Chama-se ao poema noturno
como se a noite tivesse rima
como se o poema fosse de estrelas
e geada. Na margem deste caminho
versos luminosos mas sem lume
projetam nessa noturna dor
pequenos pirilampos de esperança.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Chama-se ao poema noturno
como se a noite tivesse rima
como se o poema fosse de estrelas
e geada. Na margem deste caminho
versos luminosos mas sem lume
projetam nessa noturna dor
pequenos pirilampos de esperança.
Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias.
Ligado ou desligado.
Sem perceber como nem porquê, este meu carro resolve
aumentar o volume do rádio ou do Spotify quando lhe apetece, até gritar estupidamente.
Se desligar o infotainment, ele liga-se sozinho.
Mas também o faz estando desligado e estacionado.
Outro
dia parei o carro em frente à farmácia. Depois de comprar o que
necessitava dirigi-me ao dito para regressar. Enquanto me aproximava comecei a ouvir barulho que vinha de dentro do carro, como se houvesse alguém a discutir lá dentro. Abri a porta e fui recebida pelo rádio em
altos berros.
Nem sempre acontece. E não encontro nada que possa explicar
tal comportamento. Já esteve no concessionário várias vezes e volta sempre na
mesma.
Enfim, enquanto não resolver imitar o carro assassino, estou
descansada!
Um dos grandes motivos de burnout dos
profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é a luta diária com os
sistemas informáticos, plataformas, softwares, impressoras, etc.
Com o advento das desmaterializações e da transformação de
processos e procedimentos manuais e em papel para modelos digitais,
o que é importantíssimo e saúdo vivamente, poderíamos pensar que tudo seria mais fácil, rápido e sereno. Pois não é o caso.
O problema é que não há verdadeira integração e
comunicação entre as várias plataformas, a velocidade da internet não é a
desejável e o hardware envolvido também não. Por outro lado, há cada vez mais
tarefas assumidas por médicos que nada têm a ver com atividade médica,
desperdiçando tempo, capacidades, paciência aos médicos e dinheiro dos contribuintes.
O PRR destinou 300 milhões de euros à Transição Digital na Saúde (TDS). Segundo o relatório de acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) de 2026, publicado no site da Comissão Nacional de Acompanhamento (CNA) do PRR, a TDS (C01-i06) está…. concluída!
No entanto, no portal de informação Mais Transparência, a
conclusão deste projeto deverá ser a 31/12/2026, tendo sido o valor já pago de 155,02
milhões de euros, ou seja, de 51,6% do total...
Por outro lado, no site da SPMS, no que diz respeito a
informações e notícias sobre este tema, a data da última publicação é 04/06/2024!
Confesso a minha perplexidade e estranheza. A TDS já está completa, foram pagos
cerca de 50% dos montantes totais e as últimas notícias datam de 2024.
A realidade diária também está perplexa - será uma realidade paralela?
O mestrado integrado de Medicina tem a duração de 6 anos.
Segue-se mais um ano, o Comum. Depois a Formação Específica que, dependendo
da especialidade, estende-se por um período de 4 a 6 anos.
Ou seja, fazendo as contas, um médico especialista demora 11 a 13 anos a formar-se.
A Formação Específica
obedece a critérios dispostos na Lei. Não é qualquer serviço em qualquer
hospital que pode oferecer essa formação. Para tal, todos os anos é avaliada a
capacidade formativa dos serviços, nomeadamente daqueles que se candidatam a
ter internos.
O número de vagas de formação de especialistas é determinada
pelo Ministério da Saúde / ACSS, não sem antes ter o parecer da Ordem dos
Médicos.
Para fazer face à escassez de profissionais nos serviços de urgência,
primeiro, e nos serviços de internamento hospitalares e em consultas externas,
depois, principalmente a partir de 2010 – 2015, os contratos de prestação de
serviços com médicos sem especialidade foi-se tornando prevalente nas
organizações hospitalares. Escassez essa que se iniciou na contração de alunos de medicina e na contração de entrada em especialidade, iniciada nos anos de Leonor Beleza.
Até hoje, médicos que terminem o Ano Comum e não tenham
entrado numa vaga de especialidade (lembro que nos últimos anos há sempre vagas
de especialidade sem serem preenchidas) podem ser (e são) contratados como
prestadores de serviço predominantemente em serviços de urgência.
