31 março 2013

Tradição

 



 


Em resposta a uma pergunta de um simpático e atento comentador deste blogue, a tradição foi cumprida a preceito. A metade do cabrito partida aos pedaços, em que se destacava a meia cabeça que é sempre um pouco arrepiante, esteve de marinada em vinho, várias ervas, das quais destaco o tomilho e a bela-luz, sugerida (e colhida) por uma Tia bem ciente de saberes e sabores dos montes, sal e xarope de ácer, desde a véspera. Com um pouco de azeite, foi ao formo no tabuleiro do forno assou durante cerca de 1h30, em lume brando, virando-se de meia em meia hora. Juntaram-se castanhas em vez de batatas, e o acompanhamento leguminoso deste ano foi um esplendoroso esparregado.


 


Para a sobremesa pensei em várias inovações com base no bolo podre, pois tinha feito uma geleia de pera que mais parecia mel (ponto a mais). Mas como a recompuz com a compota de pera (ponto a menos), e como as expressões um pouco torcidas de quem me acompanha nestas aventuras, perante a substituição do mel pela dita geleia, não me incentivaram minimamente a tais experiências, resolvi jogar pelo seguro: foi um delicioso pão-de-ló, batido por muitos minutos por uma alma caridosa, regado com um creme de chocolate, aos quais se associaram bocadinhos de ananás muito doce.


 


O vinho foi, também para manter a tradição, Châteauneuf-du-Pape. Enfim, mais umas amêndoas de chocolate branco e negro, foi um verdadeiro festim. Ao menos isso, que o tempo estava muito pouco alegre. E ressuscitar, só mesmo o pecado da gula.


 

Via Crucis, Maria

 



 Barbara Furtuna & L'Arpeggiata


 


 


Sem palavras. Via Jugular.


 

Do Porto

 



  

Vote for me

Boa Páscoa

 



Martiros Saryan


at the spring


 

30 março 2013

Renovação

 



 


Na berma da estrada correm flores roxas e amarelas, numa exuberância de vegetação bêbeda de água. O céu grita de azul e a mornidão do dia desabriga os passeantes.


 


A quietude e a cíclica renovação da natureza, ontem chuvosa, cinzenta e meditabunda, hoje indisciplinada e adolescente. Nada é eterno, nada é inamovível, nada é inevitável. Nasce-se, cresce-se e morre-se; sexta-feira da paixão, sábado de aleluia, domingo de ressurreição - Cristo como metáfora do que sabemos desde tempos imemoriais, desde o início da vida.


 


É esta a certeza que devemos ter sempre presente, por muito longínqua que a esperança esteja. Estamos apenas em gestação.


 

O gosto da descoberta

 



 


Não encontrei nenhum trabalho, teoria ou reflexão filosófica que explicasse a razão de haver uma associação entre a literatura policial culinária. Dos autores que conheço, bem sei que poucos dos milhões que devem existir, o que desvaloriza totalmente a amostragem, três, e todos pertencentes à Europa mediterrânica, têm detectives gourmet: Comissaire Maigret, de Georges Simenon, Pepe Carvalho, de Manuel Vázquez Montalbán, e o Inspector Jaime Ramos, de Francisco José Viegas.


 


Haverá alguma conexão especial entre o gosto e o raciocínio lógico, ou entre o gosto e a pulsão para a violência, para o crime? As sensações despertadas pelos odores das ervas e das carnes, pelas texturas e pelas cores dos alimentos, pelos paladares dos doces e dos ácidos, serão semelhantes às do encontro de padrões de comportamento, dos elos perdidos nas cadeias de acontecimentos, das motivações escondidas da superfície, da incapacidade de não esgravatar à procura do tesouro, da resposta a um enigma?


 


Cozinhar ocupa as mãos, que se desdobram em afazeres de esmagar, cortar, mexer, misturar, libertando a mente para o raciocínio e a contemplação. Por outro lado, as memórias evocadas pelos cheiros e pelos sabores, poderão estimular miríades de outras memórias e de saberes aprendidos sem nos darmos conta, que ligam factos e levantam mais perguntas.


 


Há dias ouvi Francisco José Viegas contar que lhe faziam, por vezes, perguntas, como se Jaime Ramos fosse real. Pois o Inspector Jaime Ramos é real, tem uma casa onde mora, ruas por onde caminha, mercados onde escolhe os ingredientes que cozinha devagar, enquanto saboreia um bom vinho, um clube pelo qual torce, um trabalho que lhe revela a sua própria humanidade. Poderá até ser mais real do que o próprio criador. E este é um dos maiores elogios que se pode fazer a um escritor.


