20 maio 2017

Bastogne

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Cidade belga que, em Dezembro de 1944 e durante a Batalha das Ardenas, foi cercada e palco de um combate sangrento entre alemães e aliados, mais precisamente de algumas divisões do exército americano.


 


A batalha iniciou-se a 16 de Dezembro de 1944, com o ataque surpresa das forças alemãs, e terminou no fim de Janeiro de 1945, com a retirada das mesmas forças, para trás das suas posições iniciais. Bastogne era uma pequena cidade importante pela sua posição estratégica, na convergência das principais vias de comunicação (estradas).


 


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A cidade foi cercada pelos alemães. Um Inverno rigorosíssimo, com o céu fechado aos aviões e temperaturas abaixo dos 15 graus negativos, levaram as tropas americanas e a população aos limites do esforço e da resistência, sem possibilidade de serem reabastecidos, substituídos ou tratados, com medicamentos, agasalhos e comida em falta. Mas nem assim os alemães conseguiram a sua rendição, a cuja resposta responderam “Nuts” (ou pelo menos foi o que se imortalizou) pela boca do General Anthony McAuliffe, comandante da 101ª Divisão Aerotransportada dos EUA.


 


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O dia estava bastante cinzento e chuvoso, mesmo a convidar para o passar entre portas. O Bastogne War Museum está bastante interessante, com 3 pequenos filmes em que se dramatizam as histórias de 4 protagonistas, bem à maneira americana, em que tudo se personaliza para fazer as pessoas sentirem-se identificadas com a História. Os personagens são uma criança de 13 anos, uma professora de 24 anos (ambos belgas), um militar americano e um militar alemão.


 


Entre os filmes passamos por várias salas profusamente ilustradas e com explicações de enquadramento da batalha das Ardenas, explicando os antecedentes da II Guerra Mundial, a ascensão das ditaduras, a eclosão da guerra e as consequências do pós-guerra com a reorganização mundial e a guerra fria.


 


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Gostei muito do museu e penso que vale a deslocação. Cruzámo-nos com um grupo de excursionistas provenientes, penso eu, de um lar de 3ª idade, muitos em cadeiras de rodas. Pelas respostas dos acompanhantes - Non Simone, nous sommes au musée – para uma senhora que não se dava conta do que estava a fazer; Albert! Albert! – chamava outra acompanhante por um velhote que parecia querer escapulir-se a todo o custo, sabe-se lá para onde; os auscultadores que eram fornecidos à entrada, com as explicações em francês ou inglês, estavam colocados nos sítios mais inusitados da cabeça, pouco coincidentes com os canais auditivos… Enfim, o restaurante com a refeição que os aguardava pode ter sido o verdadeiro objectivo e o ponto alto daquela manhã.


 


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Bastogne está grata aos americanos. É também um dos pontos da Via da Liberdade, justamente assinalada com o seu marco. Outro acontecimento imortalizado por uma rotunda com esculturas em ferro, é a prova de ciclismo Liège-Bastogne-Liège, cuja existência desconhecia totalmente.


 


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Choveu o dia todo. No dia seguinte a viagem terminava.

A caminho de Bastogne

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Place Ducale


 


Antes de Bastogne, cidade mítica e mártir, aonde se defrontaram, num Inverno duríssimo, as forças alemãs e americanas, fizemos o caminho por Sedan, parando antes em Charleville-Mézières, uma vila resultante da reunião de duas: Charleville e Mézières. Muito bom tempo, uma vila muito bonita, com a sua Place Ducale, construída em 1606 e semelhante à antiga Place Royal de Paris (actual Place des Voges), onde conseguimos um lugarzinho num dos muitos cafés-restaurantes em baixo das arcadas.


 


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Place Ducale


 


Chegámos a Sedan à tarde, já um pouco apressados porque queríamos ir visitar o Castelo de Sedan. Na realidade, durante a II Guerra Mundial, este forte não impediu que a Alemanha escolhesse esta área para a invasão da França, que não esperava o ataque por esse lado, tendo arrasado a cidade, que foi reconstruida após o término do conflito.


