27 abril 2009

Códigos

 



(pintura de Jared Klusner: Ghost Ship)


 


Não tenho como medir as fontes

que me rodeiam de água ou de letras

consoantes desalinhadas

num perpétuo sentir diferente.

Faltam-me as réguas que arrumo

lado a lado na memória da solidão

as balanças de precisão onde posso comparar

lenços e mãos livros e mágoas.

Nem tenho como controlar as pequenas moléculas

que se agitam a necessária oxidação de radicais

permanentemente livres.


 


Vou dedilhando pacientemente nos muros

em códigos que desconheço.

 

4 comentários:

  1. Belíssimo!
    E o diálogo que propõe com a pintura escolhida...perfeito.
    Os superlativos, para mim, são sempre da ordem do espanto e do maravilhamento.
    A beleza provoca, sempre, emoção e perturbação.
    Foi o caso.
    Muito obrigado.
    J.A.

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