04 março 2018

Ausencia


Cesária Évora


Teofilo Chantre & Goran Bregović


 


 


Si asa um tivesse


pa voa na esse distancia


Si um gazela um fosse


pa corrê sem nem um cansera


 


Anton ja na bo seio


um tava ba manchê


e nunca mas ausencia


ta ser nôs lema


 


Ma sô na pensamento


um ta viajà sem medo


nha liberdade um tê'l


e sô na nha sonho


 


Na nha sonho miéforte


um tem bô proteção


um tem sô bô carinho


e bô sorriso


 


Ai solidäo tô'me


sima sol sozim na céu


sô ta brilhà ma ta cegà


Na sê clarão


sem sabe pa onde lumia


pa ondê bai


Ai solidão é um sina

Linha de Separação

Desde há muito tempo que não seguia séries na televisão. Há muitos anos mesmo. Mas nos últimos tempos, com as excelentes séries que têm passado na RTP2, esse hábito vem-se instalando.


 



 


Primeiro com Nobel, uma série norueguesa que conta uma falhada negociação política entre a Noruega e o Afeganistão, numa tentativa de fazer um acordo de paz que servisse os vários grupos de talibãs, depois com esta Linha de Separação, redescubro a vontade de me sentar em frente ao televisor, ansiosa por ver a continuação da história.


 


Esta série tem como centro uma aldeia que ficou dividida ao meio pela guerra fria, logo após o fim da II Guerra Mundial. Está muitíssimo bem feita, transportando-nos a um tempo que não é assim tão longínquo, mas que quase parece inventado. A transformação dos fanáticos nazistas em fanáticos comunistas, os oportunistas, os que vivem numa nuvem ideológica, apercebendo-se duramente da mistificação, a forma como se doutrinavam as pessoas desde a mais tenra idade, tudo nos devolve a inquietação pelo que pode ser a instalação de uma ditadura duríssima, mesmo após a queda de outra, não menos dura. E tudo em nome do povo.


 



 


E agora voltamos a outra série norueguesa, que promete - Ocupados.


 


Medicina - Ciência ou Fé

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A chamada medicina tradicional chinesa foi e é equiparada a uma paramedicina. Significa isto que os métodos usados para interpretar os processos fisiológicos e fisiopatológicos, diagnosticar doenças e receitar tratamentos não são baseados no método científico mas na observação, interpretação de humores e uso empírico de remédios de vários tipos, fruto da experiência milenar dos curandeiros.


 


Por muito respeito que tenha pelas culturas milenares e pelos curandeiros experientes, isso não transforma a medicina tradicional chinesa, portuguesa, finlandesa, escocesa ou indiana numa ciência. Não nos confundamos com o que é a crença de cada um e das populações, que têm todo o direito a tê-las, com ciência. O mundo ocidental tem conseguido uma notável melhoria na saúde, controlando epidemias, erradicando algumas, curando infecções e cancros, usando os métodos que podem reproduzir resultados, perante as mesmas circunstâncias.


 


Tudo o que a chamada sabedoria popular tem, e que é muito, deve ser investigado e incorporado na prática clínica, após devidamente comprovado e aprovado. É assim que princípios activos de plantas ditas medicinais acabam em medicamentos. Assim se promove e defende a saúde pública, se melhora a qualidade de vida e se aumenta a esperança de vida das populações. Não se pode confundir a liberdade individual que cada um de nós tem de procurar as alternativas que quiser com uma política de Estado que mistura práticas pseudocientíficas com as científcas.


 


Muitas conclusões se tiram à luz dos conhecimentos existentes numa determinada época que, posteriormente, são desmentidas e revertidas, pois descobrem-se outras evidências. A leucotomia pré-frontal que deu o prémio Nobel a Egas Moniz, hoje não é praticada. Há, infelizmente, muitos negócios escuros e muita propaganda que descredibilizam muitas soluções e põem em causa muitos dogmas. Mas a ciência é isso mesmo, desafiar as verdades estabelecidas para descobrir novas soluções.


 


As modas actuais do regresso à natureza com comidas e estilos de vida totalmente disparatados, apenas são isso mesmo – modas do mundo ocidental que procura formas de estimular consumos e vender produtos disfarçados de ideias. Não podem ser assumidas como políticas num Estado que tem obrigação de defender os cidadãos.


 


Acho muito bem que se regulamentem as medicinas paralelas, sejam elas quais forem. Mas equipará-las à medicina é misturar ciência com fé. É um péssimo serviço que se presta aos cidadãos e além disso perigoso. A moda da não vacinação já está a mostrar os seus resultados. Não me parece que os humores e as energias de cada um, por muito positivas que sejam, impeçam a infecção pelo vírus do sarampo e, neste momento, há pessoas a morrer e a infectar outras porque decidiram não vacinar os filhos. Podemos também deixar de usar tuberculostáticos e passar apenas a comer melhor e a respirar ar puro. Era assim que tanta gente voltava a morrer de tuberculose.


 


Este é um assunto sério e grave. O SNS vai colocar nos seus quadros os futuros licenciados em Medicina Tradicional Chinesa? E a Universidade do Minho vai abrir um pólo em Vilar de Perdizes?


 


Nota: Vale a pena ler o artigo Terapias alternativas: quando as portarias substituem as provas.

27 fevereiro 2018

O Jardim

Para mim uma boa canção e a melhor do Festival.


