cultural de Belém: La Leyenda e Aires de Villa Y Corte.

Só até amanhã!

www.flamenco-world.com

(pintura de Jo Slater-Thomas)

25 janeiro 2006

Untitled


Cansei-me do silêncio
que as palavras me instalam.

Calo os dedos.
Espero-te.

(pintura de Gage Opdenbrouw)

24 janeiro 2006

Dois dias depois

(…) Manuel Alegre (…) conseguiu provar que ainda há espaço político em Portugal para a social-democracia de esquerda, e que a emergência desta pode travar a ascensão do BE, como se notou nos resultados de Louçã (as picardias entre os dois mostram que queriam ambos crescer para o mesmo espaço). Alegre teve ainda o mérito de mostrar que existe quem, na esquerda democrática, não morra de amores pela UE, e foi consequentemente republicano em questões como a lei da nacionalidade ou os direitos dos imigrantes (onde foi mais longe do que o actual Governo quer ir). (…)
Ricardo Alves, Esquerda Republicana (esquerdarepublicana.blogspot.com)

No programa “prós e contras” da RTP1, ontem à noite, e no “forum” da TSF, hoje de manhã, ouvi opiniões acaloradas sobre o significado político do resultado da votação em Manuel Alegre, e o que vai ele fazer com isso.

Parece-me que o PS, nomeadamente o seu secretário-geral, José Sócrates, deveria pensar no facto de Manuel Alegre ter provado estar certo, e ele errado. Deveria pensar que há muita gente que não se reviu na escolha feita pelo PS para candidato à presidência, ou seja, que o PS, poucos meses após uma maioria absoluta, não soube interpretar os anseios do seu eleitorado. Talvez não fosse má ideia repensar o método de decisão ou mesmo a formação dos órgãos de decisão do partido.

Mas não é o que vai acontecer. Na maior parte dos casos continua a subvalorizar-se o fenómeno da candidatura de Manuel Alegre, e a enterrar-se a cabeça na areia, não vendo o óbvio.

A verdade é que também não se percebe muito bem o que Helena Roseta quer dizer com “não deixar morrer este movimento de cidadania”, ou coisa parecida. Este movimento de cidadãos formou-se com o objectivo de eleger um presidente, mesmo sem o apoio de máquinas partidárias, pelo que foi pioneiro na demonstração de que isso era possível. Mas agora Manuel Alegre deve usar esse capital de experiência e de peso político na reforma do seu próprio partido.

E, se for necessário, por uma qualquer outra causa, liderar outros movimentos de cidadãos para atingir outros objectivos.
(pintura de Awiakta)

23 janeiro 2006

Untitled


Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida…
Sou isso, enfim…
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulho de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

(poema de Álvaro de Campos; pintura de Amadeo de Souza-Cardoso)

O dia seguinte

Muito já se disse e ainda se dirá sobre as presidenciais. Momentos de glória para alguns (Cavaco Silva, Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa), de desânimo para outros (Mário Soares, Francisco Louçã e José Sócrates).

Não deixa de ser triste ler alguns artigos de opinião, nomeadamente aqui, na “blogosfera”, de apoiantes de Mário Soares, cuja ideia de democracia varia consoante ganham ou perdem os seus candidatos. As diferentes e imaginativas cambalhotas contabilísticas para reduzir a vitória de Cavaco são hilariantes.

No PS já começou o apontar de dedos. Ana Gomes concluiu que Manuel Alegre é um dos grandes responsáveis pela derrota da esquerda. Será só cegueira?

Vai ser muito divertido ouvir e ler as diversas análises e teorias da conspiração a propósito do resultado eleitoral de Manuel Alegre, das suas intenções (ocultas) ou das dos seus apoiantes.

Espero que haja colaboração (e não competição) institucional.

22 janeiro 2006

Portugal



O teu destino é nunca haver chegada
O teu destino é outra Índia e outro mar
E a nova nau lusíada apontada
A um país que só há no verbo achar

(poema de Manuel Alegre;
pintura de Julie Cobden)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...