29 junho 2011

O programa

 


Afinal este governo também recorre a medidas extraordinárias, após os Conselhos Europeus. Como Miguel Frasquilho disse ontem, já não sei em que canal televisivo, mesmo que nos portemos muito bem e cumpramos tudo o que temos que cumprir, a saída da crise não depende só de nós. Parece que Sócrates e o PS tinham alguma razão.


 


Mas isso também já não interessa. Temos novo governo e novo programa, em que se vai privatizar tudo o que for possível, recorrer à iniciativa privada sempre que for possível. Na saúde: (...) Pela garantia do acesso universal e equitativo, tendencialmente gratuito, aos cuidados e serviços de saúde incluídos no plano de prestações garantidas; (...). Resta saber e definir quais são as prestações garantidas, tendencialmente gratuitas. Receio que se faça um pacote de cuidados a que todos têm direito, os tais que são garantidos, e depois os outros são para quem pode pagar individualmente. Ou seja - uma saúde para pobres, outra para ricos. Das taxas moderadoras pretende-se (...) garantir que apenas se isenta quem realmente necessita dessa isenção (...). A forma de identificar quem realmente precisa de isenção não está explícita. Pode sempre ser através de um cartão (cartão de pobre).


 


Estas conversas sobre o utilizador / pagador lembram-me sempre os problemas dos pagamentos dos condomínios - quem mora no rés-do-chão não aceita pagar pelo elevador, pois nunca o utiliza(*)


 


A aposta nas energias renováveis evaporou-se. Os transportes públicos devem ser incentivados, mas as parcerias com os privados são para avançar.


 


Não tenho ilusões nem me espanto. Foi este o rumo que os eleitores escolheram.


 


(sublinhados meus)


 


Adenda: O Programa de Emergência Social, deixa às Misericórdias e à IPSS grande parte da responsabilidade de acudir às (...) crianças e idosos de famílias desamparadas e sem acesso a redes e instituições normais de apoio a que o Estado geralmente recorre (...), de forma a prover, de forma prioritária à famílias (...) alimentação, vestuário e medicamentos (...). As pessoas passam a não depender do Estado para dependerem da solidariedade dos outros. Deixam de ter direito a um mínimo para usufruirem do favor e da caridade da sociedade.


 


(*)Acabei de ser informada de que, por lei, quem mora no piso térreo está dispensado de pagar pelo elevador, pelo que a minha comparação não tem cabimento.


 


Comentário de Nuno Manuel Costa:


 


(...) Só estão dispensado que se o elevador não permitir o acesso a partes comuns! Se o elevador permitir, por exemplo, aceder ao terraço, os condóminos do rés-do-chão têm que pagar! O Supremo Tribunal decidiu em 1983, que um condómino cujas frações possam ser servidas por determinado equipamento não fica isento de pagamento das despesas com ele relacionadas, mesmo que recuse a sua utilização!
Ou seja, o que a lei prevê é a possibilidade de utilização e não a efectiva utilização.

Consultar guia do condomínio da DECO ou n.º 4 do artigo 1424º do código civil. (...)

27 junho 2011

Vozes de uma Estrela Distante

 



 


Ana Sofia Pereira, um nome para uma mulher, estudou argumento na Universidade Católica, do Porto. Em conjunto com outros 4 jovens, tem uma empresa Produtora de Audiovisuais – Cimbalino Filmes – que já fez 4 anos, muitos trabalhos, outros tantos projectos e alguns prémios. Trabalhadora, metódica, pacata, silenciosa, divertida, dotada de um sarcasmo muito saudável, é uma filha do Porto, dos seus 28 anos, da sua geração.


 


Pulgarzinha, de Pulga, de Polegar, de inha, um nome para uma escritora ([…] Não mais do que uma pulga/ ou talvez menos ainda.), escondida, clara, dolorosa, sem rede para tanta emoção, para tanta letra. Os seus poemas, em verso ou em prosa, são reflexo de uma profunda solidão ([..]Sou o parasita da solidão/ que a suga até ao tutano.// […]), dessa solidão rígida em que os poetas se prendem, sem conseguirem romper alas a não ser pela voz do poema ([…]Experimento os dedos das minhas mãos,/ testo os dedos dos meus pés,/ dobro os braços e as pernas./ Corto tudo o que já não serve./[…]). O mundo que não se abre, o tropel que entope a garganta, o mundo virado do avesso (inspirar bem fundo,/ engolir todo o mundo/ e deixá-lo ficar/ até um dia/ ser capaz de expirar.), mas devagar, composta, firme, presente, com os olhos e o silêncio que a partem ([..]E eu aqui, pequenina, de pés fincados no chão a gritar até que alguém me ouça, a esbracejar até que alguém me veja...// E daqui não saio. Daqui ninguém me tira.).


 


Ana Sofia Pereira olha o mundo do lado de fora dele, do lado de dentro dela. A imagética remete-nos para a esfera de uma meninice que teima em perdurar, dentro de um crescimento doloroso a que se recusa, lembrando a personagem Oskar Matzerath, do filme O Tambor (1979, realização de Volker Schlöndorff, argumento de Günter Grass), que decide parar de crescer. Os poemas centram-se no corpo para se projectarem no espaço, na luz, nas estrelas, sempre uma realidade exterior em oposição à realidade interior. Versos curtos, melodiosos, absolutamente precisos e depurados, em que as palavras são a geometria do silêncio. A procura e a incerteza do que se quer dizer, do que se quer mostrar, a crua observação da incessante busca de se transcender, faz dos poemas questões e gestos que se encontram ([…]no epicentro da mais caótica sinfonia do mundo.).


