31 março 2018

Do amor

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Mulher e criança


Zhang Yaxi


 


 


Falamos tanto de amor, do amor, com a mão no peito e os olhos semicerrados, enchendo a voz de intensidade e aquilo a que todos convencionámos que é amar. Diariamente e desde sempre, ou pelo menos desde que nos habituámos a considerar tudo o que é íntimo como parte integrante do espaço público, reduzindo ou excluindo o direito ao segredo, ao privado, ao não partilhável, somos inundados por imagens e ideologia de como se deve amar, do que é o amor correcto, decente, moderno, tolerante, querido, trendy.


 


E no entanto, o que experimentamos é tantas vezes diferente, o amor que vivemos é tantas vezes menos glamoroso, menos cintilante, é tantas vezes doloroso, rotineiro, entediante, é tantas vezes violento, irascível, sufocante, é tantas vezes mais verdadeiro, mais constante, mais fundo, mais maravilhoso.


 


O amor não tem receitas nem normativos, o amor não tem amarras nem correctivos, o amor arranha-nos e abraço-nos, é o que nos perde e o que nos salva, é paixão, amizade, contenção, carinho, resistência, resiliência, luta, incapacidade, distância, reconhecimento, companhia, partilha, segredo, a nossa funda e discreta alegria, a nossa intrínseca e indispensável respiração. O amor tem ângulos, estrias, poços de lama, armas em riste, conversações de paz, estratégias e diplomacias, palhaçadas, risos, silêncio, serenidade, hábitos. O amor envelhece e reforma-se, renova-se e adormece, renasce e reacende-se todos os dias.


 


Todos os dias nos amamos e odiamos, em repentes e em remoinhos, as mães, os pais, os filhos, os irmãos, os maridos, as mulheres, os amantes, os vizinhos, os colegas, a humanidade em geral. Sem remédio nem sentido, o amor é o que de mais individual, único e especial cada um de nós tem para dar e receber.

30 março 2018

Das decisões ponderadas em política externa

Ao contrário do que vozes ligadas ao PSD advogam, parece-me muito serenaavisada a posição do governo português em relação ao conflito diplomático com a Rússia, por causa do envenenamento do ex-espião russo e a filha. Por muito que acreditemos que é obra de Putin, há uma investigação em curso e deve haver prudência para evitar conclusões precipitadas.


 


Não me esqueço que Portugal apoiou a guerra do Iraque, contra a resolução da ONU, seguindo as posições do Reino Unido e dos EUA, acreditando na existência de armas de destruição massiva, que se provou ter sido uma mentira para justificar a guerra. Apesar da posição de muita gente sensata, como Freitas do Amaral e Mário Soares, entre outros, o governo português colou-se de imediato e com subserviência às ordens inglesas e americanas.


 


Pois ainda bem que, desta vez, não o fez.

26 março 2018

Grandes frases (1)

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As pessoas não se podem furtar ao transcorrer homogéneo e linear dos ponteiros do relógio.


 


Esta foi uma frase inesquecível que eu ouvi há muitos anos na TV, a Luís Salgado de Matos (não sei porque me lembrei...).


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Foto: Agência Ecclesia

Do engajamento político de José Gomes Ferreira

jose gomes ferreira entrevista AC 2017.pngSIC - 07/06/2017


 


 


É muito importante comparar a postura de José Gomes Ferreira na entrevista que fez a António Costa, a 07/06/2017, em relação à interpretação dos números do défice.


 


No quadro que apresenta (às 18:26) para justificar o governo da PAF e demonstrar o quão bom tinha sido por reduzir o défice desde 2011, não se vislumbram os resultados devidos às intervenções no Novo Banco em 2014 (7,3%) e no BANIF em 2016 (4,4%).


 


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gentilmente cedido por A. Teixeira 


 


Agora José Gomes Ferreira, como o governo é da Geringonça, defende veementemente que o impacto da capitalização da CGD tem que ser incluída no défice - 3%.


 


E é assim que se faz comentário político, disfarçado de técnico, na televisão, sem contraditório.

25 março 2018

Catalunya

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 Puigdemont detido na Alemanha


 


O que se está a passar em Espanha, mais precisamente na Catalunha, é vergonhoso. Dentro da democracia espanhola, dentro da União Europeia, prendem-se pessoas por delito de opinião, por delitos políticos. Não estão asseguradas as elementares liberdades de expressão de pensamento, de direitos de cidadania.


 


As últimas eleições foram marcadas pelo poder central e Rajoy não aceitou os resultados eleitorais. O Rei descredibilizou-se como sendo um elemento unificador das várias Espanhas.


 


O fosso cava-se mais fundo e uma solução para o problema da Catalunha está cada vez mais longe de se vislumbrar.

21 março 2018

Medidas

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Aqua I


Annaluigia Boerettohas


 


 


Meço o tempo pelas palavras


cada vez mais curtas


cada vez mais escassas


cada vez mais duras


instalando-se o silêncio


nesta doce melodia


do esquecimento.

Galos na Praça da Fruta

Ontem, depois do concerto, caminhei calmamente de regresso ao hotel passando pela Praça da Fruta, àquela hora já ao lusco-fusco, ainda com v...