18 dezembro 2005

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(pintura de Dório Gomes)

Para quem, como eu, agnóstica, a favor da retirada dos crucifixos das escolas, mas comemorando o Natal, o artigo de Frei Bento Domingues, no "Público", recentra o significado da "festa da família", redefinindo a família como os cristãos a interpretam (ou, pelo menos, alguns cristãos). Impressionou-me.

17 dezembro 2005

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Amorosamente, pintei bolas de várias cores,
dobrei laços, embrulhei amor,
num presente de mim própria.

Olhei para a obra acabada,
tão triste e tão enfeitada,
que retirei o papel,
e escondi-me no armário.

Talvez para o ano,
no próximo Natal,
tenha um aspecto mais festivo.

As sondagens devem ser vistas como indicadores. É claro que os "timings" da discussão dos resultados, a forma como são comentadas, o que se escolhe para grandes títulos, etc, não é inocente.

Mas parece-me um grande erro político a reacção de Manuel Alegre à última sondagem da Eurosondagem, divulgada na SIC, no Expresso e na TSF. Inevitavelmente surge a comparação com as reacções de Santana Lopes, nas últimas eleições legislativas, relativamente a sondagens, nomeadamente às desta empresa.
Se os resultados não são brilhantes, Manuel Alegre deve procurar elucidar os eleitores, mais e melhor, não se proclamando vítima de manobras obscuras. Se elas existem, serão facilmente entendidas por todos. Haverá mais sondagens, por esta e por outras empresas, e haverá o dia da eleição, que tirará todas as dúvidas.
Espero que Manuel Alegre não se deixe arrastar pela indignação fácil, e que não forneça, à campanha de Mário Soares, armas que possam ser usadas contra ele próprio. O que se espera de um futuro presidente é frieza e "savoir faire" em determinadas circunstâncias, nestas circunstâncias.
Tenho, no entanto, enorme curiosidade em saber como foi possível a Jorge Coelho, na última 4ª feira, na "Quadratura do Círculo", em directo, após o debate entre Manuel Alegre e Mário Soares, comentar sondagens que estaríam para ser publicadas, quando a única que foi publicada, a da eurosondagem, acabou as entrevistas na mesma 4ª feira, por volta das 20H, segundo informações de Oliveira e Costa, ontem, dadas à SIC. Como é que Jorge Colelho já sabia os resultados???
Gostei imenso do artigo de Helena Matos, no "Público" de hoje.

16 dezembro 2005

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Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
Falem pouco, devagar.
Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.
O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.
O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.
O que vivi? Era tão bom dormir!

(poema de Álvaro de Campos; pintura de Bender Resimler)




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E todos se agrupam à volta da nova estratégia: o slogan agora é "todos devem desistir a favor de quem está melhor posicionado para derrotar Cavaco Silva". Finalmente começamos a ouvir o tão falado apoiante PS, com GRRRAAANNNDES figuras do partido, ao mais ALTO NÍVEL, a fazer campanha por Mário Soares.
O desespero parece ser grande. Não conheço as tão faladas sondagens da famosa descolagem de Mário Soares, continuo a aguardar.
Sejam quais forem os resultados das sondagens, reais ou fictícias, quem se bate por ideias bate-se até ao fim. São os votos dos eleitores que contam. Depois se verá.

15 dezembro 2005

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Desde ontem, depois de ter ouvido Jorge Coelho sugerir a desistência dos candidatos de esquerda (leia-se Manuel Alegre) em favor de Mário Soares, depois do debate entre os dois, dizendo que já tinha havido uma GRAAAANNNNDE descolagem de Mário Soares, e que os votos de Manuel Alegre se perdiam todos os dias, e QUE TODAS AS SONDAGENS o demonstravam, afadiguei-me a procurar essas sondagens. Onde estão publicadas? Quem as fez? Quem tem conhecimento delas? Aparentemente, apenas a candidatura de Mário Soares.


Será que a nova estratégia eleitoral de Mário Soares passa pela montagem de factos virtuais, na tentativa de desmoralizar os eventuais votantes em Manuel Alegre?