 


Ana Sofia Pereira, Pulgarzinha, de Pulga, de Polegar, de inha.


(Vozes de uma Estrela Distante - http://uma-estrela-distante.blogspot.com/)


 


Gostava de ter um caderno que lesse as palavras que giram na minha cabeça e as escrevesse no papel. Porque a minha mão tem vontade própria, a caneta escreve só o que quer, e aquilo que imagino, o que vive na minha cabeça, não fica escrito no papel. O que aqui fica, é uma colaboração entre a minha cabeça, a minha mão e a tinta da caneta. Eu não escrevi isto assim, e nunca ninguém vai ler o que eu escrevi dentro de mim.


 


E de um momento para o outro, mudam-me. Sem pedir licença, pegam em mim e informam-me que já não sou assim, que já não posso ser assim, que já não devo ser assim. Já não és a última da linha, a sensível, a criativa, a sonhadora... agora sou mudança, original, inovadora, independente, excêntrica, imprevisível... Agora sou aquário... sem peixes.


 


E por muito que os meus olhos estejam fechados,
estão abertos
à espera do próximo golpe.
Este já não me apanhará de surpresa,
de certeza...

e isso não fará a mais pequena diferença.


 


Sinto-me tão frágil aqui no meio de tanto ar, tanta terra, tanto mar, tanta gente, tanto respirar, tanto suor, tanto lutar, tantas lágrimas, tantos risos, tanto ir e voltar. E eu aqui, pequenina, de pés fincados no chão a gritar até que alguém me ouça, a esbracejar até que alguém me veja...


 


E daqui não saio. Daqui ninguém me tira.


 


Não mais do que o tamanho de uma pulga.
Não mais do que a coragem de uma pulga.
Não mais do que a força de uma pulga.
Não mais do que a vontade de uma pulga.

Sou o parasita da solidão
que a suga até ao tutano.

Não mais do que uma pulga
ou talvez menos ainda.


 


Há tanto para ver aqui que as palavras atrasam-se a chegar e, quando chegam, já eu cá não estou. Fica apenas este espaço em branco, nem eu que já não estou, nem as minhas palavras que não chegaram a ser. E descubro, não sem surpresa, que onde finalmente me encontro é onde nunca estive, onde as minhas palavras não chegaram, na descoberta de mim no epicentro da mais caótica sinfonia do mundo.


 


Que sorriso foi esse
que estranhaste nos meus lábios?
Todos os dias ponho um diferente
e ensaio um novo olhar.
Experimento os dedos das minhas mãos,
testo os dedos dos meus pés,
dobro os braços e as pernas.
Corto tudo o que já não serve.
Reinvento-me,
reencontro-me
e já não sou eu...
Mas aquele sorriso,
o tal que tu estranhaste,
esse,
esse, já é o meu!


 


Intervalo do Meu Mundo


inspirar bem fundo,
engolir todo o mundo
e deixá-lo ficar
até um dia
ser capaz de expirar.


 


em Revista-Me nº 2


 

A Poesia Rima com quê? Com Economia?

 



 


Economia, ou actividade económica - Produção, distribuição e consumo de bens e serviços, e repartição de rendimentos


do gr. Oikonomía - direcção de uma casa


Poesia, ou género lírico, ou lírica - Uma das sete artes tradicionais, pela qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos; carácter daquilo que, por ser considerado belo ou ideal, desperta uma emoção ou sentimento estético


do gr. Poíesis - acção de fazer alguma coisa


 


Produzimos palavras cobertas de silêncio, dedilhadas mecanicamente pelas teclas, com a mais alta tecnologia da solidão. Não deduzimos medo nem paixão, consumimos a própria alma, devagar ou subitamente, ressuscitando e regurgitando o poema, repetido e inacabado eternamente. Servimos letras em dedais de espuma, sempre e teimosamente esticados com os arames que seguram a dignidade. E sonhamos com a distribuição do sonho, em catadupas ou milimetricamente, na medida do que nem sequer sabemos que existe.


 


De bens, ou de bem, essa verdade ou necessidade ou actividade ou representação do real. Do bem que não sabemos definir, a economia complicada das redes multiplicadas pelos sorrisos. Economicamente achamos bem ou somos o mal, com ou sem a qualidade do demo, desprezados sem utilidades nem uso conhecido, deixamos os números das certezas para quem serve, para quem se quer curto e certo.


 


Precisamos da língua, como órgão do som e da palavra nesta Babel mundial em torre cada vez mais alta, que a globalização não destrói. Órgão muscular que dança e se contorce na produção fonética das emoções com lágrimas, com rugas, com pedras. Precisamos da mordedura sensual da palavra, das cores inimagináveis que as palavras pintam entre a gente amassada, amarfanhada, lisa, estática, enorme, das telas brancas que riscam sem pedir razões, das máscaras que cobrem na forma, na rima, nas folhas, paredes, palcos personagens duplas e triplas desdobradas em pétalas ou cimento.


