04 julho 2019

Das coisas misteriosas

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Há, de facto, algumas coisas que ultrapassam a minha capacidade de entendimento.


A decisão, quanto a mim importante e meritória, de reutilizar manuais escolares, deve ter sido tomada por alguém que não fazia ideia de como são os ditos manuais agora, pelo menos nos primeiros anos de escolaridade. Agora e há cerca de 30 anos, pois já eram assim quando os meus filhos andaram na escola.


A ideia peregrina de que se podiam reutilizar livros escritos pelos alunos, depois de apagados, obrigando e achando normal que os pais e os miúdos, no fim dos anos, apagassem os escritos ao longo do tempo escolar, só pode ter saído de mentes iluminadas que nunca apagaram qualquer manual.


Claro que reutilizar manuais faz sentido, para aqueles que não funcionam como fichas escolares. Se não se fazem livros onde não seja obrigatório preencher espaços em branco, levando as crianças a estimá-los para que possam servir para outras crianças, é um disparate sugerir a sua reutilização.

03 julho 2019

Da incongruência das avaliações

Não deixa de ser interessante que a mesma ERS que, segundo os inspirados tremendos títulos dos submersos pelo permanente caos no SNS, condenou o HVFX por internar doentes em refeitórios e casas de banho, classifique o mesmo HVFX com a classificação máxima de 3 estrelas em várias componentes, nomeadamente na vertente Adequação e Conforto das Instalações.


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SINAS - ERS


HVFX


É também interessantíssimo que os detractores da ignominiosa existência de PPP na saúde não tenham comentários a fazer sobre os resultados do SINAS na avaliação dos Hospitais.

Biografias

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O Poço e a Estrada


Isabel Rio Novo


 


Cada vez gosto mais de ler biografias, principalmente biografias de escritores.


 


Acho interessantíssimo conhecer a pessoa para além da capacidade de escrita, a forma como viveu, as suas circunstâncias e as do mundo que a rodeava, a família, o processo de criação, a sua ideologia política, se a tinha, a sua intervenção de cidadania, se é que a teve, as suas vitórias e derrotas, a maneira como lidava com a fama ou com o anonimato, enfim, a sua vivência e a sua humanidade.


 


Li a biografia de Agustina Bessa-Luís logo que foi publicada, até pelo fascínio que sempre me provocou. E não fiquei desiludida. Isabel Rio Novo consegue dar-nos a conhecer a mulher, a escritora, a irreverência e o conservantismo, a feminilidade, a alegria, o humor, a incrível capacidade de se distanciar de tudo e de olhar a sua vida como o adubo das suas personagens e dos seus aforismos.


 


Pelo contrário, a biografia de Sophia de Mello Breyner não me prendeu nem me devolveu uma pessoa. Penso que Isabel Nery ficou demasiado impregnada da imagem da poetisa e da poesia de Sophia, que se intimidou. Não fiquei a perceber como era a mulher, para além dos padrões e dos valores morais, da imensidão da vivência da obra poética, do amor à Grécia. A sua intervenção política, pelo contrário, parece-me bem espelhada.


 


E se calhar nada disto é importante e o meu gosto por conhecer a pessoa atrás da figura, da intelectual, da escritora, da poeta, é apenas a minha futilidade e curiosidade de voyeur. O que nos interessa, de facto, é a obra que deixaram, é a extraordinária capacidade de nos envolverem, ensinarem, divertirem e emocionarem.


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Sophia


Isabel Nery

Ou então


... à maneira de Dick Fosbury.

Confortabilíssimos colchões

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Quando comprarem um colchão não se esqueçam de medir a altura, pois podem ter que adquirir também um escadote...

02 julho 2019

Alguns factos verdadeiros para afirmações alternativas

A Ordem dos Médicos disponibiliza, online, estatísticas por especialidade - as mais recentes são de 2017.


Dessas estatísticas, realço apenas a especialidade de Ginecologia / Obstetrícia, a propósito das notícias diárias de caos, falta de especialistas, urgências e maternidades a fecharem, etc.


Convém não esquecer que os médicos especialistas podem deixar de fazer urgências nocturnas a partir dos 50 anos - na especialidade de Ginecologia / Obstetrícia há 74% de médicos com mais de 50 anos. Mas a partir dos 55 anos, podem também deixar de fazer urgências diurnas - nesta mesma especialidade 61% dos médicos têm mais de 55 anos e 32% têm mais de 65 anos (a idade da reforma é por volta dos 67 anos).


Ou seja, o problema das urgências em Ginecologia / Obstetrícia tem principalmente a ver com o envelhecimento dos médicos.


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Por outro lado, e lendo o Relatório Social do Ministério da Saúde e do Serviço Nacional de Saúde (o último disponível é também de 2017):



  • pág. 24 - A carga horária predominante em todos os grupos profissionais é, com exceção do pessoal médico, as 35 horas semanais (53,9%), o que decorre da entrada em vigor da Lei n.º18/2016, de 20 de junho, que alterou o período normal de trabalho (PNT) em 2016. No caso do pessoal médico, mercê do respetivo enquadramento legal, predomina o período normal de trabalho de 40 horas semanais.

  • pág. 30 - A taxa média de retenção global dos médicos recém-especialistas que concluíram o internato médico no ano de 2017, foi até à data, na ordem dos 84%. Evidencia-se as especialidades com o maior número de recém-especialistas ativos nas entidades como a Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Anestesiologia, Cirurgia Geral e Ginecologia/Obstetrícia, apresentando estas especialidades taxas de retenção global entre os 83% e os 91%.


Ou seja, ao contrário do que muitos comentadores e opinadores comentam em todos os media, o problema da falta de médicos nada tem a ver com a redução das 40 para as 35 horas semanais, pois os médicos mantêm as 40h/ semana.


E em relação ao facto de haver muitos médicos a serem seduzidos pelos Hospitais Privados, isso não é globalmente verdade e, no caso da especialidade de Ginecologia / Obstetrícia, não o é especificamente.


 


Resumindo - há falta de médicos sim, porque eles não existem e não se formam de um dia para o outro.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...