 



Cláudia Pascoal & Isaura


 


 


Eu nunca te quis
Menos do que tudo
Sempre, meu amor

Se no céu também és feliz
Leva-me eu cuido
Sempre, ao teu redor

São as flores o meu lugar
Agora que não estás
Rego eu o teu jardim

São as flores o meu lugar
Agora que não estás
Rego eu o teu jardim

Eu já prometi
Que um dia mudo
Ou tento, ser maior

Se do céu também és feliz
Leva-me eu juro
Sempre, pelo teu valor


São as flores o meu lugar
Agora que não estás
Rego eu o teu jardim

São as flores o meu lugar
Agora que não estás
Rego eu o teu jardim

Agora que não estás, rego eu o teu jardim
Agora que não estás, rego eu o teu jardim
Agora que não estás
Agora que não estás, rego eu o teu jardim


 

Rodando

questioning-mind.jpg


Questioning Mind


Michaekl Alfano


 


O que dizer de tanto que já se disse e ninguém lê, ninguém colhe, ninguém quer? Anulação voluntária e pedagógica, assistindo aos rios de tinta digital que outros pintam por mim. Será que se interessam? Será que me interesso?


 


Habituamo-nos ao anonimato das ideias, das atitudes, das emoções. Será que ainda existem, de tanto que se estilhaçam continuamente pelo espaço de três ou quatro palavras, duras de preferência?


 


Todos nos apressamos à assertiva opinião instantânea, sem cuidar dos interstícios, das pregas, das variações cromáticas, da rugosidade dos dias. É mais fácil cortar com gumes afiados e em ângulos rectos, mesmo que as calcificações das superfícies nos impeçam a perfeição.


 


Nada interessa a não ser a minha boca, os meus dedos, o meu grito, o meu espaço. Nada interessa a não ser a minha voz.


 


E assim o mundo vai rodando sobre os mesmos intermináveis eixos, o tempo corrói as certezas e abraça a relatividade das coisas. Tudo o que penso ou pensei se esvai e esbate, tudo se esgota sem retorno.

18 fevereiro 2018

Qu'est ce qu'on attend pour être heureux


Paul Misraki & André Hornez


Avalon Jazz Band


 


 


 


Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?


Qu'est-c' qu'on attend pour fair' la fête?


Y a des violettes


Tant qu'on en veut


Y a des raisins, des roug's, des blancs, des bleus,


Les papillons s'en vont par deux


Et le mill'-pattes met ses chaussettes,


Les alouettes


S'font des aveux,


Qu'est-c' qu'on attend


Qu'est-c' qu'on attend


Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?


 


Quand le bonheur passe près de vous,


Il faut savoir en profiter


Quand pour soi, on a tous les atouts,


On n'a pas le droit d'hésiter


Cueillons tout's les roses du chemin,


Pourquoi tout remettr' à demain


Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?


 


Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?


Qu'est-c' qu'on attend pour fair' la fête?


Les maisonnettes


Ouvrent les yeux,


Et la radio chant' un p'tit air radieux,


Le ciel a mis son complet bleu


Et le rosier met sa rosette


C'est notre fête


Puisqu'on est deux.


Qu'est-c' qu'on attend?


Oh dis!


Qu'est-c' qu'on attend?


Oh voui!


Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?


 


Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?


Qu'est-c' qu'on attend pour perdr' la tête?


La route est prête


Le ciel est bleu


Y a des chansons dans le piano à queue...


Il y a d'l'espoir dans tous les yeux


Y a des sourir's dans chaqu' fossette


L'amour nous guette


C'est merveilleux


Qu'est-c' qu'on attend


Qu'est-c' qu'on attend


Qu'est-c' qu'on attend pour être heureux?


 

Da hidratação saudável

garrafa treino 2.png


 


Precipitando-me em tropel acelerado para uma vida tão saudável que nem sei como, algum dia, a morte me escolherá, ontem dei mais um passo muito decisivo nesta correria. O objectivo era arranjar uma garrafa de água para levar para o treino (palavra que já entrou no meu léxico) que não fosse de plástico.


 


Tal como Cristo, o jejum ressuscitou e é prescrito por todos os PTs do país (ou do mundo?). Comer de 3 em 3 horas, para que a glicemia se mantenha estável e não haja picos de insulina? Isso já está totalmente ultrapassado. A nova trendy dietética é o jejum. Não sei por quanto tempo (e achei melhor nem indagar pois, seguramente, não iria gostar da resposta). Ora a juntar-se-lhe, e ao ultra processamento dos alimentos, agachamentos, remadas e empranchamentos, para além das bicicletas, passadeiras e sei lá que mais, está o bebericar de água que terá, pelo menos na ciência certa dos PTs, propriedades adelgaçantes e um estranho e inexplicado efeito de redução da frequência cardíaca, levada aos píncaros pelos esplendorosos exercícios.


 


Mas, oh horror dos horrores, a garrafinha de água do Luso que eu, displicentemente, usava, estava a potenciar todos os efeitos cancerígenos e obesogénicos do plástico do dito continente. Não pensem que é fácil resolver este magno problema. Uma garrafinha de água para o treino (devia emagrecer só de repetir esta palavra) tem que ser leve e não se partir, para além de ser rápida e fácil de usar no bebericanço. As que encontrei na Sport Zone e na Decathlon tinham que se desenroscar umas, outras tinham um bico para esguichar nada simpático, outras ainda nem percebi como se usam. E além disso eram todas de plástico.


 


Ontem, ao passar por uma bancada do Smartlunch, empresa que proliferou e inchou nos últimos anos, dei com as garrafas exemplares! De vidro, envoltas numa matéria plástica (mas sem contacto com a água) para que não se partam, com uma rolha fácil de desenroscar - heaven, como diria a Tootsie.


 


Enfim, saúde saudável, aí vou eu.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...