 


Não uma das sete mas todas as sete, nove ou treze artes, não sei se cabalísticas ou precisas, a poesia não rima, não cede, não se troca, mas diz-se, sente-se, ouve-se, sem género nem lírica, bem de consumo lento, ao serviço dos bens maiores, distribuindo arrepios, assim se consome, uma economia totalmente privada mesmo que pública, mista e mística, filosofia em estado puro.


 


em Revista-Me nº 02


 

26 junho 2011

Primeira semana

 


Os detractores de Sócrates e do governo anterior, a totalidade dos partidos que não o PS, e mesmo dentro deste, não comentam agora a necessidade de mais PECs, conforme Passos Coelho anunciou, secundado por Miguel Relvas, após o Conselho Europeu. Afinal estes anúncios e estas medidas são mais ditadas pela vontade da União Europeia do que pela dos chefes do governo, como sempre o souberam os partidos políticos, à esquerda e à direita do PS.


 


No PS a luta pela liderança parece estar já decidida. Infelizmente mal decidida, pois António José Seguro vai dando sinais de que não aprendeu nada com os erros da anterior oposição ao seu partido. Pelos vistos para ele fazer oposição é dizer que não, seja lá ao que for: não aceita fazer uma revisão constitucional? Porquê? Não é precisa? Critica os planos de austeridade do governo? E então? Quais são as suas alternativas?


 


Valha-nos (São) Francisco (de) Assis.


 

Concerto de Brandenburgo N º 4 em Sol maior


J. S. Bach & Café Zimmermann

 

25 junho 2011

Trocas

 



Mrinalini Mukherjee: lava


 


Troco as palavras pelos dedos pelos olhos pela boca


troco de língua de roupa de cama


troco os passos pelos dias os atalhos pelos riscos


troco de mãos de sangue de cor de forma de ser.


 


Troco tudo e que se troca


até de mim


mas de ti não.


 

24 junho 2011

Populismo

 


A anunciada medida de trocar os lugares em executiva por lugares em económica, nos voos europeus, de Passos Coelho e de todo o governo, não é mais do que demagogia e populismo. É claro que, mais cedo ou mais tarde, este tipo de propaganda estala nas mãos de quem a incentivou. Neste caso, se isto for verdade, foi bem mais cedo.


 

Irreversível

 



Ronald Rae: Widow Woman 


 


A face enrugada e os lábios engolidos pela falta de dentes, querida face de quem me é tudo e me deu tudo, de quem me olha confiante e eu sem saber se sou de confiar. O abandono do corpo tão grande como a entrega da alma serena e sem reservas, olhos sorridentes e um pouco assustados, a fala da quase criança em que nos transformamos, de tantos os anos, iguais aos nascituros.


 


Querida face enrugada de quem me é tudo e me deu tudo, de quem me olha como se a vida se tornasse reversível.


 

23 junho 2011

Os limites da democracia

 



 


A propósito da Grécia, das dívidas, dos pacotes de austeridade e do afundamento do projecto europeu, assim como da subversão dos princípios democráticos, pela redução das opções de escolha dos cidadãos, vale a pena ouvir Maria João Rodrigues, entrevistada por Paulo Tavares (TSF).


 

Próxima legislatura

 



 


O aparente apaziguamento da sociedade e a boa vontade perante o novo governo revela o enorme alívio perante o resultado das últimas eleições. Alívio que é partilhado pela esquerda, pois penso que todos esperavam um enquadramento parlamentar diferente, sem maiorias, em que a formação de um governo fosse difícil pela incapacidade de se formarem alianças. Penso que o melhor que se esperava era uma reedição do bloco central. Assim, a escolha clara por uma maioria de direita dá estabilidade ao país. Além disso, a coligação soube negociar em tempo recorde, apresentar uma solução governativa inovadora e resolver o imbróglio Fernando Nobre de uma maneira brilhante.


 


O suspiro de alívio é geral e profundo. Mas as opções políticas são claras e o que nos espera serão medidas de redução do Estado Social, de caritatização da sociedade, da transformação daquilo que consideramos direitos como favores do Estado. A solidariedade entre os cidadãos e a sua contribuição para o bem geral, que era mais ou menos assumido que se traduzia no contributo fiscal, em que os que mais ganham mais pagam, para que os serviços prestados fossem universais, parece ter os dias contados. A ideia de que a Educação Pública é um dos agentes mais importantes na democratização da sociedade, em que o investimento na escola tem o retorno garantido na redução das diferenças entre diversas classes económicas e múltiplas culturas, será ultrapassada.


 


A implosão do BE e a renovação ideológica e de praxis no PS são indispensáveis no reposicionamento dos partidos de esquerda para o debate que importa realizar, tendo em conta a globalização, o falhanço das lideranças europeias e a derrocada do projecto europeu. Os valores mantém-se, mas as medidas para que as sociedades se revejam neles, a forma de os abordar e, sobretudo, de os honrar, terá que ser diferente. Francisco Assis abriu o caminho com a hipótese da participação da sociedade na eleição do líder do PS.


 


A próxima legislatura, esperemos, terá a duração de quatro anos. É tempo de renovar e assumir roturas com o passado. A esquerda precisa de romper com a cultura sindical instalada, que é arcaica e anacrónica, precisa de rever os modelos da legislação laboral, das áreas de desenvolvimento económico e de inovação, precisa de manter algumas bandeiras, como as energias renováveis e o investimento na ciência, de propor reformas políticas e administrativas que respeitem a democracia. Acima de tudo, precisa de repor a credibilidade da política e dos políticos, rejeitando sem medo todas as formas de populismo que se mascarem de movimentos apartidários e de cidadãos, que mais não são do que embriões de devaneios totalitários.


