27 março 2020

Os Velhos

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Ai Weiwei


 


Diz-se que há-de vir


uma era justa e boa


em que o valor da pessoa


se mantém quando envelhece.


Está no trabalho que fez.


Para conseguir uma coisa como esta


dava o sangue que me resta.


E era como se tivesse


nascido mais uma vez.


 


Deram-nos este banco de avenida


onde a sombra nos dói e a tarde gela


e daqui vemos nós passar a vida


Sem que a vida nos sinta perto dela.


 


Assim nos atiraram para fora


das coisas que ajudámos a fazer.


Ai, como o sol aquece pouco agora.


Ai, muito custa à noite adormecer.


 


Fomos pedreiros, varredores, ardinas


fizemos casas, cultivámos terras,


criámos gado, entrámos pelas minas,


demos os filhos para as vossas guerras.


 


Demos as filhas para vos servir,


cortámos lenha para a vossa fogueira.


E o tempo a ir-se, e a gente a pressentir


que vos demos sem querer a vida inteira.


 


E ainda é sangue o que nas veias corre.


Ainda é raiva o que nos dobra a mão.


Ainda ecoa um sonho que não morre


no nosso velho e atento coração.


 


Hélia Correia

24 março 2020

Da política em tempo de COVID-19

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Mensagem do Presidente da República ao País sobre a declaração do estado de emergência


Marcelo Rebelo de Sousa quis retomar a iniciativa política após a sua auto infligida quarentena um bocado extemporânea, que muitos louvaram e outros criticaram por não se justificar nas circunstâncias em que ocorreu.


Nesse sentido, e sempre com o Expresso como porta-voz oficioso, lançou-se imediatamente a imensa e irreversível emergência de decretar o estado da dita, dando ressonância à resistência do Primeiro-ministro.


Após o Conselho de Estado, e depois da amplificação da vontade do Presidente da República em decretar o Estado de Emergência, a decisão tornou-se irreversível até pelo alarme social a que se assistia. A atitude de António Costa só podia ser a de apoiar o Presidente, tal como aconteceu com o Parlamento, numa demonstração de grande responsabilidade institucional e de coesão entre os vários órgãos de soberania e poder.


Marcelo assumiu a responsabilidade e assumiu o protagonismo, essencial em tempo da crise já instalada e da que há-de vir, até porque as eleições presidenciais aí estão.


A convocatória a Mário Centeno para ir a Belém, com o Expresso a propagandear que Marcelo queria garantir que Centeno não abandonava o barco, imediatamente seguida pela insinuação de que teria sido a reunião com o Presidente a convencer Centeno a ficar e a assumir a sua responsabilidade, são exemplos gritantes de notícias plantadas. No mínimo essa insinuação é ofensiva. Nunca Mário Centeno assumiu que ia abandonar o governo e seria um suicídio político se o fizesse numa altura destas.


A confiança nos nossos governantes é essencial para que possamos atravessar esta grave situação. É indispensável que o escrutínio continue, através dos órgãos próprios e do jornalismo, ele próprio um órgão de controlo dos poderes quando não se transforma numa correia de transmissão de um qualquer projecto político, com é o caso.


Não quero ser mal interpretada. Como já aqui referi considero que no meio de tanta desgraça temos a felicidade de contar com um Presidente, um Governo e um Parlamento, com especial destaque para Rui Rio que tem tido uma postura de grande responsabilidade. Por isso me custam estas manobras, que me parecem dispensáveis.


Ou se calhar não. Pelo menos há um arremedo de que a vida continua.


E tem mesmo de continuar.

23 março 2020

SARS-CoV-2 - distribuição etária – prevenir e proteger

Neste momento, a grande diferença entre as infecções confirmadas em Portugal e Espanha é a distribuição etária. E também por isso, e se calhar exactamente por isso, a diferença entre as respectivas mortalidades - 1,1% e 6,1%.


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El País


 


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DGS


É absolutamente crucial tentar impedir que a infecção se generalize a lares de idosos. É essencial que os mais velhos tenham a noção exacta do risco acrescido.


Prevenir e proteger é o mais importante.

22 março 2020

Rimas de quebrar vírus

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Lava a cara lava a boca


usa a água e o sabão


lava a mão e lava a outra


com desvelo e atenção.


 


Entra em casa sem receio


limpa bem o puxador


abre a porta e depressa


tira a roupa do exterior.


 


Não te encostes a ninguém


os abraços vão esperar


cobre a boca e o nariz


se tiveres que espirrar.


 


Não te assustes não te alarmes


exercita o coração


estica encolhe encolhe e estica


até à próxima sessão.


 

Estilo quarentena 2020

Sem sair de casa durante 3 meses


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Moda Primavera/Verão 2020

Depois de vários meses sem cabeleireiro nem barbeiro


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COVID-19 em Portugal - hoje

A evolução da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal tem seguido uma curva ascendente, como se previa e acontece em todos os outros países do mundo. No entanto, para já, tem corrido melhor do que algumas previsões.


Embora seja muito cedo para perceber se a tendência se mantém, é importante registar este facto.


Não podemos entrar em pânico e devemos continuar a nossa vida, o melhor que podemos, sem alarmismos mas com muito cuidado e muito senso, ouvindo e seguindo as indicações da DGS e do governo.


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Em termos de evolução do número de casos confirmados, ela tem uma curva exponencial, com uma percentagem de aumento de novos casos de 25%, já há 2 dias.


 


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A taxa de letalidade é (hoje) de 0,88%.


 


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Se observarmos as curvas de previsão da evolução do número de casos de Buescu - mais optimista (aumento de 30% de casos/dia); mais pessimista (aumento de 39% de casos/dia) - e de Aguiar-Conraria (usando os cálculos da última função exponencial que calculou), percebemos que a real está abaixo de qualquer das outras.


 


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Se analisarmos os desvios percentuais é mais visível essa diferença.


 


Boas notícias que devem ser olhadas com reserva: é cedo, mas é encorajador.


Pode ser que a Primavera nos traga melhores notícias e, principalmente, uma enorme resiliência. Nese momento é disso que precisamos. E de bom humor e de solidariedade. E de serenidade. 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...