 

28 março 2013

Sobre a entrevista de Sócrates

 


Subscrevo muito do que Porfírio Silva diz, principalmente a sua última frase:


(...) Dito tudo isto, tomara Portugal poder contar com muitos políticos com a preparação, a força e o patriotismo de José Sócrates. Fazem-nos tanta falta políticos desses como não nos fazem falta nenhuma quaisquer excessos de sebastianismo positivo ou negativo.


25 março 2013

O Coleccionador de Erva

 


Francisco José Viegas de regresso aos livros e ao Inspector Jaime Ramos - uma boa prenda nesta Páscoa de martírio continuado:


 



 Livraria Bertrand, Chiado


18h30


26 de Março de 2013


Pedro Marques Lopes apresenta


 

24 março 2013

Sócrates - o regresso

 



 


A reacção à notícia da contratação de Sócrates pela RTP pertence ao domínio da patologia social. Ou ao domínio do pavor irracional. Ou ao domínio da mediocridade acéfala. Ou ao domínio da incapacidade de sentir a democracia.


 


Ao fim de dois anos há um enorme vazio de liderança no PS, onde António José Seguro continua a protagonizar a ausência de alternativa à política desastrosa do governo e da maioria PSD/CDS. Por outro lado, toda a propaganda feita durante os últimos meses do governo anterior, comandada pelo Presidente da República, em que diariamente se demonstrava a necessidade absoluta de mudar de governo pela exorbitância dos sacrifícios que se estavam a impor aos portugueses, com a implementação dos sucessivos PECs negociados com a Europa, em que diariamente se propalava a obrigatoriedade de recorrer ao resgate do país, culpando-se Sócrates de ser teimoso e de negar essa assistência financeira, em que diariamente todos os comentadores e economistas faziam eco da bondade e inevitabilidade das medidas de austeridade que iriam salvar o país, se esboroou e escancarou todo o embuste que venderam.


 


Imediatamente após o assalto ao poder, esta maioria fez exactamente o contrário do que prometeu, a troco de exactamente nada, ou mais precisamente, a troco de um retrocesso não só económico como social. O trabalho não vale nada, os direitos sociais transformaram-se num luxo só para alguns, a ideologia reinante regressou ao miserabilismo e à corrente da minoria que tudo tem e da imensa maioria que se deve contentar e agradecer o pouco que pode.


 


Não tenho quaisquer dúvidas de que o regresso de Sócrates significa que ele quererá regressar à política activa. E já teve algum resultado, como a moção de censura que António José Seguro resolveu anunciar. De repente o PS quer dizer que está vivo. Por outro lado lêem-se artigos que defendem o resgate da área do comentarismo político para os jornalistas, quando estes apenas fazem propaganda mascarados de imparciais observadores da realidade. Aguardo ainda os sinais da Presidência. Calculo o desconforto causado pela ideia de ter José Sócrates a falar de algumas nebulosas acontecidas durante os seus governos.


 


Na verdade estamos todos à espera da entrevista agendada para 4ª feira. Se foi Miguel Relvas o autor de tão estrondosa ideia, como se diz por aí, não percebo muito bem o alcance da mesma. Para Sócrates até pode ser uma péssima aposta. O desgaste mediático de uma permanência semanal à frente das câmaras e o teor do género de programa não permitem distanciamento e convidam ao imediatismo e superficialidade das análises. Basta comparar com o que se passa com Marcelo Rebelo de Sousa, cuja hipótese de candidatura presidencial me parece cada vez menos credível, pois está transformado no Professor Zandinga da política. De qualquer das formas, odiado por uns, aplaudido por outros, já mexeu um pouco estas águas paradas.


 

18 março 2013

Até quando

 



Jochen Hein: see II 


 


Levantamos o corpo numa penitência diária


de quem ignora ao que regressa


não sabemos parar este irremediável aperto


do tempo esta camisa de ferro a que nos comprometemos


obrigações que só a nós amarrámos mas


que outros sentem secretamente.


Levantamos os olhos da terra para onde


queremos mergulhar mítico lugar de alimento


e paz onde o deserto das casas e das ruas não assusta


mas comove. Recolhemos a vontade aonde ela já não existe


reinventamos em cada segundo a energia que move


músculos e engole a funda tristeza da desesperança.


Até quando.