 


Não há tempo a perder.


 

22 junho 2011

Urgências, cópias, lamentos e demissões

 


Depois de uma reunião de urgência com a Ministra da Justiça, pedida pela própria Directora do Centro de Estudos Judiciários (CEG), na sequência das notícias sobre o copianço generalizado num exame, que resultou na digna classificação igualitária de 10 valores, Paula Teixeira da Cruz aceitou a demissão de Ana Luísa Geraldes.


 


A opinião do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), pela voz de João Palma, não se fez esperar, lamentando a saída da Presidente do CEJ - não foram mais do que vítimas da política ou da falta de responsabilidade política que tem havido nos últimos anos.


 


É uma conclusão óbvia e imediata, não há qualquer dúvida. A política e a falta de responsabilidade política redundam sempre, impreterivelmente, na capacidade de pessoas adultas se disporem a copiar nos exames.


 


E que tal alguém aceitar a demissão de João Palma? Ou mesmo a extinção do SMMP?


 

Um dia como os outros (90)


(...) Se porventura estiverem médicos envolvidos nós cá estaremos para instituir severas penalizações a esses médicos que de forma tão grosseira estariam a ferir o código de ética e deontológico dos médicos. (...)


 


(...) Em todas as profissões existem pessoas que não respeitam as regras e nós os médicos somos os primeiros interessados em que haja mecanismos que possibilitem a detecção de médicos prevaricadores. (...)


 


José Manuel Silva


21 junho 2011

Depois das eleições

 


O BE está a partir-se em bocadinhos, mais do que os bocados que o formaram. Com ele a miragem de uma alternativa ao PS. A esquerda grande de Francisco Louçã não é mais do que a enorme ambição demagógica e populista de um pequeníssimo grupo, que muitos sonharam ser diferente.


 

Parlamento dignificado

 



 


Depois de um inacreditável erro, ao convidar Fernando Nobre para a Presidência da Assembleia da República, cargo que resulta de uma eleição; depois de Fernando Nobre não ter percebido que a sua incrível arrogância em manter a imposição do seu nome para a eleição, que se sabia muito periclitante, Passos Coelho saiu-se bem, mesmo muito bem, com a solução encontrada.


 


Assunção Esteves é respeitada por todos, independentemente do partido a que pertence. Fez um discurso que louva a política e os políticos, que dignifica os deputados e o Parlamento, que aplaude a democracia.


 


Parabéns a este Parlamento que assim começa muito bem.


 

19 junho 2011

Dança dos Elfos


DavidPoper: Dança dos Elfos - "Elfentanz"

 violoncelo: Julian Steckel
piano: Reiko Hozu

17 junho 2011

O XIX Governo Constitucional

 



 


A divulgação dos novos ministros deste novo governo foi, pelo menos para mim, uma surpresa. Como foi uma surpresa, agradável, a forma como decorreram as negociações entre Passos Coelho e Paulo Portas, rápida e confidencial.


 


O alívio pelo facto de Fernando Nobre não ser Ministro da Saúde é tão grande que até estou optimista. Outro ponto a favor do governo é o conjunto de gente nova, de que não se falava, que não se posicionava, que não eram a salvação da pátria. Felizmente não estão lá Eduardo Catroga, Bagão Félix, Miguel Frasquilho, Medina Carreira, António Barreto. Os nomes que pululavam pelos media, com excepção de Nuno Crato, ficaram de lado, e temos um governo de gente desconhecida.


 


Não tenho dúvidas nem esperança quanto ao rumo ideológico do governo. O SNS vai deixar de ser universal e tendencialmente gratuito, os cheques-ensino ou semelhantes vão aparecer, as privatizações da CGD, etc. vão acontecer. Mas em relação aos Ministros a minha atitude é de expectativa.


 


Paulo Macedo é uma incógnita na Saúde. Recebeu elogios de vários quadrantes políticos quanto ao seu trabalho como director-geral dos Impostos. De contas em ordem parece saber. Quanto ao resto, para além da Médis, não sei qual o conhecimento que tem sobre os problemas da saúde.


 


Quanto a Nuno Crato, ministro da Educação, Ensino Superior e Ciância, é uma desilusão, pela rigidez e conservadorismo.


 


Os ministros políticos - Miguel Relvas (Assuntos Parlamentares) e Miguel Macedo (Administração Interna) - eram (quase) inevitáveis. Paula Teixeira da Cruz (Justiça), Assunção Cristas (Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território), Aguiar-Branco (Defesa) e Mota Soares (Solidariedade e Segurança Social), são nomes fortes, com peso dentro dos respectivos partidos políticos. Vítor Gaspar, ministro de Estado e das Finanças, e Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia e Emprego, são desconhecidos do grande público e, portanto, nomes refrescantemente novos. Paulo Portas era incontornável - ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.


 


Estou duvidosa quanto à capacidade de Miguel Macedo ser capaz de fazer uma verdadeira e profunda reorganização administrativa. Fernando Nobre, espero, não será eleito como Presidente da Assembleia da República.


 


Enfim, temos pela frente quatro anos de política e de governo de direita. Que seja sério e a sério, que a oposição cumpra o seu papel de fiscalização, que se combata politicamente, que não se desfaça o que de bom se fez. Que tenhamos sorte. E que o PS se renove e construa uma alternativa de esquerda que possa vencer as próximas eleições.