 


Mas é muito difícil visitar museus (e outras coisas) em França: abrem apenas a partir das 10:00h e, na prática, encerram por volta das 16:00 - 17:00h, conforme o tempo que duram as visitas, guiadas ou não, já não sendo possível entrar a partir dessas horas pois já não há tempo de terminar até às 18:00h. Mais uma vez já não chegámos a tempo.


 


Não me deixou saudades. No dia seguinte, bem cedo, partimos em direcção a Bastogne.

18 maio 2017

Das rendições champanhesas

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E chegou o radioso dia 16 de Maio, dia de Reims, champanhe a rodos e visita às respectivas caves.


 


Os planos estavam perfeitos. Passávamos por Ludes, nos arredores de Reims, para uma visita à Maison de Champagne Canard-Duchêne, seguida de uma maravilhosa degustação do maravilhoso líquido, até porque estávamos lá por volta do meio-dia, altura mais que perfeita para um aperitivo. Pois não, não dava. Désolée Madame, mais je suis seule e tenho um grande grupo para atender. Não era possível durante o dia todo. Paciência, iríamos mesmo a Reims.


 


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Catedral de Reims


 


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Vitrais de Marc Chagall


 


Começámos por deixar as malas no Hotel (o check in era só a partir das 14:00h). Muito simpático, pequeno mas suficiente para uma noite. A recepcionista, jovem escorreita e sorridente, mostrou-nos no mapa da Reims os locais mais importantes a visitar, nomeadamente duas grandes casas de champanhe, o centro da cidade, os locais para comer e a indispensável catedral, tudo onde se poderia facilmente ir a pé. Perfeito: depois de um almoço mais ou menos rápido, em que ingerimos uma óptima tábua de queijos, pusemos pés ao caminho, à torreira de um sol inclemente que ardia nos 27 graus, à desfilada pelos quilómetros infindos em busca das caves de champanhe. Uma hora depois entrámos esbaforidos por um enorme edifício, onde uma senhora muito sofisticada nos disse que só tínhamos lugar na última visita, em inglês, uma hora e meia depois. Como não tínhamos tempo de ir e voltar a outros locais, desistimos de esperar tanto tempo.


 


Decididos a deixar o champanhe para o jantar, arrancamos mais uns quilómetros para a catedral. Absolutamente espantosa. Enorme, majestosa, com lindíssimos vitrais, este local de sagração de tantos reis franceses, resistente aos bombardeamentos da I Guerra Mundial, é uma obra que nos exorta ao sagrado. A sua restauração só foi inaugurada em 1937, pouco antes do eclodir da II Grande Guerra.


 


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Reims depois dos bombardeamentos (1914 - 1918)


 


O Museu da Rendição de 7 de Maio de 1945 teve que ficar para o dia seguinte, visto que fechava às terças-feiras. Mas valeu bem a pena. Localizado no antigo Collège Moderne et Technique (actual liceu Franklin-Roosevelt) onde Eisenhower instalou a  Quartel General Supremo das Forças Expedicionárias Aliadas (QGSFEA) entre 1944 e o fim da guerra, o museu conserva a sala onde foi assinada a rendição incondicional da Alemanha, pelo General Alfred Jodl (posteriormente julgado e condenado à morte em Nuremberga). Os mapas nas paredes, a mesa, as cadeiras, a identificação dos protagonistas, arrepiam e comovem quem a visita. Antes podemos assistir a um pequeno filme que explica como se passaram aqueles dias e também a necessidade de repetição da cerimónia da rendição, em Berlim, a pedido de Estaline, desta vez pelo Marechal de Campo Wilhelm Keitel (também julgado e condenado à morte nos mesmos julgamentos).


