
(…) Aqui, os sentimentos são também razões e vice-versa, numa fusão mediante a qual todas as fronteiras conceptuais parecem esbater-se, num mecanismo cujo efeito pode ser, de certo modo, libertador, mas permanece ciente da humildade humana perante uma outra dimensão (chamemos-lhe divina) que radica no humano mas se situa infinitamente para lá do humano: “Ao longe está a candeia / As flores que sempre sonhei / Desejo que me incendeia / Palavras que eu criei // As grades estão quebradas / O dia escureceu / Tenho mil e uma estradas / Nenhuma que chegue ao céu”. (…)
O HUMANO E O DIVINO – Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas
12.
Sequei a água do mar
Abri as portas que encerra
O mundo a transbordar
Das incertezas da terra
Ao longe está a candeia
As flores que sempre sonhei
Desejo que me incendeia
Palavras que eu criei
As grades estão quebradas
O dia escureceu
Tenho mil e uma estradas
Nenhuma que chegue ao céu
Livro 1 (pág. 26)
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