 

16 junho 2011

Desconstrução europeia

 



Público


 


Enquanto estamos distraídos com a formação do novo governo, tremendo perante algumas sugestões que vão aparecendo, como Fernando Nobre à frente do Ministério da Saúde, a Europa desfaz-se e as convulsões sociais abrem a apreensão perante o caminho que estamos a trilhar.


 


A Grécia está em tumulto e não se vislumbra solução. Multiplicam-se os pacotes de austeridade e aumenta a incerteza e a revolta. Em Espanha os movimentos espontâneos de democracia real ameaçam a própria democracia. É assim que se concretizam os inúmeros discursos populistas e demagógicos anti política e anti políticos.


 


Avizinham-se tempos perigosos de desmantelamento da segurança e da paz social, tal como nos habituámos a vivê-la. A construção europeia desconstrói-se e as democracias não são vitalícias.


 



Público


 


Nota: vale a pena ler Ricardo Alves e Tomás Vasques.


 

12 junho 2011

Reafirmação da esquerda - Escola Pública

 


 


 


A reafirmação e a defesa de uma sociedade humanista e solidária, em que a igualdade de oportunidades é um dos valores fundamentais. Para assegurar que todos os cidadãos tenham as mesmas oportunidades, independentemente da cor, da religião, do género da capacidade económica, a Escola Pública é um dos deveres do Estado. 




  • A Escola exigente e rigorosa, sem nichos culturais minoritários com metas diferentes das que se exigem à maioria, currículos idênticos no essencial, variáveis consoante a localidade e a quem se destinam.



  • A aposta na língua portuguesa como factor essencial de comunicação e afirmação da cidadania deverá ser o cimento agregador das várias culturas que se entrecruzam, sem esquecer as variantes da lusofonia, mas sem que elas subvertam a exigência de um saber uniforme que impeça o racismo e a xenofobia.



  • O conhecimento deve estar alicerçado na formação de professores, na sua avaliação de desempenho, na sua dignificação profissional. Uma escola que integre e discipline, uma escola que dê condições físicas, de espaço, de ambiente, de conforto, que providencie o gosto pelo saber, pelo trabalho, pela pesquisa.



  • Requalificação dos espaços, bibliotecas, inovação tecnológica com capacidade para permanente consulta e pesquisa na internet, computadores para todos, cantinas, equipamentos desportivos, concentração de esforços das autarquias para que os mais isolados e os mais desfavorecidos não sejam penalizados.



  • Exames nacionais dos alunos, nos vários patamares de ensino, colocando-os a todos em igualdade de circunstâncias, para que os acessos aos níveis seguintes não sejam ditados por assimetrias de território ou de capacidade económica.



A defesa da Escola Pública deve sacudir definitivamente o facilitismo, a indisciplina, a desautorização dos professores, deve centrar-se na qualidade do que ensina e do que exige a todos os actores do sistema educativo.

 

O vôo do zangão (V)


Evgeny Kissin


Rimsky Korsakov


 

O vôo do zangão (IV)

 



 The King's Singers


Rimsky Korsakov


 

O vôo do zangão (III)

 



 Aliqua


Rimsky Korsakov

O vôo do zangão (II)

 



Itzhak Perlman

Rimsky Korsakov

 

O vôo do zangão (I)


 Malena Ernman, Martin Fröst

Niklas Sivelöv

Rimsky Korsakov

 

De olhos fechados

 



Tiago Taron: Fuga de Ideias


 


Sopros silvos sussurros


de olhos fechados brisas


por fora cantos por dentro


restolho chuva rumorejo aves


asas nuvens susto serpente sibilina


rastejar fuga de água sopra


vento beira rio erva degrau


foge corre pinga secreto


suspiro sons de ar.


 

11 junho 2011

Constituições

 


É preciso esclarecer que não tenho nada de princípio contra uma revisão da Constituição ou contra uma nova Constituição. Apenas não compreendo nem me parece aceitável que se culpe a Constituição daquilo que António Barreto acha que falhou nestes anos de democracia. Mudar, adaptar, alterar, substituir - nada é eterno. Quanto aos círculos uninominais e aos caciques partidários, pergunto-me se fenómenos semelhantes a Valentim Loureiro, Isaltino de Morais ou Fátima Felgueiras não se multiplicariam.


 

Julgamento sumário

 



 


A memória das pessoas, principalmente das pessoas públicas, é condicionada pelo que a elas convém lembrar. As cerimónias oficiais de comemoração do 10 de Junho, foram mais uma oportunidade de ouvirmos, através do discurso de António Barreto, a hora apocalíptica que vivemos.


 


António Barreto refere-se a Portugal e aos seus governantes como se de duas populações se tratasse. Portugal, o bom povo enganado, os governantes, de que ele já fez parte, a perfídia que engana o povo. A perfídia dos últimos anos de governação do PS, como ficou bem subentendido, e não a perfídia anterior, não os governantes anteriores, dos quais não se recorda.


 


António Barreto é de Portugal, mas não é português, fez política, mas não é político, fala da sintonia entre governantes e da sintonia entre o povo e os governantes, esquecendo-se que há medidas e reformas que são odiosas ao povo, que a luta política se alimenta dessa incompreensão para quebrar os adversários. É assim agora, como o foi no passado, antigo e recente.


