Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
10 setembro 2007
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
(poema de António Gedeão – 10 de Setembro de 1959)
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Era um dos poemas que eu trabalhava com as minhas crianças e que elas adoravam. Dos tais que eu acho que podem ser para crianças mesmo que feitos para sensibilizar adultos.
ResponderEliminarQuanto a mim, é claramente um dos que trago sempre comigo.
E o manuscrito???
O manuscrito está na Biblioteca Nacional digital. Tem preciosidades várias, não só do António Gedeão.
ResponderEliminarhttp://bnd.bn.pt/
Há química (nesta química)...
ResponderEliminarlindo! não conhecia. obrigado.
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