Por outro lado, médicos que terminem com aproveitamento a
sua especialidade, caso não queiram ocupar uma vaga nos concursos anuais para
recém especialistas, podem ser (e são) contratados em prestação de serviços,
inclusivamente nos serviços onde fizeram as suas especialidades.
Acrescento que a remuneração horária paga em prestação de
serviços, nomeadamente em urgência, é muito superior ao preço/hora de um
especialista do quadro, mesmo no último grau da carreira. Para além disso,
estes prestadores não precisam de garantir assiduidade, podem mostrar disponibilidade ou indisponibilidade permanentemente, não garantindo, por isso,
previsibilidade no planeamento de escalas.
Também não têm que garantir períodos festivos, férias de
outros colegas, feriados, fins-de-semana, etc. Não são responsáveis pelos
doentes após as horas de prestação de serviços, ou seja, são depois os
especialistas do quadro que asseguram a continuidade da atividade assistencial.
Podem ou não fazer formação contínua; não são avaliados.
Qual é, portanto, o incentivo que se dá aos médicos que
terminam a especialidade para fazerem parte de um serviço, quando podem ter uma
remuneração muitíssimo superior, com muito menos horas de trabalho e sem as
responsabilidades inerentes a um elemento do quadro hospitalar?
Qual é, portanto, o incentivo que se dá aos médicos que não
entram no internato de especialidade, quando podem ter uma remuneração
muitíssimo superior, com muito menos horas de trabalho, sem as responsabilidades
inerentes a um elemento do quadro hospitalar?
Qual o sinal que se dá a quem, diariamente, assegura a
assistência hospitalar, assegura as urgências com horas e horas
extraordinárias, não pode fazer natais, páscoas, fins de ano, fins de semana
alargados, etc., que investe na sua formação, que faz investigação, que assegura
a formação dos internos de especialidade?
Não conheço o teor da legislação que se pretende
aprovar em relação aos “tarefeiros”. Mas tenho a certeza que esta situação não
pode continuar, que é preciso incentivar e premiar quem decide ter uma
carreira, estudar, evoluir, formar, em vez de o fazer ao contrário: incentivar os
jovens médicos indiferenciados a não investirem na sua formação contínua, e aos
especialistas, mais ou menos jovens, a fazerem horas por vários
hospitais, sem responsabilidades mas com ganhos muito superiores aos outros.
Por isso, espero que a legislação possa reverter esta
injustíssima situação e que, quem quer trabalhar no SNS seja dignamente remunerado, sendo-lhe reconhecido o esforço e a competência. Espero que, finalmente, haja coragem política, pois é uma mudança muito difícil e que movimenta muitos interesses.
Quem defende o SNS não pode concordar com este estado de
coisas. Isto é destruir o SNS, a formação médica, a melhoria contínua, a
investigação, etc. É destruir a qualidade assistencial que, mesmo em tão duras
condições, continua a ser a marca do SNS.
Sim, este é dia das mães, de todas as mães, em todos os cantos do mundo.
Mas, para mim, é o dia da minha mãe.
Pelos seus dedos passam pontos
de linhas de lã pontos cardeais
com que sutura feridas e enternece
o nosso mundo.
Pequenos os pontos pequenos os nós
tão grande este mundo
onde já não cabemos.
a todos está bem
Cravo verde ao peito
a todos está bem
Mas a certo menino, olaré
melhor que a ninguém.
Mas a certo menino, olaré
melhor que a ninguém
Acordei hoje com a notícia
de mais
um atentado a Trump de que ele, miraculosamente, mais uma vez,
escapou.
Não é à toa que sou devoradora de
policiais. E, confesso, que tantos atentados a Trump, tanta
falha nos serviços de segurança que têm por missão defender o
Presidente dos EUA, tantas coincidências relativamente ao timing dos atentados
– a embrulhada da guerra do Irão, as trapalhadas relativas à construção do
salão de baile na Casa Branca, o caso Epstein, a presença de Trump num jantar a
que nunca, antes, tinha ido, estão a cutucar o meu natural e científico
cepticismo.
Ou seja, esboça-se na minha
tortuosa e malvada mente, uma teoria da conspiração...
Aguardemos o desenrolar da
trama.
Importante declaração:
Acho o Trump uma desgraça para o mundo mas condeno qualquer tipo de violência,
seja ela política ou qualquer outra.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...