Apesar de meio anestesiada, pois as declarações do governo já não me espantam, começo a contar as horas de espera pelo pedido de demissão do ministro Vítor Gaspar.
Depois de ouvir o Bloco Central, em que Miguel Frasquilho tenta assacar a responsabilidade à Troika de não se ter alterado o rumo das medidas de austeridade, defendendo que deveria ter sido a Troika a inflectir o caminho, até pelo bom comportamento, aliás exemplar, do povo português, eu estou totalmente em desacordo. É ao governo, à Assembleia da República e ao Presidente que se devem assacar as responsabilidades. Em vez de aluno exemplar, o que esperávamos era que o governo defendesse o povo, demonstrasse que esta condução política não servia, que este tipo de medidas eram contraproducentes.
O problema é que este governo, este primeiro-ministro e este ministro das finanças queriam estas medidas, assumiram como deles esta política, comungam desta ideologia, foram até para além do que a Troika preconizava. Por isso acho inqualificável as tentativas que agora se fazem para branquear aquilo que foi opção do governo e da maioria.
Não foi a Troika que impôs, foi o governo. E o que mais me assusta é que não se vislumbra qualquer desanuviamento nos anos futuros, nos muitos anos que se avizinham. Onde está o Presidente? De que está à espera para, em segredo ou através do facebook, forçar a demissão deste governo? Tente encontrar outro com este Parlamento e, caso não seja possível, convoque eleições legislativas?
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