Vi o debate e não gostei muito. Mário Soares foi de um paternalismo insuportável, disse muitas banalidades, não respondeu a perguntas importantes, nomeadamente meteu os pés pelas mãos relativamente à luta contra o terrorismo, etc., e as suas alegações finais foram confrangedoras. Manuel Alegre caiu na armadilha de responder às provocações de Soares e perdeu a cabeça quando assumiu que poderia dissolver a assembleia por causa da privatização da água. Por outro lado, a referência ao artigo de Miguel de Sousa Tavares foi de mau gosto e o apelo às mulheres, e não a citação de Sophia de Mello Breyner Andresen, foi oportunista e eleitoralista.

Não me parece que, qualquer deles, tenha "ganho" o debate.

Apesar de tudo, Manuel Alegre tem mais ideias e uma linguagem mais inovadora que Mário Soares (aquele ar de professor condescendente fica-lhe muito mal e só mostra o pouco respeito que nutre pelo seu adversário).

14 dezembro 2005

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Desequilibrei-me dentro deste labirinto
multiplicado por árvores emaranhadas
não vejo não sinto não sei
o verde das folhas secou os nós dos dedos
abriram as flores o fundo
confuso
o mundo

(pintura de Marilyn Goodrich)


Por vezes somos confrontados com a nossa impotência, a nossa tão humana fragilidade e imperfeição. Por vezes não sabemos esperar que os sentidos se arrumem e façam um padrão coerente. Por vezes somos abraçados pela incapacidade e insuficiência do nosso amor.

12 dezembro 2005

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Compreendo os professores que têm que se deslocar distâncias consideráveis para leccionarem. Comprendo que sofrem as suas famílias e que a instabilidade é enorme. Mas, a verdade é que cabe ao estado zelar para que as escolas públicas tenham profissionais de qualidade, com um mínimo de garantia de continuidade do processo educativo.
Quando se abre um concurso público para preenchimento de vagas para uma determinada função, a entidade empregadora (neste caso o estado, ou seja, nós) tem o direito de impor um determinado tipo de condições para o preenchimento daquele lugar. As habilitações académicas, o horário de trabalho, etc. Quem concorre não é obrigado a aceitar. Não me parece ilícito que o estado exija que os professores assegurem uma continuidade de trabalho numa determinada escola.
O que já não me parce bem, conforme ouvi de vários professores, no forum TSF, é que professores efectivos estejam em escolas longínquas, sem possibilidade de se aproximarem da sua área de residência, e haver lugares nas escolas dos centros urbanos ocupados, em anos consecutivos, por professores contratados. Tudo isto me parece uma grande trapalhada.
E porque não dar autonomia às escolas para contratarem os seus profissionais?

10 dezembro 2005

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Receita para fazer um herói

Toma-se um homem
Feito de nada como nós
Em tamanho natural
Embebece-lhe a carne
De um jeito irracional
Como a fome, como o ódio

Depois perto do fim
Levanta-se o pendão
E toca-se o clarim...

Serve-se morto

(poema de Reinaldo Ferreira; desenho de Álvaro Cunhal)



Assisti, na FNAC do Colombo, a uma pequena conferência com o Pacheco Pereira, Lúcia Lepecki e uma representante da "Temas e Debates", a propósito do 3º volume da biografia política não autorizada de Álvaro Cunhal. Para quem, como eu, ainda não leu este volume, ficou com intensa curiosidade de o fazer, tal a excelente apresentação que Lúcia Lepecki fez. Pacheco Pereira discorreu sobre Álvaro Cunhal, o PCP, a clandestinidade, os mitos, a história oficial e a verdadeira, enfim, um conhecimento profundo, um interesse enorme, um trabalho monástico, como lhe chamou Lúcia Lepecki.

É, de facto, uma importantíssima parcela da história contemporânea de Portugal que Pacheco Pereira tem investigado, apesar das dificuldades do secretismo, que ainda persiste, e das paixões extremadas a favor e contra Álvaro Cunhal e o ideário comunista.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...