12 novembro 2012

Dos alvos políticos

 


A Chanceler Angela Merkel vem a Portugal. Não se sabe bem o que vem cá fazer mas, independentemente disso, é a responsável política de um país democrático da União Europeia, lugar para o qual foi eleita democraticamente, pelo que penso que, como país democrático que pertence à União Europeia, temos todo o gosto em recebê-la.


 


Precisamente por pertencermos à mesma União e por sermos países democráticos, temos também o direito e o dever de lhe dizer, das mais variadas formas democráticas, em liberdade e segurança, que não concordamos com o rumo da política europeia, de que ela é a principal responsável, que este tipo de austeridade leva ao empobrecimento sem remédio das populações, que estamos a caminhar para o eclodir de revoltas e de regimes totalitários, que estamos a renovar os nacionalismos cegos e a xenofobia, terreno fértil para destruir tudo o que foi construído desde a 2ª metade do séc. XX.


 


Não podemos, no entanto, enganar-nos a nós proprios, canalizando as frustrações e as reivindicações para um alvo externo. O combate político deve ser, em primeiro lugar, dentro de portas e contra a política deste governo que, soberanamente, tem conduzido uma política desastrada e ruinosa, sem qualquer visão de futuro ou capacidade de gestão de recursos e expectativas.


 

8 comentários:

  1. Confesso que não consigo ter "grande prazer em recebê-la" apesar de concordar que, embora um alvo lógico da nossa frustração, não deva ser o primeiro.

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  2. ACÁCIO LIMA12:51

    COMENTÁRIO AO POST DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS - "DOS ALVOS POLÍTICOS"

    01- O grande mérito deste post reside em aclarar qual é o Alvo Principal, no momento, culminando um processo de análise, marcado pelo saber hierarquizar. Hierarquizar as diversas vertentes.

    02- O Título não poderia ser melhor; uma Representação Global.

    03- Esta questão de saber escolher o Alvo é fulcral na Política.

    Na recente Convenção do BLO-CO, pendeu-se para dar maior ênfase ao combate à “Troika”- elemento externo- aparecendo o combate ao atual Governo, do PPD-PP, - elemento interno- como um sub-produto.
    Sem a hierarquização, surge com menor intensidade, diluído, e menos mobilizador.

    04- Não hierarquizar, é tudo amalgamar, gerando hesitações pela diversão cultivada.
    Estivemos perante um Erro Táctico, que no caso vertente, decorre de um posicionamento Estratégico deficiente.

    05- A Autora do post dominou as boas regras da Agit-Prop. O BLO-CO não parece conhece-las.

    Boa Tarde.
    Boa Semana.
    Efusivas Saudações de Muito Apreço

    ACÁCIO LIMA

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    1. Oh, Acácio! Não sabia que dominava as regras do Agit-Prop!

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  3. Cara Sofia,

    Quanto à afirmação "o combate político deve ser, em primeiro lugar, dentro de portas", discordo fundamentalmente. Esta crise não se resolve em Portugal, nem em nenhum Eatado-Membro isoladamente. Esta crise, na Europa, só pode ter uma solução europeia. Nós, por cá, só podemos fazer duas coisas: evitar fazer disparates que nos coloquem ainda em pior posição; usar a política europeia para empurrar a Europa para outro caminho. Esta segunda coisa faltou a este governo desde o princípio (era a principal aposta de Sócrates). Quanto a evitarmos fazer disparates: bom, sem comentários...
    Abraço

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    1. ACÁCIO LIMA13:54

      Anotando o Comentário de Profírio Silva:

      01- Não tenho a menor dúvida que esta "crise" é mundial e que a solução passa pela Europa, pela União Europeia.

      02- Mas, parafraseando Paulo Pedroso, a questão aqui passa por dar prioridade à construção de alianças concretas sobre políticas concretas, a tal questão de "os disparates que nos colocam em pior posição".

      03- Hierarquizar, segundo critério férreo, é ordenar, não é excluir.

      Com Muito Apreço

      ACÁCIO LIMA

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    2. Porfírio, quando falo em combate político dentro de portas refiro-me ao facto deste governo ter interpretado, à sua maneira, o memorando da troika; do facto dos partidos da maioria governamental e dos que se dizem de esquerda, terem provocado a queda de um governo porque achavam indispensável o pedido de resgate e a vinda da troika. Esse combate político significa ter alternativas aos partidos que compõem o governo, para que o possamos trocar por outro, por um governo que negoceie como representante de um país, em pé de igualdade e não de subalternidade, com a Alemanha e com os outros países e instâncias europeias.

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    3. Sofia, concordo com tudo isso, sem dúvida. Só queria sublinhar que "tudo isto" tem uma componente europeia essencial.

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