Durante muito tempo achei que não se deveria dar palco a
André Ventura e aos seus apaniguados. O que dizem é de tal forma idiota,
mentiroso, manipulador, desonesto, etc, que qualquer pessoa com o mínimo de
decência conspurcar-se-ia se se misturasse com essa gente.
O problema é que não resulta. Não é o desprezo e a
consciência de que não é possível falar em níveis minimamente aceitáveis com
esses fascistas que os faz desaparecer. Muito pelo contrário, essa minha
crença, comungada por tantos outros, não se deu conta de que os deixámos a
falar sozinhos, pois retirámo-nos da equação.
Ao assistir ontem ao frente a frente absolutamente
inacreditável entre Pacheco Pereira e André Ventura, com vómitos, felizmente
metafóricos, permanentes, que percebi que não poderíamos manter este
distanciamento higiénico.
Ao contrário de tantos comentadores, que apelidaram Pacheco
Pereira de ingénuo, espantando-se com o que o terá levado a fazer o repto que
fez a André Ventura, só posso agradecer-lhe pela coragem de rolar na
lama, na pocilga em que André Ventura transforma qualquer hipótese de conversa.
Temos de ir à luta, sim, custe o que custar, e não nos
calarmos de nojo perante aqueles que avançam sem medo, que mentem sem vergonha,
que distorcem, que caluniam, que insultam, que misturam e comparam o que não é
miscível nem comparável.
Temos de estar sempre presentes, provocar-lhes a ira,
provocar-lhes a fácil e rápida falta de educação, a ignorância contente, a
empáfia dos alarves que se comprazem com o ódio e a crueldade.
Não é possível mantermos esta atitude de democratas
tolerantes e condescendentes. Democratas e tolerantes perante opiniões sim, mas
sempre irredutíveis no que diz respeito à negação daqueles que utilizam mentiras para desculpabilizar uma ditadura férrea, irascíveis na não aceitação de insultos a quem
lutou toda a vida pela democracia e pela liberdade. Não é mais possível ignorar o
desrespeito, a grosseria, o bulling deste grupo.
Hão de falar tanto, gritar tanto, espalhar lama por tanto
lado e por tanta gente, que ela acabará por lhes cair em cima. Nunca devemos
desistir de o mostrar, de os apelidar de mentirosos, ignorantes, racistas,
xenófobos, mal educados, grosseiros, misóginos, corruptos, tudo o que, de
facto, são.
Estes aprendizes de Trump não nos podem calar por falarem mais alto. A coragem é mesmo enfrentá-los. Não é mais possível suster a
respiração e tentar olhar para o lado.
Pacheco Pereira fez o que todos devemos fazer – mostrar que
não admite os epítetos que aquele beato mentiroso usou.
Não nos enganemos. A democracia precisa de ser defendida.
Absolutamente de acordo. Acho também que temos de exigir mais respeito e rigor por parte dos moderadores deste tipo de debates. Por exemplo, para evitar a mania que Ventura tem de interromper permanentemente o interlocutor, porque razão não se fecha o seu microfone quando é aquele a falar?
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