 

17 março 2013

Aproxima-se uma tempestade de silêncio

 



Ulla Gmeiner:


rauschende stille/roaring silence


Poema de: Porfírio Silva


 


Aproxima-se uma tempestade de silêncio.


As palavras e as bocas desencontraram-se


na poeira do mundo. A única aresta do tempo


onde passados e futuros se encontram,


a tua carne, arde. Essa linha arde, desde esta tarde,


na recusa da tua memória. Há uma terra


repleta, há uma terra deserta


e entre uma e outra um oceano de bocas


fervilham pelo mundo sem que nada aconteça.


Aproxima-se uma tempestade:


sobre esta colina onde vivo abate-se um alvoroçado


silêncio. Palavras e bocas tresmalhadas


tapam o sol e a lua:


chegou o tempo de um eclipse parecer uma promessa.


 

Um dia como os outros (126)

 



(...) Mas, convenhamos, é Gaspar o maior culpado? Obviamente que face aos resultados das suas acções não poderia ficar nem mais um segundo no Governo, mas foi ele quem disse que mesmo que não estivéssemos sujeitos a este memorando de entendimento o iríamos aplicar? Foi ele que disse que se devia ir para além da troika? É ele o maior responsável por uma política que o melhor horizonte que tem para nos apresentar é um desemprego de 18% para 2016?


Foi ele quem definiu uma meta que consiste em destruir uma inteira geração através duma austeridade sem perspectivas? Foi ele quem definiu uma política, que agora não há ninguém que não saiba, provocou que todos os sacrifícios, todos os cortes, todas as desgraças provocadas tivessem sido em vão? Foi Gaspar que condenou os nossos filhos, sobrinhos e amigos a emigrar definitivamente pois o País nada lhes terá para oferecer nas próximas décadas?


Não, não foi ele. Foi o primeiro-ministro. E existisse sentido de Estado, conhecesse Passos Coelho o verdadeiro estado do País, entendesse a enormidade das suas opções e o primeiro-ministro pediria uma audiência ao Presidente da República e faria também o evidente: apresentaria a sua imediata demissão.


A dimensão da tragédia que nos foi apresentada é demasiado brutal para que tudo fique na mesma. Nós já a conhecíamos, mas pela primeira vez o Governo deu a entender que finalmente tinha percebido. Convenhamos, era, aliás, impossível, desta vez, não perceber: os números, sobretudo os do desemprego, são demasiado estridentes.


Falhou, falhou tudo. O fracasso é completo e total. Um Governo que precisa de aqui chegar para perceber que errou não pode permanecer em funções. Um Governo que foi o primeiro agente de destruição duma geração, dum tecido económico, de ter criado uma situação social insustentável, um nível de desemprego que destrói uma comunidade, não pode agora vir dizer que vai mudar (nem essa intenção tem, claro está). Um Governo que espalhou e aplaudiu todo o napalm económico e social que vinha da Europa não tem a mais pequena capacidade de negociar uma outra política. (...)


 


Pedro Marques Lopes


 

16 março 2013

Abismos

 



 


É difícil perceber a obtusidade, a incompetência e o total desrespeito pelas pessoas e pela democracia destes líderes europeus. Vamos de abismo em abismo até...


 

Camille Claudel

 


 



 


 


 



Bruno Nuytten


 


 


 



 Bruno Dumont


 


 


Vi o primeiro filme, com umas soberbas interpretações de Isabelle Adjani e Gérard Depardieu. Fiquei fascinada com Camille Claudel e com as suas obras, a loucura, a obsessão pela terra, pelas mãos, pela criação, o amor-ódio por Rodin e a traição do irmão. Mal posso esperar por esta versão.


 

Prelúdio & Fuga Nº 5 em Ré maior BWV 850

 



 Friedrich Gulda


 


 




 

A recompensa

 


"Troika" só envia novo cheque após despedimentos no Estado


 


Que faria se tivéssemos sido maus alunos...


Das reformas estruturais

 


Acho muito interessantes os anúncios das já feitas e das ainda por fazer reformas estruturais. São palavras na moda que não querem dizer absolutamente nada. Uma das áreas que se está sempre a reformar é a função pública. Agora fala-se em redução dos funcionários públicos. Não tenho nada contra. Conheço imensos funcionários públicos que não trabalham, que têm o seu emprego mais ou menos garantido, que se queixam todos os dias de todos os males do universo e não mexem uma palha para os melhorar. Aliás como muitos funcionários privados. Mas as rescisões que se vão iniciar serão com base em que escolhas? Quais os funcionários a dispensar? Os que não produzem e boicotam ou aqueles que têm contratos a 1 mês, renováveis ou não, que estão a recibos verdes? E estará o governo preparado para pagar bem e dar condições aos melhores quadros, de forma a ter uma função pública moderna, eficiente e ao serviço dos cidadãos?


