13 janeiro 2006

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Pelo que entendi, e foi pouco porque nada se entende desta confusão, todos os detentores de altos cargos políticos, Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Procurador-Geral da República, etc., etc, tinham os seus telefones sob escuta.

Porque motivo? Quem autorizou? De que crimes eram suspeitos, todos eles? Quem tem autoridade para autorizar as escutas? Com que objectivo as fez?

Mais uma vez, foi levantado um rigoroso inquérito que terá que ter resultados num brevíssimo intervalo de tempo senão, ouvimos nós em directo, o Presidente tirará as devidas ilações.

Quer dizer que não as tirou já? E Souto Moura, também não terá ilações a tirar?

Então e Cavaco Silva, Mário Soares, Francisco Louçã? Não é desta que acham que o procurador deve, tem que ser demitido?

Ao menos o poeta disse que o demitiria, mesmo antes desta última notícia.

Então isto é um estado de direito, um dos pilares da democracia?

Estamos em verdadeiro défice democrático.

12 janeiro 2006

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Noite fria, negra e brilhante,
nos meus ombros o peso
deste manto invisível.

Abro a janela e mergulho devagar
no próximo dia.



(pintura de Katharine White)

08 janeiro 2006

A Pedra


A pedra é bela, opaca,
peso-a gostosamente como um pão.
É escura, baça, terrosa, avermelhada,
polvilhada de cinza.
Contemplo-a: é evidente, impenetrável,
preciosa.

(poema de António Ramos Rosa; pintura de Fiona Mc’Lean)

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Teimosamente, insisto em ver alguns programas que, por puro preconceito, tenho como interessantes, porque as pessoas que os integram são, à partida, pessoas interessantes.

Isto a propósito de “O Eixo do Mal”, na SIC notícias. Vejo-o todos os sábados e irrito-me sempre, de tal maneira a frustração é grande.

Com um ar “blasé” e sofisticado, de intelectuais modernos e espirituosos, aqueles personagens permitem-se dizer barbaridades com as certezas de um ego bem nutrido, comentários supostamente “giros” e irreverentes, gesticulando muito e dizendo piadas que só têm graça entre eles.

São estes os nossos pretensos intelectuais, de um pedantismo bacoco, que olham as pobres velhas desdentadas, despenteadas, gaiteiras, como se de peças de artesanato se tratassem, com paternalismo e distância, dando-se ao luxo de debitarem tolices que nós, estupidamente, estamos predispostos a ouvir.

Desisti. Vou superar o preconceito pseudo-intelectual.

07 janeiro 2006

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Tu e Eu

Tu enches os meus pensamentos
Dia após dia;
Saúdo-te na solidão
Fora do mundo;
Tu tomaste posse
Da minha vida e da minha morte.

Como o sol ao nascer
A minha alma contempla-te
Com um único olhar.
És como o alto céu,
Eu sou como o mar infinito
Com a lua cheia no meio;
Estás sempre em paz,
Eu estou sempre inquieto,
Embora no horizonte distante
Nos encontremos sempre.


(poema de Rabindranath Tagore; pintura de S.K.Sirajuddin)

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A constituição na gaveta?
Se há palavra rara no discurso cavaquista é a Constituição. E no entanto, o papel do Presidente da República, que começa justamente por jurar a Constituição, é o de a cumprir e fazer cumprir e de promover e dinamizar os valores constitucionais (entre os quais o desenvolvimento é apenas um entre muitos). Sabendo-se que o candidato não morre de amores pela Lei fundamental e que entre os seus apoiantes estão os defensores de "outra constituição", será excessivo temer que uma eventual presidência cavaquista possa significar meter a Constituição "na gaveta"? – Vital Moreira no Super Mário


Não percebo porque é que os candidatos a presidente e seus apoiantes afirmam veementemente que não precisam de mais poderes, e que cumprirão escrupulosamente a Constituição. Nem poderia ser de outra forma, pois essa é uma das suas principais funções (cumprir e fazer cumprir a Constituição).

No entanto, a Constituição e a sua revisão não são, penso eu, temas tabus. Se, de facto, existe na sociedade o sentimento de que é necessário discutir os poderes presidenciais, essa discussão deveria ser levantada agora, e os candidatos deveriam explicitar quais os poderes a mais (ou a menos) que reivindicam. Não para que o presidente eleito se sinta legitimado a exercê-los, mas para que motive os partidos com assento parlamentar a esclarecerem os eleitores sobre as suas posições e, eventualmente, numa próxima revisão, modificarem a constituição.

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É muito fácil denegrir a imagem seja de quem for. Os portugueses são exímios em denegrirem a sua própria imagem. Lamentamo-nos e queixamo-nos sempre de tudo e de todos, especialmente do Estado, aquela entidade ou aquele ente, a quem culpamos de tudo. No entanto, somos os primeiros a exigir do estado o que ele não pode nem deve dar, e os primeiros a ludibriar o estado, sempre que pudermos.

Penso que nos esquecemos que o estado deveria assegurar alguns serviços aos cidadãos (e aí há divergência de opiniões relativamente a que serviços). Mas a filosofia do serviço público deveria ser servir os cidadãos, não os funcionários do estado.

A organização dos serviços públicos, nomeadamente na saúde, na educação, na justiça e na segurança, deve ser pensada e implementada, reorganizando-os geograficamente, em termos de recursos humanos, na rentabilização dos espaços físicos, etc, na medida em que sejam melhores e mais eficazes. O estado gastaria menos e melhor se premiasse quem trabalha bem, a tempo inteiro e em dedicação exclusiva, se definisse objectivos a cumprir, se responsabilizasse os responsáveis, se remunerasse condignamente, sem subsídios, horas extraordinárias e outros subterfúgios.

Para o serviço público deveriam ser recrutados os melhores. E nas várias carreiras envolvidas, deveria ser considerado um privilégio e uma promoção ser contratado pelo Estado.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...