31 dezembro 2007

Travessia

Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar

Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar

Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver

Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar

Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver

(Milton Nascimento & Fernando Brant; canta Milton Nascimento)

Canción de las simples cosas

Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,

lo mismo que un árbol en tiempos de otoño muere por sus hojas.

Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,

esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.



Uno vuelve siempre a los viejos sitios en que amó la vida,

y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.

Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,

que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.



Demórate aquí, en la luz mayor de este mediodía,

donde encontrarás con el pan al sol la mesa servida.

Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,

que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.




(Armando Tejada Gómez
& César Isella; canta Mercedes Sosa)

Libertango



Astor Piazzola - Libertango

Mau negócio

Gostaria de ter visto, ou ouvido, ou lido, alguns dos que apressadamente concluíram a existência de obscuros e lucrativos negócios entre o governo e as entidades privadas de saúde, na altura em que se noticiou a reorganização das urgências hospitalares, comentarem esta notícia do DN.

Afinal o negócio não é assim tão bom para os privados. Pelos vistos eles não tencionam investir nessas zonas. Até as Misericórdias vão ponderar.

Se a reorganização do serviço público está a ser ou não bem feita, é discutível. Agora os seus objectivos não me parecem assim tão tenebrosos e tão favoráveis aos interesses privados, como alguns anunciavam.

Rituais

No cuidado com que escolheu a garrafa de champanhe, a carne tenra para cortar em cubos e misturar nos molhos mais variados, os vários tipos de alface, a ideia para a sobremesa, apercebeu-se de que os rituais, por muito que não lhes ligasse importância, reclamavam a sua hora.

De um segundo para o outro iria saltar um ano. Até conseguiu antecipar um frémito de emoção quando, no primeiro dia do próximo ano, se instalasse confortavelmente no sofá para assistir a outro ritual: o concerto de ano novo.

Desejou intimamente que o ano a iniciar brilhe e que traga um novo fôlego para o dia a dia.

30 dezembro 2007

Balanços

Eu sou apologista de fazer balanços. Penso mesmo que é inevitável. Podem utilizar-se datas certas ou irregulares, fazer balanços cíclicos ou esporádicos, mas todos nós fazemos balanços dos mais diversos aspectos da vida, diariamente, pois é assim que tomamos decisões.

Para mim este ano que passou foi de grandes mudanças e emoções. Difícil mas estimulante, acabaram-se umas coisas e começaram-se outras.

Se calhar quem mudou mais até fui eu. Temos tendência a atribuir as alterações da nossa vida a estímulos exteriores, mas a verdade é que nós também mudamos a forma de olhar e valorizar os acontecimentos, as pessoas, a importância e prioridade dos primeiros, os valores e princípios das segundas.

As mudanças fazem-se após momentos de crise e revolução interior. Em nós, em termos orgânicos e comportamentais, tal como nas sociedades que construimos e conservamos.

Talvez o país vá mudar, pois está já em crise há demasiado tempo. Quem sabe se 2008 não será o ano da verdadeira, radical, estimulante e esperançada mudança?


(escultura de Ron Whitacre: balance)

29 dezembro 2007

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...