 


Todos sabemos que o resultado desta maravilhosa reforma estrutural vai ser um estado mínimo e deficiente, burocrata, lento e medíocre. E de mais um exército de desempregados.


 

Mais de 24 horas

 



 


Apesar de meio anestesiada, pois as declarações do governo já não me espantam, começo a contar as horas de espera pelo pedido de demissão do ministro Vítor Gaspar.


 


Depois de ouvir o Bloco Central, em que Miguel Frasquilho tenta assacar a responsabilidade à Troika de não se ter alterado o rumo das medidas de austeridade, defendendo que deveria ter sido a Troika a inflectir o caminho, até pelo bom comportamento, aliás exemplar, do povo português, eu estou totalmente em desacordo. É ao governo, à Assembleia da República e ao Presidente que se devem assacar as responsabilidades. Em vez de aluno exemplar, o que esperávamos era que o governo defendesse o povo, demonstrasse que esta condução política não servia, que este tipo de medidas eram contraproducentes.


 


O problema é que este governo, este primeiro-ministro e este ministro das finanças queriam estas medidas, assumiram como deles esta política, comungam desta ideologia, foram até para além do que a Troika preconizava. Por isso acho inqualificável as tentativas que agora se fazem para branquear aquilo que foi opção do governo e da maioria.


 


Não foi a Troika que impôs, foi o governo. E o que mais me assusta é que não se vislumbra qualquer desanuviamento nos anos futuros, nos muitos anos que se avizinham. Onde está o Presidente? De que está à espera para, em segredo ou através do facebook, forçar a demissão deste governo? Tente encontrar outro com este Parlamento e, caso não seja possível, convoque eleições legislativas?


 

15 março 2013

Triste, cinzento e revoltado

 



i online


 


O governo soma e segue e continua com a incapacidade de cumprir todas as metas a que nos obrigou, depois de ter tomado todas as medidas adicionais que empobreceram e empobrecem o país, aumentam o desemprego e reduzem a esperança.


 


É um governo para lá de inacreditável, mas o que mais me entristece e desampara é que o PS não se transforma nem se revela, numa inconsistência abúlica que explica as intenções de votos nas sondagens. Por outro lado, figuras do regime que se pretendem agora fora do mesmo, figuras das décadas democráticas, com responsabilidades nas decisões e opções tomadas, nem que seja pelo seu voto, tal como todos nós, que dizem defender a refundação ou a reforma ou a remodelação, tanto faz, do regime democrático, falam dos partidos, do parlamento, das eleições e dos governos como algo a que são alheios e que cheira mal. Afirmando ao mesmo tempo que não conhecem democracia sem partidos.


 


Querem a quadratura do círculo? E porque não fundarem outro partido? E porque não filiarem-se nos que existem e lutarem, dentro deles, para a tal moralização, rejuvenescimento ou renascimento da política? Têm ideias e ainda bem, mas começarem manifestos a falar da vivência democrática como de alguma coisa de que os protagonistas devem penitenciar-se, não augura nada de bom.


 


Triste, cinzento e revoltado, o povo assiste a quem tanto por ele fala, a quem tanto por ele reivindica, a quem tanto o quer salvar e afunda. Como sabem os manifestantes da vontade do povo? Como a medem, como a auscultam, quem lhes deu a responsabilidade de o representar?


 


E o Presidente da República, o garante do funcionamento das instituições, do alto da sua magistratura clandestina não cumpre o papel de provedor do povo, de último reduto a quem recorrer. Não existe.


 

09 março 2013

African Americans

 


Grande curiosidade, confesso, grande curiosidade de conhecer os States/ Uncle Sam. Filmes de Woody Allen, Clint Eastwood, Steven Spielberg, series como CSI e semelhantes, tantos livros e conversas, algumas mais intelectualizadas, outras mais banalizadas, experiências ouvidas sobre as ignorâncias, conservadorismos, grandes inovações e maluqueiras, a tolerância, a riqueza, a violência, enfim, tudo o que associamos ao desconhecido e apetecido do que não conhecemos mas, de alguma forma, queremos. Aí vou eu com dólares e mala feita para uma semana, com os olhos e os ouvidos bem abertos para captar tudo. Segurança e mais segurança, tudo a tirar cintos e sapatos, a esventrar carteiras, a despachar laptops e telemóveis, a despejar garrafas de água e a rosnar impropérios. Muitas bandeiras e muitos welcome to america. Nova Iorque vista do ar, o reconhecimento das imagens milhares de vezes observadas na televisão, um frémito de antecipação do gozo de viajar.