 


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Sala da rendição


 


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 Declaração de rendição


 


O jantar anterior começou, de facto, com champanhe, numa esplanada agradável, comemorando 30 anos de planos que deram certo, outros não concretizados, muitas boas surpresas, algumas bem inesperadas, dias solarengos e outros cinzentos e de desilusões. É mesmo assim que tenho vivido, mais de metade dos anos que carrego, em excelente e grande companhia.

17 maio 2017

Verdun

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 Ossuário


 


A Batalha de Verdun escreveu uma das mais devastadoras páginas da nossa História, da primeira metade do século XX, com a morte de cerca de 300.000 soldados franceses e alemães. Toda a área à volta de Verdun, agora verdejante e bucólica, é um imenso cemitério. Disso nos damos conta quando visitamos a Citadela subterrânea da Praça Fortificada de Verdun, com um muito bem conseguido percurso animado com projecções cinematográficas a 3 dimensões, retratando vários episódios-tipo da vida dos Poilus.


 


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 Citadela de Verdun


 


No Fort de Douaumont, onde chegaram a estar 3.000 soldados, deambulamos pelos labirínticos e gelados corredores e salas, imaginando o que era estar ali, sofrendo em permanência os bombardeamentos, dos quais os terrenos envolventes literalmente aos buracos são testemunha, para além dos restos das trincheiras que aí se vêem. Por todo o lado encontramos cemitérios militares, pequenos grupos de túmulos com os nomes daqueles que ali morreram.


 


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Forte de Douaumont


 


Fizemos a via sacra de Verdun a Bar-le-Duc - uma estrada que permitia o abastecimento das tropas em Verdun - assinalada por marcos quilométricos encimados por une casque. Também, entre Verdun e Reims, percorremos um pouco da via da liberdade, que simboliza o caminho da libertação de França, Bélgica e Luxemburgo, efectuado pelo 3º Exército americano, comandado pelo General Patton, na II Guerra Mundial.


 


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via sacra


 


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via da liberdade


 


O Ossuário de Douaumont é absolutamente esmagador. Como foi possível, depois de todo aquele desperdício de vidas humanas que, 20 anos depois, novo conflito mundial tenha surgido? Será que as negociações de Chamberlain com Hitler não teria sido uma tentativa de evitar uma nova mortandade?


 


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Cemitério militar, perto de Reims


 


Pergunto-me muitas vezes se os cidadãos da nossa sociedade europeia actual aceitariam combater da forma como o fizeram os jovens (e os menos jovens) nas Guerras Mundiais, principalmente na Grande Guerra. Na verdade, quantos daqueles soldados, de qualquer dos países envolvidos, tinha sequer saído da sua terra natal? Quais as suas motivações, para além da doutrinação que provavelmente era feita, na altura da mobilização e do treino militares? Seria hoje possível uma tal mobilização, uma tal doutrinação, uma tal entrega? Por outro lado, se calhar as próximas guerras mundiais não se centrarão em bombardear casas e pessoas, matar e esventrar países e continentes, bastam ataques informáticos para desestruturar a vida dos países e das pessoas.


 


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trincheira em Verdun


 


Em Verdun a nossa alma encolhe. Quanto podem os homens fazer mal a si próprios e, ao mesmo tempo, quanto podem os homens sacrificar-se por si e pelos outros. Após um século convém lembrar a realidade daquilo que ninguém imaginava ser possível a 27 de Julho de 1914.

15 maio 2017

En passant par la Lorraine*

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Place Stanislas


 


De Estrasburgo para Nancy a paisagem é semelhante mas a cor das casas vai-se modificando, mais pálidas, sem traves que se entre-cruzam. Nancy apresenta-se bastante movimentada, principalmente à noite, em torno da Place Stanislas, em que as portes flamandes que unem os edifícios que enformam a praça, de estilo rococó, dão uma cor ocre e luminosa devido ao ferro com que são construidas. As ruas que para lá convergem estão pejadas de gente nova e menos nova, que conversa descontraidamente e bebe uns copos. Há inúmeros cafés com esplanadas formigando.


