10 dezembro 2005

Untitled


Receita para fazer um herói

Toma-se um homem
Feito de nada como nós
Em tamanho natural
Embebece-lhe a carne
De um jeito irracional
Como a fome, como o ódio

Depois perto do fim
Levanta-se o pendão
E toca-se o clarim...

Serve-se morto

(poema de Reinaldo Ferreira; desenho de Álvaro Cunhal)



Assisti, na FNAC do Colombo, a uma pequena conferência com o Pacheco Pereira, Lúcia Lepecki e uma representante da "Temas e Debates", a propósito do 3º volume da biografia política não autorizada de Álvaro Cunhal. Para quem, como eu, ainda não leu este volume, ficou com intensa curiosidade de o fazer, tal a excelente apresentação que Lúcia Lepecki fez. Pacheco Pereira discorreu sobre Álvaro Cunhal, o PCP, a clandestinidade, os mitos, a história oficial e a verdadeira, enfim, um conhecimento profundo, um interesse enorme, um trabalho monástico, como lhe chamou Lúcia Lepecki.

É, de facto, uma importantíssima parcela da história contemporânea de Portugal que Pacheco Pereira tem investigado, apesar das dificuldades do secretismo, que ainda persiste, e das paixões extremadas a favor e contra Álvaro Cunhal e o ideário comunista.

3 comentários:

  1. HarryHaller10:01

    Também eu fiz parte dos presentes, e subscrevo na íntegra, o comentário que fez ao evento. Acrescentarei,o facto das palavras da Professora Lucia Lepecki e das do Dr. Pacheco Pereira, me terem incentivado a comprar não o volume objecto da conferência, mas o volume anterior,pois, só tinha o 1º, adquirido através do circulo de leitores.Não estou arrependido pela compra que fiz, pois, li 100 páginas durante o fim de semana, o que para um livro de temática histórica, embora biográfica, o mérito esteja mais na capacidade do autor na forma como o escreveu, do que no meu mérito de leitor.
    Peço desculpa, se me alonguei um pouco.

    Um bom dia e parabéns pelo seu interessante blog.

    Lobo das Estepes

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  2. Carlos Azevedo16:32

    As posições extremadas (pró ou contra), normalmente, só acontecem relativamente a pessoas absolutamente fascinantes. Álvaro Cunhal, goste-se ou não do político, é uma dessas pessoas.

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  3. Sofia Loureiro dos Santos17:45

    Caros Harryhaller e Carlos Azevedo

    Agradeço os vossos comentários. Também penso que Álvaro Cunhal era um homem excepcional, o que se prova pelo facto de, como diz Carlos Azevedo, se falar dele com paixão.

    Cordialmente

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