 


Negros, muitos, pobres, Uma enorme simpatia de polícias, empregados de mesa, porteiros, pessoal de apoio, camionistas. Sorriso aberto, voz doce e melodiosa, how are you today, hello ladies, are you well this morning, where are you from. Metem conversa, oferecem ajuda generosamente. Alegres e ruidosos, os restaurantes são uma babel de gritaria, televisão, música, o que vier. Empregados maioritariamente negros, velhos os porteiros, os camionistas, o pessoal de apoio ao congresso; novos os empregados dos restaurantes. Há muita variabilidade de etnias: chineses, japoneses, hispânicos, leste da Europa e, hegemonicamente, african americans. Orgulho imenso no país, não há ninguém tímido. A formação para atender o cliente deve ser maciça. Há muitos sorrisos abertos que são forçados, muita alegria exagerada e falsa. Mas a maioria soa a genuíno.


 


Transportes públicos são para negros pobres. Na recepção do hotel torcem visivelmente o nariz ao falar de public transportation. Grátis, para as rotas turísticas, aonde se abrigam velhos e novos, do frio. Sinais de trânsito que privilegiam carros, pendurados dos cabos eléctricos, abanando ao vento. Tudo de copo na mão, com café, chá, soft drink ou sumos de fruta, de um lado para o outro. Guarda-chuvas à espera da chuva, dentro dos roupeiros dos hotéis. Ciência a rodos, prática, concreta, do próximo século. Nas casas de banho a água escoa automaticamente, com um som assustador, dando sempre a impressão de avaria quando se vê a água que quase transborda. Tudo é grande, desde os iogurtes à dimensão das cervejas, desde a altura dos balcões ao espaço dos quartos e das camas. Um povo que se congratula consigo próprio, simpático e afável.


 


No aeroporto a tempestade ameaça o voo de ligação. Decide-se recorrer ao comboio. Tudo é tratado – a devolução das malas, a reserva dos bilhetes, as indicações de quando e onde, shuttle grátis, ao meu lado uma repórter das United Nations mete conversa, o caminho fica mais curto. É deste tipo de aventuras que as impressões se gravam. Outra vez no aeroporto para aconchegar o tempo que se arrasta, bebe-se Heineken.


 


Prometemos voltar. Prometo que volto.


 

Agression

 




 

Baltimore

 



 Baltimore Inner Harbor


 



 The Baltimore Convention Center


 



Barnes & Noble


 



 Hard Rock Cafe


 



Star Spangled Banner Flag


 



Mary Young Pickersgill


 


O say can you see by the dawn's early light,
What so proudly we hailed at the twilight's last gleaming,
Whose broad stripes and bright stars through the perilous fight,
O'er the ramparts we watched, were so gallantly streaming?
And the rockets' red glare, the bombs bursting in air,
Gave proof through the night that our flag was still there;
O say does that star-spangled banner yet wave,
O'er the land of the free and the home of the brave?

On the shore dimly seen through the mists of the deep,
Where the foe's haughty host in dread silence reposes,
What is that which the breeze, o'er the towering steep,
As it fitfully blows, half conceals, half discloses?
Now it catches the gleam of the morning's first beam,
In full glory reflected now shines in the stream:
'Tis the star-spangled banner, O! long may it wave
O'er the land of the free and the home of the brave.

And where is that band who so vauntingly swore
That the havoc of war and the battle's confusion,
A home and a country, should leave us no more?
Their blood has washed out their foul footsteps' pollution.
No refuge could save the hireling and slave
From the terror of flight, or the gloom of the grave:
And the star-spangled banner in triumph doth wave,
O'er the land of the free and the home of the brave.

O thus be it ever, when freemen shall stand
Between their loved home and the war's desolation.
Blest with vict'ry and peace, may the Heav'n rescued land
Praise the Power that hath made and preserved us a nation!
Then conquer we must, when our cause it is just,
And this be our motto: "In God is our trust."
And the star-spangled banner in triumph shall wave
O'er the land of the free and the home of the brave!


 


Francis Scott Key 


  



Gretchen Feldman


American Visionary Art Museum


 



Maryland Crab-Cakes


 



Phaze 10


 

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