24 dezembro 2024

À espera do nascituro

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Salvador Dalí


 


Um ramo de folhas duras


Pedacinhos de luar


A alma feita em costuras


De feridas por sarar


 


Aconchega o olhar


No piso de tanta ausência


Apresta-se a respirar


Um mundo sempre em carência


 


Nesta branda consoada


À espera do nascituro


Tristeza bem arrumada


No fundo do seu futuro

21 dezembro 2024

Manhãs de Inverno

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Edward Hopper


 


Manhãs de Inverno, claras e frias. O Sol coado pelas persianas, ainda baixas.


Ouço a água a correr de um duche.


Alguma paz e serenidade, neste Natal mais vazio.


Os sons da vida que continua, as cores de um mundo que não parou.


Como se não houvesse nada que ficasse, como se nada fosse perene.

14 dezembro 2024

Cinzas


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Camille Claudel



 

Aproximo a lareira

Pra aquecer meu coração 

Nas cinzas desta fogueira 

Vou soprar a solidão 

 

Rodo as paredes vazias

No branco deste Natal

Os olhos que me acendias

Mil estrelas num castiçal 

 

Regresso à névoa esfumada

De uma memória querida

Tua mão entrelaçada

No fio da minha vida

Fado de Natal


 

Natal doce Natal quente

Ano a ano de seguida

Um Natal que se ressente

No arder da despedida

 

Não tenho mãos pra rezar

Ao Jesus que vai nascer

Nem o brilho do altar

Que me possa absolver

 

E o Natal que se aproxima

Vai escrevendo esta canção

Não há dor que nos redima

Nem nos ensine o perdão

 

Não fosse o Natal um fado

Um encontro sem idade

Um poema declamado

Na voz prenha de saudade

 

O Natal sempre resiste 

Aos atropelos da vida

Nesta alma que persiste

Há esperança comovida

A Grande Reunião

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Tenho, por diversas vezes, aplaudido aqui o Teatro Meridional. E vou fazê-lo de novo.


A Grande Reunião, com texto de Mário Botequilha e encenação de Miguel Seabra, é extraordinário, dos melhores espectáculos que já vi.


Um grande texto, sarcástico, verrinoso, cómico, profundo, aproveitando as palavras e referências várias, até de John Lennon, numa crítica certeira e mordaz à nossa sociedade desigual e cruel, com uma beleza e uma elegância incríveis.


Um conjunto de grandes actores, uma atmosfera sonora a condizer e uma cenografia minimalista, é tudo grande.


O Teatro no seu melhor. Parabéns ao Teatro Meridional e a todos os que com ele colaboram e nos dão estes fantásticos momentos, em que nos olhamos ao espelho e por dentro, em que nos espantamos e emocionamos.


Vão ver. Já só têm uma semana.



Sinopse


Estamos à beira do colapso da civilização, tal como foi pensado pelos Pantalones. Eles são os sovinas ultra-ricos da Commedia dell’Arte e controlam as tecnologias, o dinheiro, o cerne das nossas vidas. Os Pantalones dominam toda a informação que circula em todo o mundo entre todas as pessoas e programaram uma tempestade perfeita que faz coincidir a ruína económica, o desastre ambiental e as ditaduras populistas. Mas este desastre é só para os outros: os Pantalones têm tudo pensado para se porem ao fresco assim que a sociedade mergulhar no caos, uma estratégia pantalónica circunscrita a 1% da população mundial. Tudo isto é decidido num encontro muito exclusivo a que apenas os multimilionários e poderosos Pantalones têm acesso. Bem-vindos à Grande Reunião.


 


Ficha Artística


Texto: Mário Botequilha


Encenação e desenho de luz: Miguel Seabra


Interpretação: Carlos Pereira, Catarina Mota, Diana Costa e Silva, Emanuel Arada, Henrique Gomes, José Mateus


Espaço cénico e figurinos: Hugo F. Matos


Música original e espaço sonoro: Rui Rebelo


Assistência de encenação: Nádia Santos


Direção de cena, assistência de cenografia e montagem: Marco Fonseca


Montagem e operação técnica: André Reis


Assistência de produção e comunicação: Rita Mendes e Teresa Serra Nunes


Produção executiva: Susana Monteiro


Direção de produção: Vanessa Alvarez


Direção artística Teatro Meridional: Miguel Seabra e Natália Luiza


07 dezembro 2024

Desenho

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Van Gogh


 


Perdida nas palavras que me faltam
no opaco da névoa da tristeza
perdida no silêncio que me envolve
agarro alguns pontos de luz
aqueles com que polvilhaste o meu caminho.
Ainda não conheço o desenho certo
mas hei de lá chegar.

Só é vencido quem desiste de lutar

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BNP


Um dos Homens a quem devemos a Democracia e a Liberdade. E que nunca desistiu.


Adenda: Mário Soares não terá sido o autor desta frase e deste lema de vida, mas fê-lo seu. Salgado Zenha, seu grande amigo durante tantos anos, e outro grande lutador pela liberdade (em quem votei nas eleições presidenciais), repetia esta, como outras frases slogans de vida., que sempre seguiu.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...