11 julho 2009

Acordar

 


Manuel Villaverde Cabral, que se considera um homem de esquerda, justifica a ingovernabilidade do país pela saída do PREC. Nas suas palavras, não há solução governativa à esquerda porque os partidos à esquerda do PS foram mantidos à margem do sistema e deveriam ser chamados ao sistema.


 


Manuel Alegre, fundador do PS, considera que tem de haver uma solução governativa que englobe os partidos à esquerda do PS, que se deve governar à esquerda, nomeadamente com os sindicatos.


 


O que Manuel Villaverde Cabral não comenta é a retórica ancestral, conservadora e antidemocrática dos partidos à esquerda do PS que, ao contrário dos seus congéneres europeus, não se remodelaram nem se refrescaram após os idos da queda do muro de Berlim.


 


O que Manuel Alegre não comenta é a instrumentalização partidária das duas centrais sindicais, em que a CGTP, braço sindical do PCP, tenta conseguir na rua aquilo que os votos nunca lhe deram, e em que a UGT funciona como um yes man dos governos em termos de política laboral. Também não especifica o que seriam as políticas de esquerda com uma coligação PS, PCP e BE.


 


Manuel Villaverde Cabral pensa que o governo precisa de um governo inspirado pelo Presidente. Gostaria de saber como se responsabilizaria esse governo. Fazia-se um referendo à actuação presidencial?


 


Adenda: Tal como Carlos Santos, não me fica nenhuma dúvida da escolha de Manuel Alegre nas eleições legislativas. Manuel Alegre é socialista e escolheu ficar no PS.

 

4 comentários:

  1. Francisco Cavaco17:08

    Na Mouche só quero lembrar uma coisita o memorando de entendimento entre o o ministério da educação e os sindicatos foi cozinhado por Carvalho da Silva e por Vieira da Silva que depois chamaram Nogueira e MLR e assinaram um memmorando muito prejudicial para os Professores.
    Assim se vé a premiscuidade

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  2. Manuel Alegre - É certo que fica por onde sempre andou. Mas cada vez é mais notório que não sabe muito bem por onde anda.

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  3. A esquerda à esquerda do PS não dá efectivamente quaisquer garantias de poder colaborar numa solução governativa. Neste como noutros pontos, Manuel Alegre parece-me ingénuo.

    Villaverde Cabral acaba por não explicar como seria possível fazer funcionar um governo baseado numa - presumo - mescla de deputados de vários partidos. Não seria. Não creio, aliás, que existam muitos deputados disponíveis para considerar opções que não passem pela decisão das cúpulas dos seus partidos. E, neste caso, entramos nas considerações do costume - como formar maiorias estáveis no nosso parlamento.

    De qualquer modo, sem ser necessariamente culpa das respectivas cúpulas, os dois principais partidos são mais agências de emprego que organizações preocupadas em resolver os problemas do país. Esta situação poderá levar cada vez mais portugueses a pensar que a solução tem que passar por opções de voto mais radicais ou por controlá-los "por cima". Salazar, cuja memória parece estar cada vez mais "limpa", gozou de grande popularidade por ter conseguido estabilizar o sistema político. Um sistema mais presidencialista não é necessariamente menos democrático e a possibilidade talvez merecesse ser discutida. Mas não estou a ver os partidos cederem voluntariamente poderes ao presidente, pelo que, a menos de uma efectiva e improvável mudança no interior do PS e/ou PSD, o mais provável é mesmo a progressiva transferência de votos dos partidos do centro para os dos extremos.

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  4. reflexo08:58

    Manuel v..c. e' um tipo estranho. Eu alias nunca percebi muito bem o que tem para dizer de importante.Ele tropeça na sua propria argumentaçao.Mas nao e' de agora...

    Faz muitos estudos...ca' para mim estuda de menos e o resultado esta' a vista...

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