 


A etapa seguinte - Metz - foi um pouco decepcionante, talvez por ser domingo, o que desertificou as ruas e fechou as portas das casas comerciais e dos restaurantes. Demos uma pequena volta a pé, até ao Centre Pompidou, e resolvemos continuar até Verdun.


 


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Centro George Pompidou


 


Pelo caminho passámos por Gravelotte, local de uma importante batalha da guerra franco-prussiona. Repentinamente demos conta da existência do Musée de la Guerre 1870, mesmo em frente ao Cemitério de Gravelotte, muito interessantes, onde pudemos visitar a exposição permanente sobre essa batalha de 16 (mais precisamente em Rezonville) e 18 (mais precisamente em Saint-Privatt) de Agosto de 1870, onde a quantidade de soldados franceses e prussianos mortos e/ ou a quantidade de fuzilaria originaram a expressão tomber ou pleuvoir comme à Gravelotte. A batalha foi perdida pelos franceses e, nessa guerra, a Alsácia e a Lorena foram anexadas à Alemanha, perdidas de novo, após a I Guerra Mundial para a França.


 


 


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Museu de Gravelotte


 


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 Cemitério militar de Gravelotte


 


Chegados a Verdun foi fácil encontrar o Hotel, cuja fachada nos deixou em guarda - parecia um prédio e uma estalagem semelhante a uma outra onde, há muito anos já, tínhamos ficado numa vila portuguesa fronteiriça, a que chamámos a Pensão do Alcino. Infelizmente não era só a fachada. O quarto era bastante acanhado, com as paredes brancas totalmente nuas, uma cama de casal baixa, apenas revestida pelos lençóis e pelo edredão, umas mesas de cabeceira que não eram mais que umas tiras retorcidas de contraplacado oco, uma mesa pregada à parede, em riscos de ser arrancada para ajeitar o espaço, e uma casa de banho minúscula.


 


No entanto as janelas eram grandes e abriam-se para um espaço cheio de árvores, a água do duche era forte e revigorante, o colchão confortável. Parecia uma cela de um mosteiro. Na entrada do hotel estava uma miniatura de uma mota, se calhar lembrando a condição de motard do dono. Enfim, jantámos umas sanduíches literalmente gigantescas, feitas na Boulangerie mesmo em frente, com jambom et emmental, numa verdadeira baguette estaladiça.


 


*En passant par la Lorraine

14 maio 2017

Dos pombos sacrificados

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Com a alma pesada e em silêncio, saímos do museu à procura de um sítio para almoçar, que nos tinham informado haver em Natzweiler. Depois de curvas e contracurvas por uma estrada íngreme e estreita, por uma povoação que, mais uma vez, parecia totalmente deserta, não vislumbrávamos nada que a tal se assemelhasse. Apressámos o carro até um outro que se preparava para debandar e, num francês bastante macarrónico (o meu), perguntámos por um restaurante para almoçar. Com um grande sorriso o nosso interlocutor, um homem baixo e troncudo, de uns 60 anos, aponta-nos um Auberge, mesmo à nossa frente, com uma exclamação: Cést bon!


 


Era numa casa alsaciana, com um pátio atrás e outro à frente, e uma porta de entrada larga. O hall espaçoso transpirava serenidade. A sala de almoço era bastante confortável, com mesas muito bonitas e simples, com talheres e louçaria sofisticados, alguns quadros com cores fortes nas paredes.


 


A nossa anfitriã recebeu-nos com simpatia, sentou-nos numa mesa para dois e, pouco depois, trouxe uma ardósia com o menu e as sugestões do dia. Não sou capaz de reproduzir a ementa, mas escolhemos uma entrada de arenque com salada e um molho maravilhoso, uma dourada com legumes e um pigeon com pommes Dauphine et des frites, isto escrito e dito complexa e requintadamente. A sobremesa constou de poire Belle-Hélène e profiteroles. No fim ainda perguntou de onde éramos e, quando ouviu a palavra Portugal, conseguiu gracejar com o facto de termos saído do país precisamente no dia em que o Papa celebrava o centenário de Fátima.