 


António Barreto apela ao apuramento de responsabilidades, mais uma vez na senda justicialista da punição das decisões políticas. António Barreto apela à revisão da Constituição, colocando nela o ónus dos governos minoritários, da falta de reforma na justiça, da falta de confiança entre os órgãos de soberania.


 


António Barreto assume a posição do Juiz em vez de assumir as suas opções políticas. Alterar a relação entre os vários órgãos de soberania significa um regime presidencialista ou um regime parlamentarista? Alterar o sistema eleitoral significa a possibilidade da existência de círculos uninominais, de duas câmaras, ou de considerar como expressos os votos em branco?


 


O Dia de Portugal serviu, mais uma vez, para alguém nos lembrar, do alto da sua tribuna, como somos feios, porcos e maus. Sem a mais pequena centelha de espírito inovador ou motivador, lembrando as gestas do povo, do bom povo português quando bem conduzido, os egrégios avós ressuscitaram apenas para morrerem de novo, arrepiados perante este julgamento sumário, comum, injusto e, cada vez mais, tristemente inútil.


 

09 junho 2011

Reafirmação da esquerda

 



 


As eleições legislativas de 5 de Junho fecharam um ciclo político. Se quer ser o representante da esquerda moderna e democrática e protagonizar uma alternativa de poder, o PS tem que, forçosamente, olhar para si próprio, para o país, para a Europa e para o resto do mundo de uma forma crítica, reanalisando os seus valores, as suas bandeiras, os seus objectivos.


 


Para além da mudança de líder, é absolutamente necessária uma afirmação ideológica do único partido de esquerda, em Portugal, com uma verdadeira cultura democrática. Estas eleições também mostraram que o BE ruiu e que vai voltar à ínfima expressão de um grupo extremista, populista, demagógico, de protesto constante e inconsistente. O PCP mantém-se no reduto das lutas sindicais conservadoras e corporativistas, num anacronismo de frases feitas, iguais em todas as legislaturas desde a eleição do I governo constitucional, após o 25 de Abril.


 


O PS, que sempre se afirmou como um partido do centro-esquerda, tem que renovar e explicitar o que significa ser do centro-esquerda na sociedade de hoje. Na era da globalização, da precariedade e escassez de emprego, de envelhecimento e migrações populacionais, de carência energética, de desertificação do espaço interior e sobrepopulação das grandes cidades, do ressurgir de sentimentos nacionalistas, racistas e xenófobos, tudo é preciso reequacionar e encontrar novas ideias, novas soluções, novas ambições e novas causas.


 

08 junho 2011

Auto + promoção ... (x 2)

... acto ou efeito de se promover a si próprio, (x2).



  • Na próxima 6ª feira, dia 10 (feriado), estarei em muito boa companhia, junto ao pavilhão do Clube Literário do Porto (Stand A02), na Feira do Livro do Porto, a partir das 17:00h, para trocar algumas ideias com quem o desejar.


Lá vos espero.


Apareçam. 


 




  • Também na Feira do Livro do Porto, mas das 20h00 às 21h30, no Auditório da Feira do Livro, participarei num debate com outros autores - Alexandra Malheiro, Henrique Normando, Ruth Ministro, Ana Albergaria, Miguel Leitão e Verónica Abreu. Nestes tempos de depressão financeira e ditadura económica, a discussão está aberta:


A Poesia Rima com quê? Com Economia?


 


07 junho 2011

A suspeição como arma política

 


Custa-me a perceber a incoerência das pessoas. Como é possível que, depois de tudo o que se passou com Sócrates, Ana Gomes venha com a mesma receita para denegrir e lançar lama a Paulo Portas? Suspeitas e mais suspeitas de casos obscuros, de assuntos que têm que ser resolvidos pela justiça, se a justiça assim o entender. Além de que os comentários sobre o processo Casa Pia e a sugestão que Ana Gomes faz do envolvimento do líder do CDS nesse caso, são indignos.


 


Tudo me separa de Paulo Portas. Mas Paulo Portas tem direito ao seu bom nome e a não ser enxovalhado na praça pública. A suspeição como arma política só empobrece a democracia.

Auto + promoção ...

 


... acto ou efeito de se promover a si próprio.


 


(...) Sendo a literatura uma forma de comunicar e a rede a ampliação e a aceleração constante da velocidade da comunicação, já têm um destino comum. (...)


 


PNETliteratura


 

06 junho 2011

Das notas que tomamos (8)

 



Afinal, ao contrário do que eu pensava, Cavaco Silva fez bem em dissolver a Assembleia da República, como se demonstrou com o resultado das eleições. Houve uma alteração muito significativa da relação de forças parlamentar e uma viragem ideológica à direita.


 


Afligem-me muitos comentários que vou lendo pela blogosfera, em relação à derrota do PS e de Sócrates.  A falta de grandeza dos vencedores mostra bem a massa de que são feitos.


 


Francisco Louçã não se demitiu. O BE teve uma derrota esperada. A esquerda grande não lhe perdoou a aliança à direita, a ineficaz e megalómana demagogia, o indisfarçável populismo. O PCP continua entrincheirado no seu canto, dizendo as mesmas coisas, com as mesmas palavras e o mesmo tom.


 


No PS começam a posicionar-se os candidatos. Espero sinceramente que António Costa ou Ferro Rodrigues, ou até Francisco Assis se perfilem. António José Seguro não me parece uma alternativa capaz de movimentar e de liderar uma verdadeira oposição.


