06 dezembro 2017

Um louco na Casa Branca

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Reuters / Jonathan Ernst


 


É difícil imaginar que alguém possa ser eleito para um cargo com o poder e a importância da Presidência dos Estados Unidos da América sem um mínimo de bom-senso, de conhecimento histórico e de razoabilidade, sem se rodear de gente competente e cautelosa, gente que pense e se importe com um pouco mais do mundo do que aquele que corresponde ao espaço vital que ocupa.


 


Mas aconteceu, e continuará a acontecer. Donald Trump vai ultrapassando todos o limites que julgávamos intransponíveis. O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é uma decisão com consequências imprevisíveis.


 


Há um louco perigoso à solta na Casa Branca.

05 dezembro 2017

Um dia como os outros (180)

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(...) Mas foi o candeia nacional Marques Mendes que nos iluminou. Centeno no Eurogrupo? "Mentira de 1.º de Abril... Campanha de autopromoção... É o seu ego... A sua vaidade... Está deslumbrado... Inchado... Muito inchado... Não há uma única alma lá fora que fale de Centeno... É um bocadinho ridículo uma pessoa assim a oferecer-se..." Ontem, Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo. O que vai fazer amanhã? Não sei. Mas ontem soube o significado do sorriso parvo: esteve sempre a rir-se dos pedaços de asno.


 


Ferreira Fernandes

02 dezembro 2017

Prosas Bíblicas - Livro 3

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(…) Uma lição que transforma o amor nessa misteriosa espécie de “cola” ou de “barro” capaz de ligar os pedaços sempre dispersos das nossas vidas tão fragmentadas, procurando unir na mesma substância indivisível o corpo e a alma ou, se preferirem, o humano e o divino: “Da cola do amor remendamos os cacos das vidas / Do barro do amor colamos as peças removidas / De nuvens de amor sopramos as faces ressequidas / Do canto do amor lambemos as crostas das feridas // Presos e atados por amor a tantos fios invisíveis / Amparados pelo amor que sem saber semearemos / Em cada canto do amor assim nos confiaremos / No tumulto do amor morreremos indivisíveis”


O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


16.


Da cola do amor remendamos os cacos das vidas


Do barro do amor colamos as peças removidas


De nuvens de amor sopramos as faces ressequidas


Do canto do amor lambemos as crostas das feridas


 


Presos e atados por amor a tantos fios invisíveis


Amparados pelo amor que sem saber semearemos


Em cada canto do amor assim nos confiaremos


No tumulto do amor morreremos indivisíveis


 


Livro 3 (pág. 78)

Prosas Bíblicas - Livro 3

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(…) mas o que daqui ressalta é, acima de tudo, a consciência muito clara de que, por mais belas que sejam tais palavras, por mais harmoniosa que seja a sua música, por mais que o “todo” seja “eloquente”, há sempre uma dimensão que elas não atingem. Como se diz no último poema: “Que o amor não se ouve nem se canta / Apenas se sente”. (…)


O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


20.


A todos os que me querem e me ouvem


Assim farás de ovo e serpente


Que o amor não se ouve nem se canta


Apenas se sente


 


A todos os que serão sem que o sejam


À espera da luz que não se acende


Assim abrirás o manto da vida


Para todo o sempre


 


Livro 3 (pág. 82)

Prosas Bíblicas - Livro 3

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(…) A matéria-prima desse infinito labor continuam a ser as palavras – “Com palavras amareis um pouco ou totalmente / Pelas palavras o nada será o todo eloquente” – , (…)


O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


9.


Escavareis a terra com as mãos da solidão


Cantareis a alma com a voz da paixão


Usareis o alento do corpo sem salvação


Expiareis com a vida o peso da ambição


 


Pelas palavras semeareis o fruto e a semente


Nas palavras sofrereis a pomba ou a serpente


Com palavras amareis um pouco ou totalmente


Pelas palavras o nada será o todo eloquente


 


Livro 3 (pág. 71)

Prosas Bíblicas - Livro 2

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(…) Digamos que na segunda parte ecoa uma atitude mais pessoal, talvez mais próxima dos pequenos dramas de cada um de nós, mais interrogativa perante as escolhas a que, melhor ou pior, a vida sempre nos obriga: “E agora que faço comigo matéria informe que se criou / e por céus e terras em paixões secretas alastrou / de ti desabrigada por ti desmanchada em ti / teimosamente escondida?” (…)


O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


8.


Nasceram-me braços e pernas cresceram-me bocas e línguas


fundiram-se sangue e saliva cozeram-se peles e dias.


E agora que faço comigo matéria informe que se criou


e por céus e terras em paixões secretas alastrou


de ti desabrigada por ti desmanchada em ti


teimosamente escondida?


 


Livro 2 (pág. 56)

Prosas Bíblicas - Livro 1

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(…) Aqui, os sentimentos são também razões e vice-versa, numa fusão mediante a qual todas as fronteiras conceptuais parecem esbater-se, num mecanismo cujo efeito pode ser, de certo modo, libertador, mas permanece ciente da humildade humana perante uma outra dimensão (chamemos-lhe divina) que radica no humano mas se situa infinitamente para lá do humano: “Ao longe está a candeia / As flores que sempre sonhei / Desejo que me incendeia / Palavras que eu criei // As grades estão quebradas / O dia escureceu / Tenho mil e uma estradas / Nenhuma que chegue ao céu”. (…)


O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


12.


Sequei a água do mar


Abri as portas que encerra


O mundo a transbordar


Das incertezas da terra


 


Ao longe está a candeia


As flores que sempre sonhei


Desejo que me incendeia


Palavras que eu criei


 


As grades estão quebradas


O dia escureceu


Tenho mil e uma estradas


Nenhuma que chegue ao céu


 


Livro 1 (pág. 26)

Maria dos cacos

Maria dos Cacos era, na verdade, Maria Póstuma, o nome da primeira grande ceramista de Caldas da Rainha. Filha e neta de oleiros, nascida no...