 


Foi uma opípara refeição e restaurou a nossa bonomia. A verdade é que não há agrura que não ceda aos prazeres da comida. Foi uma excelente surpresa num local tão isolado e de tão cinzentas memórias.

Do horror indizível

 


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À entrada do campo


 


No meio de um paraíso florestal, do ar e do canto dos pássaros, esconde-se um dos espaços das ruínas do espírito humano.


 


O campo de concentração de Natzweiler-Sturdhof, construído junto a afloramentos de granito rosa, foi construído pelos alemães precisamente para a sua exploração. Nada melhor que juntar o agradável - a estância turística onde se praticava sky - ao útil – campo de internamento e trabalhos forçados para presos de delito comum, presos políticos, prisoneiros de guerra, resistentes e, por fim, judeus.


 


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Campo de concentração


 


Campo de detenção, de morte, de fome, de tortura, de experiências pseudocientíficas com agentes químicos e para recolha de cadáveres com o objectivo de fornecer esqueletos de judeus para a uma colecção para o Instituto de Anatomia da Reichsuniversität Straßburg. Escolherem-se pois 115 judeus, homens e mulheres, 86 dos quais morreram na câmara de gás existente no campo.


 


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À entrada do museu


 


O museu tem uma mostra dos vários campos de concentração e extermínio, com alguns dados sobre cada um, inclusivamente a estimativa de mortos por campo. Observam-se ainda as reproduções de desenhos efectuados por Henri Gayot, um pintor e professor de pintura deportado para este campo após ser capturado pelas suas actividades na Resistência francesa. Depois há o campo, como os socalcos onde se localizavam as barracas dos deportados, o crematório, a prisão – sim, também havia uma prisão – o arame farpado, as torres de vigia, a porta de entrada sinistra, e a câmara de gás, afastada cerca de 1 Km do campo.


 


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Henri Gayot


 


Há um silêncio que nos incomoda, pesado, aflito e de culpa, mesmo que já tenham passado gerações após estas atrocidades. Não sei se é compreensível como foi possível a seres humanos submeterem outros seres humanos a este tipo de crueldade, até porque a achavam natural e não a consideravam crime. O que pensavam? Como dormiam, comiam, amavam os seus filhos, os seus amantes, os seus semelhantes? Como poderiam aceitar tais horrores?


 


E mais assustador e incompreensível ainda é o facto de continuar a existir, tal como nessa época e nos muitos séculos anteriores, um doentio racismo larvar, uma xenofobia persistente que, mal se fazem sentir os rigores das crises financeiras e sociais, renascem das névoas invisíveis mas permanentes que assolam os corações dos povos.


 


Combater a penúria, a fome, a crise, o egoísmo, o racismo, a xenofobia, contribuir para uma efectiva cultura de solidariedade e tolerância, de respeito pelas diferenças sem abafar nenhuma minoria ou maioria, sem perder as características identitárias, e mostrar o que se passou, com rigor, sobriedade e verdade, mas sem ceder à preguiça de nos escondermos dos horrores pelos quais, com mais ou menos consciência, fomos de certa forma cúmplices, mesmo que em tempos e de maneiras distintas. A divulgação do que se passou no regime nazi, como em todos os totalitarismos, é obrigatório e deve ser uma preocupação permanente. Porque é de tal forma inacreditável que podemos mesmo enterrar esse conhecimento no mais fundo das nossas consciências. É muito mais fácil.

Maria dos cacos

Maria dos Cacos era, na verdade, Maria Póstuma, o nome da primeira grande ceramista de Caldas da Rainha. Filha e neta de oleiros, nascida no...