09 junho 2006

A honra perdida

É um engano pensarmos que estamos num estado de direito.

Li hoje, no “Expresso on-line”, uma notícia sobre a conclusão do processo dos atestados falsos, que teriam justificado as faltas de alunos às provas globais. Isto ter-se-á passado em 1999.

Sete anos depois, já os alunos terão entrado nas universidades e, pelo menos alguns deles, já terão acabado os cursos, prova-se que… nada ficou provado.

E tem mesmo que ser assim. Se tivesse ficado provado que os atestados eram falso, qual seria a penalização dos alunos vigaristas? Desfaziam os cursos que entretanto tinham acabado? Davam-nos, já prontinhos, aos que, eventualmente, teriam sido ilegalmente ultrapassados? Já não há nada que possa alterar semelhante situação.

Para não falar dos 70 médicos que atestaram por sua honra que 300 alunos sofriam de stress e ansiedade. Que lhes aconteceu no entretanto? Quem mais vai acreditar neles, seja para o que for? Que é feito da sua honra?

Mas a verdade é que não foi possível demonstrar que não estivessem doentes. Nunca é. Pelo menos neste país, 7 anos depois da alegada doença!

1 comentário:

  1. A.Teixeira18:37

    Deveras escandaloso! O elogio da impunidade.

    O resto está no post, os alunos que apresentaram os atestados, os pais que a isso os incitaram ou cobriram, e a referência para a honra dos médicos que os assinaram. Só faltou a referência à deontologia dos advogados que se regozijaram à comunicação social pelo veredicto.

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