 

Um dia como os outros (89)


(...) 8. Entretanto, todos os grandes debates estão por fazer. Nada há que se possa fazer numa óptica puramente nacional, todos os debates são europeus, todas as possibilidades de acção consequente estão ao nível europeu. Ora, o próximo governo PSD/CDS será o governo dos amigos da senhora Merkel, que só tem dados tiros no pé da Europa desde que a crise começou. O PCP e o BE continuam a ser, fundamentalmente, partidos anti-europeus, incapazes de pensar a nível global e sem qualquer contribuição prática para mobilizar forças progressistas na Europa para uma governação alternativa (continuando a deixar escapar os descontentamentos para o Rossio e outras praças inorgânicas). O PS, com os socialistas europeus, é – são – hoje, a nível internacional, um cão que ladra mas não morde: estão na oposição em praticamente todos os países europeus.

9. De todos os modos, espero sinceramente que toda a classe política tenha aprendido alguma coisa com os últimos anos. A classe política formal e a classe política escondida: no final do discurso de Sócrates na noite eleitoral, uma jornalista perguntou a Sócrates se ele esperava que, deixando de ser PM, viria a ter novos problemas com a justiça. Estava aí, passado todo este tempo, um resquício exemplar da política de ódio que foi, desde sempre, a arma de uma certa classe política contra Sócrates, política do ódio que teve numa certa comunicação social a marionete (pouco inocente) de serviço. Se estas eleições tiverem servido para acabar com essa guerra civil fratricida, já não será mau. (...)


 


Porfírio Silva


 

05 junho 2011

Maioria de direita no Parlamento

 



 


O PS perdeu as eleições legislativas e com valores muitíssimo expressivos. O PSD ganhou com bastante diferença, pelo que o próximo governo será um governo de maioria de direita. A derrota do BE também foi um dos perdedores, tal como o CDS que ficou aquém do que se esperava.


 


Assim quis o povo, assim será. A democracia é exactamente o cumprimento da vontade da maioria.


 


Para a História ficará certamente o excelente discurso de José Sócrates. Foi um discurso de um grande homem, de quem Portugal se deve orgulhar. Esteve à frente de dois governos, um que foi o melhor governo de há muitos anos, em democracia, o outro que remou contra correntes e marés e não conseguiu o seu objectivo. Erros teve, mas teve muito mais acertos.


 


Fica também para a História a vergonhosa pergunta que lhe foi feita por um jornalista, não sei de que meio de comunicação, em que se sugeria que Sócrates, deixando de ter poder político, passaria a ser alvo de mais processos judiciais, nomeadamente no Face Oculta.


 


O PS terá agora a tarefa de iniciar outro ciclo político, de eleger outro líder. O país precisa de um PS revigorado na oposição, para uma oposição esclarecida e responsável, o exacto contrário do que foi a oposição ao último governo do PS.


 


Há uma maioria de direita, esperemos que estável. A Passos Coelho deseja-se sorte. Precisa ele e precisamos nós.


 



 

Imprescindível votar

 



 


Votar não dói.


O que dói é termos o governo de todos eleito por tão poucos.


 


Votar refresca, sabe bem é um exercício de poder.


Do poder do povo.


 

Votar é preciso

 



 


É preciso votar - ninguém deve decidir por nós.


 


Votar é escolher, optar, assumir responsabilidades. É crescer.


 


Quermos ser um povo adulto, seguro das suas decisões, que se afirma e pede contas, que exige e presta contas.


 


É preciso votar.


 


 

Just Breathe


Pearl Jam


 


Yes I understand that every life must end, aw huh...
As we sit alone, I know someday we must go, aw huh...
I'm a lucky man to count on both hands
The ones I love...

Some folks just have one
Others they got none, aw huh...

Stay with me
Let's just breathe

Practiced are my sins


Never gonna let me win, aw huh...
Under everything, just another human being, aw huh...
Yea, I don't wanna hurt, there's so much in this world
To make me bleed

Stay with me
You're all I see

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
As I come clean

I wonder everyday
As I look upon your face, aw huh...
Everything you gave
And nothing you would take, aw huh...
Nothing you would take
Everything you gave

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
As I come clean

Nothing you would take
Everything you gave
Hold me 'till I die
Meet you on the other side


 

Vantagens de se deslocar à assembleia de voto

 



 


São inúmeras. Vou passar a enumerá-las:



  • Passear a pé entre a sua casa e o local de voto - é impossível estacionar perto das escolas e outros espaços onde se vota; por isso esticam-se as pernas, ampliam-se os pulmões, desenferrujam-se as articulações e poupa-se o carro e a gasolina.

  • Encontrar pessoas que já há muito tempo não vê - aqueles vizinhos com quem nunca se cruza, nestes momentos estão sempre na fila, a consultar a lista dos números de eleitores, para ver qual é a sua, se bem que é sempre a mesma das anteriores eleições.

  • Poder apreciar a generosidade e a disponibilidade de quem, querendo ajudar, baralha mais do que acerta.

  • Aproveitar a caminhada para tomar um café e fazer as compras no supermercado que está aberto.


Por último, e acessoriamente, sentir o peso e a leveza da responsabilidade da participação cívica e da escolha de quem nos vai governar nos próximos anos.


