Com a alma pesada e em silêncio, saímos do museu à procura de um sítio para almoçar, que nos tinham informado haver em Natzweiler. Depois de curvas e contracurvas por uma estrada íngreme e estreita, por uma povoação que, mais uma vez, parecia totalmente deserta, não vislumbrávamos nada que a tal se assemelhasse. Apressámos o carro até um outro que se preparava para debandar e, num francês bastante macarrónico (o meu), perguntámos por um restaurante para almoçar. Com um grande sorriso o nosso interlocutor, um homem baixo e troncudo, de uns 60 anos, aponta-nos um Auberge, mesmo à nossa frente, com uma exclamação: Cést bon!
Era numa casa alsaciana, com um pátio atrás e outro à frente, e uma porta de entrada larga. O hall espaçoso transpirava serenidade. A sala de almoço era bastante confortável, com mesas muito bonitas e simples, com talheres e louçaria sofisticados, alguns quadros com cores fortes nas paredes.
A nossa anfitriã recebeu-nos com simpatia, sentou-nos numa mesa para dois e, pouco depois, trouxe uma ardósia com o menu e as sugestões do dia. Não sou capaz de reproduzir a ementa, mas escolhemos uma entrada de arenque com salada e um molho maravilhoso, uma dourada com legumes e um pigeon com pommes Dauphine et des frites, isto escrito e dito complexa e requintadamente. A sobremesa constou de poire Belle-Hélène e profiteroles. No fim ainda perguntou de onde éramos e, quando ouviu a palavra Portugal, conseguiu gracejar com o facto de termos saído do país precisamente no dia em que o Papa celebrava o centenário de Fátima.
Foi uma opípara refeição e restaurou a nossa bonomia. A verdade é que não há agrura que não ceda aos prazeres da comida. Foi uma excelente surpresa num local tão isolado e de tão cinzentas memórias.
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