A ascensão de Trump ao poder levou a sociedade a aceitar como normal as maiores idiotices, violências, más educações e loucuras dos líderes de extrema direita.
O desbragar da linguagem, a transformação de todos os palcos
mediáticos em espaços mal cheirosos, sujos e apenas frequentados
por gente ignorante e mal educada, parece agora a norma.
Não se debate, insulta-se, grita-se e interrompe-se para não se deixar falar mais ninguém. A desvergonha, a triste figura que fazem e o exemplo
dado só pode conduzir a uma sociedade intolerante, obscena, retrógrada, que
elogia e se compraz com a ignorância.
Está o mundo de cabeça para baixo.
O que eu não entendo é a conivência dos órgãos de
comunicação com este género de políticos, comentadores, especialistas de coisa
nenhuma.
Não compreendo como é que, por exemplo, após a má educação de Rodrigo Taxa, deputado do Chega, não foi de imediato suspenso o programa. E ainda, para cúmulo, continua a ser convidado pela RTP!
Lembro-me de um (pseudo)debate com a Inês de Medeiros
onde, quando esta fala de Flaubert e de uma frase a ele atribuída – Madame Bovary c’est moi - ficou abespinhado e acusou Inês de Medeiros de tiques de
intelectual de esquerda, exclamando – vem com a madame de Bauvoir, ou que é.
Enfim, para Rodrigo Taxa, Gustave Flaubert, Madame Bovary e
Simone de Bauvoir são figuras totalmente desconhecidas. A satisfação alarve da
ignorância.
A cidadania é da responsabilidade de todos. Se os órgãos de comunicação social, nomeadamente a RTP, pactuam com estes desmandos, é porque se demitiram do seu papel.

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