15 maio 2017

En passant par la Lorraine*

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Place Stanislas


 


De Estrasburgo para Nancy a paisagem é semelhante mas a cor das casas vai-se modificando, mais pálidas, sem traves que se entre-cruzam. Nancy apresenta-se bastante movimentada, principalmente à noite, em torno da Place Stanislas, em que as portes flamandes que unem os edifícios que enformam a praça, de estilo rococó, dão uma cor ocre e luminosa devido ao ferro com que são construidas. As ruas que para lá convergem estão pejadas de gente nova e menos nova, que conversa descontraidamente e bebe uns copos. Há inúmeros cafés com esplanadas formigando.


 


A etapa seguinte - Metz - foi um pouco decepcionante, talvez por ser domingo, o que desertificou as ruas e fechou as portas das casas comerciais e dos restaurantes. Demos uma pequena volta a pé, até ao Centre Pompidou, e resolvemos continuar até Verdun.


 


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Centro George Pompidou


 


Pelo caminho passámos por Gravelotte, local de uma importante batalha da guerra franco-prussiona. Repentinamente demos conta da existência do Musée de la Guerre 1870, mesmo em frente ao Cemitério de Gravelotte, muito interessantes, onde pudemos visitar a exposição permanente sobre essa batalha de 16 (mais precisamente em Rezonville) e 18 (mais precisamente em Saint-Privatt) de Agosto de 1870, onde a quantidade de soldados franceses e prussianos mortos e/ ou a quantidade de fuzilaria originaram a expressão tomber ou pleuvoir comme à Gravelotte. A batalha foi perdida pelos franceses e, nessa guerra, a Alsácia e a Lorena foram anexadas à Alemanha, perdidas de novo, após a I Guerra Mundial para a França.


 


 


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Museu de Gravelotte


 


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 Cemitério militar de Gravelotte


 


Chegados a Verdun foi fácil encontrar o Hotel, cuja fachada nos deixou em guarda - parecia um prédio e uma estalagem semelhante a uma outra onde, há muito anos já, tínhamos ficado numa vila portuguesa fronteiriça, a que chamámos a Pensão do Alcino. Infelizmente não era só a fachada. O quarto era bastante acanhado, com as paredes brancas totalmente nuas, uma cama de casal baixa, apenas revestida pelos lençóis e pelo edredão, umas mesas de cabeceira que não eram mais que umas tiras retorcidas de contraplacado oco, uma mesa pregada à parede, em riscos de ser arrancada para ajeitar o espaço, e uma casa de banho minúscula.


 


No entanto as janelas eram grandes e abriam-se para um espaço cheio de árvores, a água do duche era forte e revigorante, o colchão confortável. Parecia uma cela de um mosteiro. Na entrada do hotel estava uma miniatura de uma mota, se calhar lembrando a condição de motard do dono. Enfim, jantámos umas sanduíches literalmente gigantescas, feitas na Boulangerie mesmo em frente, com jambom et emmental, numa verdadeira baguette estaladiça.


 


*En passant par la Lorraine

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