 

04 junho 2011

Para o dia seguinte

 


(...) Seja quem for que ganhe destas eleições sairá um governo legitimado pelo voto popular e com o direito e a obrigação de cumprir com o seu programa eleitoral.


 


Jumento


 

Votar

 


Para que ninguém tenha problemas, aqui se deixa o site onde se podem informar do número de eleitor e freguesia onde votar:


 


https://recenseamento.mai.gov.pt/


 


outro


 


http://www.cne.pt/index.cfm?sec=1110000000


 


ou


 


enviar um SMS (grátis) para  o número 3838, escrevendo RE espaço nº de BI ou
CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD


 


Aqui se deixam sugestões de indumentária, para que não haja frio, calor, sol ou chuva que impeça alguém de votar:


 


 

03 junho 2011

Um dia como os outros (88)

 



(...) Tirando os casos de pura ligação militante e afectiva ao partido, imunes ou resistentes à dúvida, quem se questionar para votar PS tem de passar pela barragem de fogo cerrado dos assassinatos de carácter e do catastrofismo que a oposição lança há anos, que a comunicação social promove diariamente e que os moralmente ou intelectualmente brutalizados reproduzem na rua com fanatismo. (...)


 


(..) Seja o que for que aconteça domingo, porém, há um triunfo garantido: quem votar PS está a mostrar, nem que seja a si mesmo, que defender a liberdade pode ser difícil, mas é também a nossa realização mais bela.


 


Valupi


 


 


(...) Esta ideia de um golpe de estado em Portugal tem sido sibilada, com pudor, nos últimos meses. No sentido “mediático-democrático” do termo - passe o oxímoro – assim tem sido entendida a campanha ad hominem contra a figura de  José Sócrates, repetida ad nauseam por políticos – de esquerda e de direita, comentadores e jornalistas. De tanto repetida, a “necessária eliminação de Sócrates” parece estar prestes a atingir a sua legitimação.


O expoente máximo do processo em curso foram estas declarações de Medina Carreira que, curiosamente, ou talvez não, pouco eco ou nenhum recolheram nos meandros dos blogues e dos analistas políticos. Na realidade, Medina Carreira disse aquilo que tem estado subliminarmente plasmado na maioria dos discursos políticos: se não sair a bem, terá de sair a mal. A qualquer preço. E esta é a definição básica de golpe de estado. (...)


 


Alda Telles


02 junho 2011

Interesses sem educação

 


Os interesses da escola pública, que de público só tem a necessidade dos dinheiros públicos, porque pública é a vergonha deste panfleto e destas atitudes, de privados educadores e públicas atitudes ditatoriais.


 


Esta é uma das razões porque voto no PS.


 

01 junho 2011

Portugal melhor

 


A campanha do ódio

 


Quase em jeito de balanço desta campanha chego à conclusão que o único motivo que esteve subjacente à convocação de eleições legislativas antecipadas foi não só, nem principalmente, a ambição de poder por parte da direita, mas o afastamento quase compulsivo de José Sócrates.


 


Com disse Manuela Ferreira Leite, Sócrates nem na oposição se deve manter. É preciso exterminá-lo.


 


Um dia há-de ser possível estudar cientificamente este fenómeno sociopolítico. Durante 6 anos Sócrates foi apelidado de tudo o que pior se pode imaginar, acossado e julgado na praça pública por corrupção, não tendo nenhum dos processos provado qualquer actividade ilegal. No meio da tentativa de destruição pessoal do Primeiro-ministro, vasculhou-se milímetro a milímetro a sua vida privada, os seus familiares, conhecidos, amigos e correligionários, encheu-se de lama muita gente, sempre sem se conseguir provar fosse o que fosse.


 


Desde escutas ilegais a fabricação de casos políticos, como o caso das "escutas de Belém", não houve nada a que não se recorresse para derrubar a credibilidade de José Sócrates, para delapidar a confiança nacional e internacional.


 


Já em campanha eleitoral, depois de a precipitação de eleições legislativas inúteis e desnecessárias, a única alternativa que a oposição conhece é a eliminação política de Sócrates. Pelos vistos, foi esta a verdadeira e última razão do chumbo do PEC IV - a total incapacidade dos partidos políticos e o receio das suas lideranças de lutarem e ganharem, na arena política, o protagonismo a José Sócrates. Não é ele que se julga invencível. Foram os outros que, com a sua incompetência e inabilidade o transformaram num adversário que têm medo de não vencer.


 


As pressões das corporações que mantém o Estado refém, continua, numa atmosfera de ódio e intolerância que tem marcado esta campanha.


 


Este fenómeno sociopolítico é estranho e radica em entranhados valores antidemocráticos. Sócrates governou 6 anos por escolha dos cidadãos em eleições livres e justas. As próximas eleições serão o juízo do país à sua actuação e à suas escolhas políticas. Os insultos e a intimidação diária de quem se atreve a dizer que vota PS não decidem quem deve ou não governar.


 


Outro aspecto importante destes últimos anos e desta campanha é a demissão dos jornalistas por uma informação isenta e exigente. Os jornalistas transformaram-se em actores políticos partidários. A informação livre é um dos pilares do regime democrático. Esta informação é tendenciosa, superficial, incompetente, com falta de rigor e sem o mínimo interesse de ser imparcial. Haverá excepções, obviamente, mas o panorama geral é desolador.


 


Enfim, Domingo lá estaremos, para votar.


 

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